Secção: Política

março 06, 2004

PPPPPPPPPPPPPPP

Avelino... Guedes... Portas...

Só mesmo estes PP's, tão pequenos, e todavia tão omnipresentes e tentaculares, para dar por mim nestes últimos dias a fazer ámen (salvo seja...) a bloquistas e afins. E não se pode exterminá-los?

Publicado por alfacinha em 12:49 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

dezembro 14, 2003

Prisão II

É sem dúvida uma má notícia.

Publicado por alfacinha em 01:25 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

dezembro 13, 2003

Bloco Central

Cada vez ouço mais por aqui e por ali aquela ideia, tão politicamente correcta, que defende o pacto de regime entre os 2 maiores partidos, como a solução universal para todos os problemas endémicos do País. Esta ideia está, quase sempre, associada a outra também muito na moda, a de que a política é uma actividade parisita e prejudicial à sociedade. Estariamos bem no dia em que "eles", sendo este "eles" uma massa comum em que tudo se confunde, fossem corridos e a governação fosse exercida por técnicos qualificados nas diversas áreas. O lamento é quase sempre o mesmo: "mudam os governantes e fazem sempre questão de fazer o contrário dos anteriores". Pois ainda bem, digo eu, estranho seria o contrário. Cada vez tenho menos paciência para todos aqueles que dizem ter os Portugueses menos paciência para a política.

Publicado por alfacinha em 01:13 PM , Comentários (3) , TrackBack Secções Política , Sociedade

dezembro 11, 2003

Ratos e Montanhas

O "caso" Lusíada/Martins da Cruz II é paradigmático do baixo nível em que o nosso sistema político vive. Não querendo colocar a hipótese de que a Impresa tenha actuado com motivações políticas, só consigo compreender o triste espectáculo dado pela oposição, a partir da interpretação de Telmo Correia, o qual defende que o caso só agora foi suscitado, e não na altura adequada após a aprovação do decreto-lei, porque apenas agora os deputados se aperceberam dele (se é que existe...). A ser verdade tal interpretação isso significa que a oposição não dedica a atenção devida ao trabalho legislativo do governo.

Para além desta questão, o que mais me angustia, é a necessidade sentida pelos actores políticos de corresponderem, o mais rapidamente que lhes seja possível, a todas as "investigações" da comunicação social. Foi aflitivo ver a competição das oposições na quantidade de indignação, sendo o papel do PS particularmente ridículo já que todo o processo se originou no seu próprio reinado. Da mesma forma angustia-me a aflição e desmultiplicação em explicações urgentes, de ministros e apoiantes, culminando numa audição no parlamente à hora do telejornal, a propósito de uma matéria obviamente muito pouco urgente. E tudo porquê? Pelo medo. A oposição preocupada com a possibilidade de vir a ser acusada de inactividade, o governo com o fantasma da crise ministerial recente.

Este estado de coisas revela uma classe política fragilizada, amedrontada com a "opinião púbica" (essa coisa disforme mas corrosiva). Não conduz, é conduzida. Tudo isto me desagrada.

Publicado por alfacinha em 10:06 PM , Comentários (5) , TrackBack Secções Política

dezembro 07, 2003

Maturidade

"Ora, cuidar do défice e da dívida é tratar da responsabilidade e da seriedade. Travar a dívida e eliminar o défice, de modo consistente e com determinação, é zelar pela segurança dos portugueses e pela igualdade social."

As pessoas crescidas falam assim. António Barreto, hoje, no Público. Um verdadeiro mestrado de lucidez.

