- (...) consigo escrever com as duas mãos.
- Eu também, mas escrevo igualmente mal com ambas.
diálogo imaginado, de uma imaginada sessão de grupanálise
Invejo o pensamento despojado deste António...
Um dia destes tenho que pensar (alto que é para ver se não sai viciado) sobre a amoralidade perdida dos analistas. Para já ainda ando à procura do caminho que outro Professor, também António, nos aconselha:
"É necessário suspender crenças e padrões de valoração para bem pensar, pensar de novo"
António Coimbra de Matos, Mais Amor Menos Doença, Lisboa: Climepsi, 2003
Gostaria também de dar uma achega à questão abordada pelo Terras do Nunca, Abrupto e Almocreve das Petas.
O posicionamento político de cada um assenta, em minha opinião, na reflexão prévia sobre o papel do indivíduo face ao colectivo (e vice-versa). Daqui resulta a posição de base, a qual pode ser de direita ou de esquerda. Mais ou menos consciente, é uma espécie de axioma, ponto de partida para o pensamento sobre questões concretas. Neste sentido é político, todo o pensamento e comportamento face a questões sociais.
Mas estamos a falar de seres humanos. A natureza humana é evolutiva, dada a duvidar de tudo, em cada instante. O que hoje é verdade, amanhã, pode não ser. Não existiria civilização, se não se pusesse em causa o que está adquirido. A semente da mudança está sempre naquilo que é seguro, estático. Pode-se aceitar isso, enriquecendo, ou negar, empobrecendo. E aqui podemos perceber outra dimensão individual, que os americanos abordaram, no polémico estudo sobre conservadores e liberais. A minha visão sobre esta dimensão é que ela se refere menos à dicotomia direita/esquerda (ou mesmo conservador/liberal), e mais ao grau de rigidez mental. Penso que nestes termos podemos falar, não de opções politicas, mas sim de formas de pensar. Mais que a mudança em si, o importante é a aceitação do diferente. Se este se constitui como ameaça, ou não. O diferente é sempre uma ameaça para quem não quer olhar para a sua própria dúvida. Desloca-se o ódio que se sente perante a incerteza interna para o outro, constituído como reflexo negativo. É importante que ele exista, e que por sua vez também não se questione. Caso contrário é o vazio.
Considero irrelevante para esta abordagem, obviamente discutível, todo um debate que se possa fazer sobre o centro, se ele existe, onde é que está, se se deslocou, ou não, após o colapso comunista. O resultado dessa discussão não altera a questão de fundo, na minha óptica, que é a maneira como cada actor político decide desempenhar o seu papel. Se o papel é esquerda, direita, liberal, conservador, libertário, não interessa.
Como em quase tudo na vida, existe a coisa e a forma como se lida com a coisa. Neste sentido, admitindo uma radical divergência (politica) entre extrema-esquerda e extrema-direita, percebemos uma aproximação no modo de (não) pensamento. Essa aproximação traduz-se na incapacidade de diálogo, de escuta do outro. Um debate entre um militante (a palavra diz muito. não se conhecem militantes do centro) do Bloco de Esquerda e um Neo-Nazi é uma experiência estéril. Nada de novo surge. De certa forma a existência do Neo-Nazi é fundamental para descansar a mente assustada do bloquista. E vice-versa. Mas, verdadeiramente, não discutirão opções políticas. O modelo de sociedade que ambos defendem, não permite ao indivíduo a discordância. A insistência nas causas das minorias, surge pela impossibilidade de aceitar a pluralidade da maioria. O texto pode ser diferente, mas a declamação enfática é a mesma.
Na primeira sessão, P vem de óculos escuros e começa por dizer: .Não estou a vê-lo bem.. Põe os óculos para cima e continua: .Não estou mesmo a vê-lo bem, devo ter um problema no olho.. Levanta-se, chega-se ao pé de mim e pergunta: .Você gosta de homens?.. Ao que respondi: .Tu estás a ver se me assustas, mas não me assustas..
Ao longo da sessão, P olhava de vez em quando para debaixo da cadeira e para mim e percebi que estava assustado.
Na segunda sessão começa a falar da necessidade da função continente. Olha para os livros, que estavam atrás de mim na estante, e diz: .Ah, Platão, Kant, eu hei-de ler umas coisas destas..
No dia seguinte traz uns livros de Platão e de Kant que tinha lido e começa a debitar Platão. Eu então disse-lhe: .Pois, a única maneira que tens para transmitir as tuas ideias e os teus pensamentos é através de livros que eu também tenho, como se assim pudéssemos arranjar uma linguagem comum aos dois..
Carlos Amaral Dias, Só Deus em Mim se Opõe a Deus, Lisboa: Fenda, 1993
O Alfacinha foi acometido de uma disfunção grave na máquina pensadora. Introduziu-se uma palhinha na engrenagem da incontinência bloguistica, e agora é o que se tem visto. Malditos analistas! Raça!!
"É também um pouco a fantasia megalómana por excelência, da pessoa que se alimenta a si própria, da pessoa afectiva, relacional, socialmente não autónoma, mas arrogantemente só. Isto não é a capacidade de estar só, é precisamente o contrário. E é exactamente o contrário porque feita à custa da negação da dependência. (...) Só na capacidade de dependência é que se pode aceitar o amor. Porque se o indivíduo não aceita depender, não pode amar. Porque amar é depender!"
![]() | - Do you know who I am? - That makes no difference; all men are equal in God's eyes. - Are They?! |
![]() |
| All I ever wanted was to sing to God. He gave me that longing. And then make me mute. Why? Tell me that. If he didn't want to me to praise Him with music. why implant the desire, like a lust in my body? And then deny me the talent? |
| Mediocrities everywhere. I absolve you. I absolve you all. | ![]() |
F.Murray Abraham in "Amadeus", Milos Forman, 1984
A propósito do tal estudo, uma frase do Muro Sem Vergonha:
"...apenas de um possível modo de funcionamento de psiques que resistem à mudança e sonham sempre com regressos a passados idealizados."
Esta definição encaixa que nem uma luva no radicalismo ecológico, em todos os Louçãs, nos descendentes de Álvaro Cunhal, na grande maioria dos libertários...
Todos conhecidos conservadores. De direita.
![]() | I can no longer sit back and allow... Communist infiltration, Communist indoctrination, Communist subversion, and the international Communist conspiracy to sap and impurify all of our precious bodily fluids. |
| You can't fight in here. This is the war room! | ![]() |
António Coimbra de Matos - Mais Amor Menos Doença (Climepsi)
Para a Susana