Publicado por alfacinha em 02:42 PM , Comentários (1) , TrackBack Secções Política

dezembro 02, 2003

Con(fusões)

A urgência nacional que permitiu uma ilusão de unidade política à direita, assentava na necessidade de enfrentar a crise. Só mesmo estas circunstâncias extraordinárias tornaram possível a convivência pacifica entre os PP's e todo aquele espaço da social-democracia não populista. Qualquer tentativa séria de prolongar a aliança conjuntural, transformando-a em algo mais que isso mesmo, só poderá resultar num novo periodo de travessia do deserto para toda a direita (centro-direita incluido). É inconcebível para largos sectores do PSD a perspectiva de fusão, ou mesmo de simples aceitação no partido da ala "Portista". Se, como infelizmente parece ser a tendência, Santana Lopes se afirmar cada vez mais como o grande aglomerador da direita popular, a tentação da capitalização pode tornar-se uma realidade. O pior é que essa tentação tem muitos adeptos na heterógenea familia social-democrata (não é por acaso que há quem ainda insista muito no "popular-democrata"...). Um combate entre as duas correntes pode resultar numa cisão, o que seria paradoxal para os que acreditam na fusão. E mais importante, seria desastroso do ponto de vista eleitoral. A esperança (talvez um pouco "Sebastiânica"...) está na capacidade de (re)afirmação de Cavaco Silva.

Publicado por alfacinha em 04:51 PM , Comentários (1) , TrackBack Secções Política

novembro 25, 2003

Indesculpável

Não ouvi, ainda, explicações do nosso Governo para se ter prestado à humilhação que é o apoio ao eixo Paris-Berlim. Nem consigo aliás perceber toda esta treta do "realismo". Como é possível ganhar alguma força negocial, cedendo na pior altura? A mensagem que os ministros da UE transmitiram é clara: o cumprimento do pacto só é para levar à letra quando não estiver em causa nenhum dos poderosos. Que raio de pacto é este? Hoje, sinto-me particularmente indignado e muito, mas mesmo muito, decepcionado com esta Europa e em particular com o meu Governo.

Publicado por alfacinha em 03:19 PM , Comentários (8) , TrackBack Secções Política

novembro 10, 2003

Política

Gostei de ouvir Vera Jardim a fazer, finalmente, o que a direcção do PS deveria ter feito desde a primeira hora. Tentar "afastar" (a expressão é dele) Ferro Rodrigues do escândalo. Frisando o desconhecimento sobre a autoria das calúnias, e repetindo a impossibilidade de se agir contra "realidades virtuais". Assim sim, sem recurso a teses de cabalas tenta-se colocar a questão como ela deve sempre deveria ter sido colocada, ou seja, processa-se aquele que é de facto o único culpado visivel de um crime, assumindo como espero se venha a comprovar, a inocência de FR. Neste caso foi o Correio da Manhã, um dia pode ser a SIC ou a TVI. Fico muito satisfeito por este re-apontar das armas. Acabe-se de vez com esta impunidade tácita dos tablóides, politicamente correcta, mas muito nociva para a saúde da democracia.

Não Gostei mesmo nada (como habitualmente...) de ouvir Luis Filipe Menezes, a enrolar justificações subservientes ao comportamento caciquista do chefe Pinto da Costa. Triste figura que tantos politicos, como ele, fazem. Se no imediato lhes traz proveitos pessoais, a prazo, apenas contribui para a degradação da imagem pública da classe e, por consequência, do País.

Publicado por alfacinha em 10:57 PM , Comentários (1) , TrackBack Secções Política

outubro 22, 2003

Critério

Qual é o critério para a indignação?

António José Teixeira, quando do caso da Filha do Ministro, indignou-se e repetiu até à exaustão a sua indignação pela cunha. Jorge Sampaio nada disse. Tudo isto no fim de semana em que se iniciava a crucial CIG. Nenhum deles proferiu qualquer frase do estilo "o País está distraído", ou seja, o tema mais importante desses dias era mesmo o fait-divers ministerial.

Agora, que se coloca a questão da cunha a outro nível, os papeis inverteram-se. Jorge Sampaio, com aquele arzinho levemente indignado (com "classe" dizem...), decidiu admoestar a populaça, alertando para os verdadeiros problemas do País. AJT, sereníssimo na sua mediocridade, concorda plenamente e agora já só fala da CIG.

Publicado por alfacinha em 11:43 AM , Comentários (3) , TrackBack Secções Política , Sociedade

outubro 18, 2003

Autoridade

De que servem declarações indignadas, emocionadas ou frases do género "isto é assunto encerrado!", proferidas pela direcção do PS, ou por João Pedroso, ele próprio responsável pela divulgação de escutas?

Estes senhores estão a ser vítimas do seu (desastroso) comportamento em todo este processo. A única atitude possível para um responsável político ou judicial, envolvido ou não no processo, seria a da contenção e condenação absoluta e inequívoca de toda e qualquer violação do segredo de justiça. Quem não o fez no passado, preferindo enredar-se e alimentar boatos e jornalismo tablóide, ajudando a credibilizar teorias e comportamentos estranhos à necessária dignidade institucional, não pode agora recusar a natural continuação do jogo ou deixar de sofrer as consequências de ter brincado com o fogo.

A reacção corporativa judicial, que se manifesta por exemplo nas declarações do sindicato dos juízes, no segundo acordão da relação, e (aparentemente) está na base desta nova violação do segredo, é lamentável e altamente condenável. O problema é que pessoas como Ferro Rodrigues, Ana Gomes ou João Pedroso, não possuem qualquer autoridade para apontar o dedo. Abdicaram dela em sucessivas declarações e comportamentos.

Publicado por alfacinha em 01:10 PM , Comentários (4) , TrackBack Secções Política , Sociedade

outubro 16, 2003

PP(D)-PSL

Tenho andado um pouco afastado, mas felizmente os incansáveis matadores tripeiros apontam o caminho para dois excelentes textos, além, claro, das suas próprias observações sobre as movimentações e trapalhadas desta gentalha dos populismos. Um é da (excelente) Grande Loja do Queijo Limiano, o outro é do Planeta Reboque. Há que ficar atento e não desarmar pois Portugal corre perigo!

Publicado por alfacinha em 11:16 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs , Política

Chocado

Manuel Maria Carrilho está chocado com o orçamento. Desvalorizando a redução de 5% do IRC, diz que apenas "beneficia 4 ou 5 mil Portugueses". É com frases destas que se percebe a visão socialista da economia: Arcaica.

Publicado por alfacinha em 09:25 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

outubro 13, 2003

Ana Gomes II

Enfio a carapuça da "graça inconsequente", mas não me escondo.

A Dra. Ana Gomes, ao apontar o dedo à PGR, e à justiça de uma forma geral, está claramente a polarizar do ponto de vista político o processo Casa Pia. Ao falar quando fala, onde fala e, acima de tudo, implicando a direcção do PS nas suas invectivas, que não se demarcou, antes pelo contrário, esta conclusão é de todo insofismável.

Agora, se a questão é politica, uma pessoa no lugar dela, não pode afirmar o que afirma, ou seja, a suposta "instrumentalização da justiça", sem ir mais além e clarificar o que a leva a tal conclusão. Se não, é pura e simplesmente populismo, o qual, como se sabe, encontra sempre terreno fértil nestas acusações ao poder. Nada disto teria muita importância não fora a já referida implicação da direcção do PS em todo este processo.

Claro que, a prazo, este tipo de comportamento prejudica sobretudo quem o pratica, se não veja-se a (falta de) credibilidade que pessoas como Paulo Portas, têm hoje na sociedade Portuguesa. Mas isso não diminui a irresponsabilidade e gravidade do acto.

A investigação, ou não, das denúncias anónimas, não tem nada a ver com isto. Se fosse essa a questão, Ana Gomes, falaria exactamente disso. E não o fez. Deliberadamente preferiu amplificar a ressonância de denúncias sobre membros do governo, no momento em que todas as atenções estão voltadas para Paulo Pedroso. Porquê esta denúncia, e não outra qualquer?

Publicado por alfacinha em 03:05 PM , Comentários (1) , TrackBack Secções Política

outubro 12, 2003

Ana Gomes

A Dra. Ana Gomes é o Paulo Portas do PS. Um elefante em loja de porcelanas.

sem desprimor para os elefantes...

Publicado por alfacinha em 08:33 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos , Política

outubro 10, 2003

Resposta Tardia

Com um mês de atraso aparece uma resposta à pergunta de Paulo Gorjão.

Publicado por alfacinha em 12:18 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Referendo

No debate, que decorre neste momento na AR, Durão Barroso já por duas vezes, e com muita clareza, disse ser o (eventual) referendo sobre se os Portugueses querem ou não a continuidade do projecto Europeu. Assim mesmo, o projecto, não a constituição. É um perigo, um vicio, a confusão entre a bondade da coisa e a qualidade da coisa.

Este não é o meu referendo.

Publicado por alfacinha em 11:57 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

outubro 06, 2003

Europa, a Dúvida

Se para mim é fácil decidir sobre a questão da realização ou não do referendo, já não se me afigura como tarefa simples o sentido de voto em si. De todas as questões em causa, há uma em particular que me suscita bastantes dúvidas. Refiro-me aos comissários de primeira e de segunda.

Se tivesse que pensar em abstracto tenderia a concordar com a lógica simples que determina uma proporcionalidade entre a representação dos estados e a própria dimensão destes, de acordo com critérios de número de habitantes, dimensão do território ou outros. Imaginemos por um instante que a “nossa” Madeira se tornava independente. Que sentido faria o poder de decisão de uns poucos milhares de habitantes, ter o mesmo peso que países como a Espanha, ou a Holanda?

O problema é que a questão, além de não ser colocada em abstracto, Portugal é um dos “países pequenos”, não pode ser desligada do comportamento concreto que os “países grandes” (Alemanha, França, Inglaterra) têm tido, em particular nas últimas semanas. Todos os sinais apontam no sentido da efectivação do directório. Para além das cimeiras particulares, do próprio processo de criação do texto constitucional, surge agora uma repugnante chantagem sugerindo um eventual condicionamento dos fundos à aprovação do texto. Reconheço todavia que esta perspectiva é muito influenciada pela minha condição de “cidadão de país pequeno”. Quero dizer, emocional.

Talvez a (minha) decisão possa passar por tentar perceber que Europa gostaria de ter. Se a resposta for “Europa-comunitária-regida-por-tratados-internacionais”, então continuará a fazer todo o sentido o igualitarismo de comissários. Se por outro lado pensar que, mais tarde ou mais cedo, avançaremos para uma fusão dos estados (não uma federação), então talvez a melhor solução seja mesmo a representatividade proporcional. Nesta nova equação há uma possível reconciliação entre a emoção e a lógica, já que prefiro a primeira alternativa, não por qualquer raciocínio fundamentado mas pura e simplesmente por intuição.

Publicado por alfacinha em 11:21 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Europa, o Referendo

Por paradoxal que possa parecer penso que a própria essência da democracia representativa exige a realização do referendo sobre a nova Europa. A nossa assembleia, e provavelmente qualquer uma das restantes, não foi mandatada para decidir sobre o próprio sistema de poder em vigor, sobre o que é de competência nacional e aquilo que é supra-nacional. Não está em causa o clássico impedimento constitucional que não permite referendos à própria constituição, está em causa o âmbito da constituição, ela mesma. Como se voltássemos ao tempo da Assembleia Constituinte.

Publicado por alfacinha em 11:20 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

outubro 01, 2003

Muito menos Bruto

Mas muito mais lúcido e argumentativo, Jorge Miranda, na mesma edição do Público, mostra a PAS (ver post anterior) o que pode verdadeiramente mudar. Transcrevo aqui um pequeno excerto, já que o link da edição online é efémero:

"A afirmação do primado do Direito da União em face do Direito dos Estados membros (art. I10º), se entendida de modo a abarcar também as Constituições nacionais, põe em causa, primeiro, os princípios da soberania constituinte dos Estados membros. E depois, afronta a legitimidade democrática (por as Constituições serem todas expressão de vontade popular, manifestada em assembleia constituinte ou em referendo, e na feitura do Direito da União prevalecerem (apesar da intervenção do Parlamento Europeu) típicos órgãos de poder executivo - o Conselho de Ministros e a Comissão - ao arrepio ainda do princípio da separação de poderes."

Publicado por alfacinha em 10:51 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Menos Bruto

"Se nada verdadeiramente mudar, não vale a pena o referendo", disse ao Público Pedro Adão e Silva, do Secretariado Nacional do PS. Alguém com este nível de responsabilidade, e supõe-se, informação, devia reflectir bem antes de produzir semelhantes declarações. O grave é que PAS talvez tenha reflectido.

Publicado por alfacinha em 10:32 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

setembro 30, 2003

Bruto

Estou-me borrifando para o destino de todos os arguidos do processo Casa Pia e toda a cadeia de comando da Protecção Civil e Bombeiros. Todos juntos, não serão mais que 20 ou 30.

Em contrapartida estou preocupado com o destino de 10 milhões de Portugueses (incluindo os já referidos), que podem acordar um dia destes numa Europa não desejada.

A malta gosta muito de criticar os partidos, os politicos. Mas é curioso, e contraditório com essa critica, o (baixo) nível de participação nos actos referendários do passado. Vale a pena exigir um referendo? Eu penso que sim, tenho a certeza que vou votar, mas não ponho as mãos no fogo pelos meus compatriotas. Já os ouço, às segundas-feiras dizendo mal dos politicos porque abusam do poder, e às terças invectivando-os, porque ao decidirem referendar estão a furtar-se ao dever...

Publicado por alfacinha em 11:55 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

setembro 21, 2003

Representação

"Em Portugal, há alguns protagonistas que se estão a preparar para o novo ciclo do diálogo, e isso é visível na maior parte das suas intervenções públicas: António Vitorino tem a vida facilitada porque está longe, mas Pedro Santana Lopes, cá dentro, parece estar próximo de conquistar o seu lugar no novo ciclo. Por mais ou menos agradável que a ideia possa ser, Santana Lopes já é, para muito mais gente do que seria imaginável, candidato à Presidência da República."

Ana Sá Lopes, hoje no Público

Ora aqui estão dois bons exemplos, em sentido inverso, de que não devemos assimilar algumas personagens singulares à representação da família política em que se inserem. Há pessoas que, essencialmente, se representam a si próprias. São por isso mesmo os mais naturais candidatos a todos os cargos de .Presidência.. Por vezes isto sabe-me bem, por vezes preocupa-me. E no fim, continuo a gostar muito da democracia representativa, no sentido plural do termo, mesmo com todos os seus defeitos.

Publicado por alfacinha em 06:36 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

setembro 20, 2003

Vergonha

Ninguém obrigou estes senhores a assinarem o pacto. Mas fizeram-no. Fica-lhes muito mal, no momento de dificuldades, fazerem estas "mini-cimeiras", à margem dos restantes países, os quais, à custa de sacrificios, lá vão conseguindo cumprir o acordo assinado entre todos. Que diabo de pacto é este, em que uma parte dos signatários se arroga o direito de considerar ser esta a altura de o rever, no momento em que lhes é dificil o seu cumprimento, depois de vários anos em que o defenderam como o melhor dos mundos? O PEC fez-se precisamente para estabelecer as regras e os limites que agora são postos em causa. Quem o assinou deve, ou cumpri-lo, ou excluir-se da comunidade. Não é legitimo andar anos a exigir rigor aos outros e, quando chega a hora das dificuldades, mandar o rigor às malvas, só porque se tem poder.

Não é dificil imaginar um cenário diverso, em que os principais países não cumpridores fossem outros, dos clube dos pequenos. Nessa altura, qual seria a reacção do "Eixo" a uma "mini-cimeira" entre Portugal, Grécia e Irlanda por exemplo, se os papeis estivessem invertidos, os "grandes" a cumprirem e os pequenos a proporem flexibilidade? E quais seriam as "recomendações" do FMI?

A Europa não pode ser construída em cima destas manobras. Nada do que daí resultar será duradouro ou interessante. Nestes dias tenho vergonha de pertencer a esta Europa e de acreditar, como ainda acredito, no projecto Europeu.

Publicado por alfacinha em 05:36 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

setembro 03, 2003

Preto & Branco, Branco & Preto

Gostaria também de dar uma achega à questão abordada pelo Terras do Nunca, Abrupto e Almocreve das Petas.

O posicionamento político de cada um assenta, em minha opinião, na reflexão prévia sobre o papel do indivíduo face ao colectivo (e vice-versa). Daqui resulta a posição de base, a qual pode ser de direita ou de esquerda. Mais ou menos consciente, é uma espécie de axioma, ponto de partida para o pensamento sobre questões concretas. Neste sentido é político, todo o pensamento e comportamento face a questões sociais.

Mas estamos a falar de seres humanos. A natureza humana é evolutiva, dada a duvidar de tudo, em cada instante. O que hoje é verdade, amanhã, pode não ser. Não existiria civilização, se não se pusesse em causa o que está adquirido. A semente da mudança está sempre naquilo que é seguro, estático. Pode-se aceitar isso, enriquecendo, ou negar, empobrecendo. E aqui podemos perceber outra dimensão individual, que os americanos abordaram, no polémico estudo sobre conservadores e liberais. A minha visão sobre esta dimensão é que ela se refere menos à dicotomia direita/esquerda (ou mesmo conservador/liberal), e mais ao grau de rigidez mental. Penso que nestes termos podemos falar, não de opções politicas, mas sim de formas de pensar. Mais que a mudança em si, o importante é a aceitação do diferente. Se este se constitui como ameaça, ou não. O diferente é sempre uma ameaça para quem não quer olhar para a sua própria dúvida. Desloca-se o ódio que se sente perante a incerteza interna para o outro, constituído como reflexo negativo. É importante que ele exista, e que por sua vez também não se questione. Caso contrário é o vazio.

Considero irrelevante para esta abordagem, obviamente discutível, todo um debate que se possa fazer sobre o centro, se ele existe, onde é que está, se se deslocou, ou não, após o colapso comunista. O resultado dessa discussão não altera a questão de fundo, na minha óptica, que é a maneira como cada actor político decide desempenhar o seu papel. Se o papel é esquerda, direita, liberal, conservador, libertário, não interessa.

Como em quase tudo na vida, existe a coisa e a forma como se lida com a coisa. Neste sentido, admitindo uma radical divergência (politica) entre extrema-esquerda e extrema-direita, percebemos uma aproximação no modo de (não) pensamento. Essa aproximação traduz-se na incapacidade de diálogo, de escuta do outro. Um debate entre um militante (a palavra diz muito. não se conhecem militantes do centro) do Bloco de Esquerda e um Neo-Nazi é uma experiência estéril. Nada de novo surge. De certa forma a existência do Neo-Nazi é fundamental para descansar a mente assustada do bloquista. E vice-versa. Mas, verdadeiramente, não discutirão opções políticas. O modelo de sociedade que ambos defendem, não permite ao indivíduo a discordância. A insistência nas causas das minorias, surge pela impossibilidade de aceitar a pluralidade da maioria. O texto pode ser diferente, mas a declamação enfática é a mesma.

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agosto 31, 2003

Pergunta Complicada

É pois. Nos dias seguintes ao 11/9 perguntei o mesmo por aqui e por ali. Durante anos os milhares de vítimas na Argélia, para citar uma realidade mais próxima que a África negra, me impressionaram. Durante anos não mereceram mais que notícias de rodapé e reportagens que, por serem tão lúcidas, não eram mediáticas. A única resposta que me ocorre é que o relativismo mais que uma questão de principio é sintoma de etnocentrismo. Najaf não tem a ver connosco, é lá com eles.

Publicado por alfacinha em 02:28 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Sociedade

agosto 29, 2003

Alternativa II

Antecipando-me à prometida resposta do Cristovão-de-Moura, ao post do Carimbo, gostava de, mais uma vez, ser destrutivo, isto porque continuo sem alternativa.

Não vejo qualquer vantagem em impedir o acesso ao voto a eleitores abstencionistas (por exemplo que não votem 2 vezes seguidas). Para quem não vota porque não quer votar nunca, o efeito é nulo. Ou seja, a sanção não tem qualquer efeito punitivo. Por outro lado, se um determinado eleitor não vota em dois actos eleitorais seguidos, ou porque não pode por razões que o ultrapassam, ou porque entende que nenhuma das opções merece o seu voto, qual a vantagem para o sistema de o obrigar a justificar isso para poder votar de novo? Das duas uma, se existir essa possibilidade (a justificação), será mais burocracia e mais uma probabilidade de um eleitor perdido, ou seja, contribui-se para o efeito contrário ao que se pretendia. Se uma medida destas fosse aplicada apareceria logo alguém a defender que o voto branco, ou uma opção do género "nenhuma das outras opções", substituisse a abstenção. Seria a única forma de evitar a necessidade da tal justificação do não voto. Provavelmente a opção do voto em branco passaria da actual insignificância para a maioria em muitas votações o que seria um grande sarilho. A legitimidade de uma votação em que o candidato mais votado tivesse menos votos que os votos em branco seria concerteza bastante comprometida. E todas as tais "análises totalmente ficcionistas e, portanto, demagógicas" de que o Carimbo se queixa (e com razão) sairiam reforçadas.

Publicado por alfacinha em 09:17 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Sociedade

Confusão

Não entendo. O normalmente sucinto e lúcido Liberdade de Expressão deve ter sido tomado de assalto por outro. A propósito do debate sobre cidadania que o Mar Salgado lançou, existem participações valiosas de outros como Bloguitica Nacional, Foi um ar que se lhe deu e Cidadão Livre, pelo menos. Mas o post do Liberdade de Expressão é uma confusão a partir de uma premissa não explicada:

"Alguém no passado teve a ideia brilhante de retirar recursos e poderes aos cidadãos e de os concentrar numa única autoridade central, o estado;"

Será que se está a referir à Revolução Francesa? ou a 1917? Que se saiba, independentemente do que resultou daí, a suposta criação do estado não retirou poder aos cidadãos, retirou-o à aristrocracia que não tinha mandato nenhum de cidadãos. Se a afirmação se refere a qualquer período histórico anterior, então ainda percebo menos. Esta ideia dos cidadãos anteriormente nem era considerada. Seria a democracia Grega? Então e o que aconteceu depois? Não está lá.

Como não entendo o ponto de partida, nem o consigo situar históricamente, o resto do texto parece-me uma fábula. A história da civilização não é redutivel a meia dúzia de considerandos banais sobre o estado como se isso tivesse sido uma invenção de anteontem.

Publicado por alfacinha em 06:57 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Sociedade

De novo??

O Terras do Nunca entusiasmou-se com um artigo do Washington Post e cita-o (não é bem uma citação, mas vá lá...), como se fosse alguma novidade:

"O sentimento de instabilidade na sociedade, o medo da morte, a intolerância face à ambiguidade, a necessidade de reclusâo, uma baixa complexidade cognitiva e um sentimento de ameaça são os factores que levam as pessoas a optarem politicamente pela direita.".

para depois concluir sarcasticamente:

"É claro, se não quiserem entrar no debate sobre Joni Mitchell, poderemos sempre discutir porque é que tantos blogues apresentam uma «baixa complexidade cognitiva». Ou porque é que outros revelam uma tão grande «intolerância face à ambiguidade». E porque haverá outros que não têm medo da morte.".

Nada disto é novidade, nem vale a pena colocar links (seriam tantos), esta questão já foi suficientemente discutida nos blogs portugas (e outros), e não há muito tempo.

Mais importante é a falta de rigor, o artigo do WP surgiu precisamente para desmistificar aproveitamentos destes. Leia-se bem o artigo, para além do primeiro parágrafo, e tirem-se quaisquer dúvidas.

E mais importante ainda, é a deturpação, habitual, de dados que se pretendem científicos, apresentados fora do contexto, a não profissionais. É antiga prática (jornalistica), e já devia ter desaparecido, usar estudos sobre o comportamento (sobretudo os fundamentados estatisticamente), que muitas vezes empregam palavras que no senso comum querem dizer uma coisa e no contexto cientifico outra (por exemplo neurose), para justificar esta ou aquela teoria. O que se afirma empiricamente, ganha assim outra "validade", e isso tem um nome: manipulação. Este senhor sabe do que falo.

"Thus our research is best understood as addressing the cognitive and motivational bases of conservatism (and liberalism) rather than the personalities of conservatives (and liberals)." (do artigo)

Isto foi o que o Terras do Nunca fez ao debruçar-se, jocosamente, sobre a "suposta" personalidade de alguns autores de blogs. Ou o título do post, "Direita/esquerda, uma patologia", que é exactamente o desmentido principal contido no artigo. E para o perceber nem era necessário ler mais que o título...

E depois há sempre a confusão (implicita neste caso) do costume, que é misturar orientações politicas (direita, esquerda, conservadorismo, liberalismo) com o grau de rigidez mental (para usar uma expressão simples). Já lá vai o tempo em que se podia simplesmente falar da direita e da esquerda nesses moldes. Não são as convicções politicas em si mesmas, é a forma como são apreendidas e utilizadas por cada um, o aspecto relevante. Há muitos conservadores (no sentido de maior rigidez) na (extrema) esquerda, e muito liberais na direita (não extrema). E os libertários, onde estão?

Quem é que, afinal, vê o mundo a preto e branco?

E o que é que a Joni Mitchell tem a ver com isto? As preferências musicais são indicativas? Eu gosto muito de Rickie Lee Jones, de Annete Peacock, de Suzanne Vega (e muito mais, mas não quero ser maçador). Será que isto me classifica politicamente?

Publicado por alfacinha em 12:38 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 27, 2003

Conversa

Eduardo Dâmaso publica hoje no Público um artigo com o título .Gato Escondido.., no qual se associa aos protestos corporativos ontem conhecidos, a propósito da intenção do Governo de legislar no sentido de aplicar penas de prisão a empresários que pratiquem Lay-Off ilegal.

À pergunta .que quer afinal o governo?., é dada uma resposta ..institucionalização pura e simples do fecho de empresas por mera comunicação dentro do prazo... O que é interessante é a linha de argumentação usada para sustentar esta tese. A obrigatoriedade de apresentação de garantias bancárias como forma de salvaguarda das remunerações, vai ter um efeito contraproducente relativamente ao seu objectivo, afirma ED. E explica. Em virtude da não existência de património em nome da empresa, ou da fuga dos empresários prevaricadores, a lei que visa criminalizar algo até hoje omisso, não vai ser bem sucedida, porque depende da intervenção da Policia Judiciária, e dos Tribunais. Para uma, ED limita-se a colocar umas aspas, ou seja, está implícito o seu não funcionamento. Para os outros usa-se o chavão da ..prática corrente dos nossos tribunais. Não deve haver um único caso de aplicação de uma pena de prisão efectiva em crimes com uma moldura penal inferior a três anos...

Mais uma vez, se critica a intenção legislativa na base da demagogia que é a constante afirmação do não funcionamento das instituições. E assim se diz mal, sem apresentar alternativas. A conclusão do artigo é lamentável: .Para lá de não poder ser levada a sério em termos práticos, também não assusta ninguém. Muito menos os supostos empresários que não estão habituados a respeitar qualquer lei nem se incomodam muito com este tipo de ameaças de prisão..... Então, se os empresários são .supostos., é mesmo bom que as suas .supostas empresas. encerrem, para que as verdadeiras possam trabalhar. Se não se incomodam com .este tipo de ameças de prisão., ou seja as que constam de uma (futura) lei da República Portuguesa, de que tipo deveriam ser as ameaças?

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agosto 26, 2003

Corporações

Os gestores que encerrem empresas à margem da lei podem vir a ser punidos com uma pena até dois anos de prisão.

"O que era necessário era que o país se desenvolvesse, para que houvesse trabalho, para as empresas poderem admitir e conservar os seus trabalhadores."
comentário de Ludgero Marques - AIP

"Aí é exigida reformulação, para impedir o fecho de empresas e não legalizar uma prática que é condenável e a negação do direito ao trabalho, com empresas que fecham sem cumprir requisitos legais, nomeadamente o recurso ao despedimento colectivo ou à falência."
comentário de João Proença - UGT

Como habitual estes senhores estão de acordo. O objectivo do legislador deve ser criar, manter e impedir o fecho de empresas. Ou seja, tudo funcionaria melhor se os empresários e sindicalistas legislassem e por sua vez o governo e assembleia fossem para as empresas.

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agosto 23, 2003

Não, não e não

Não é verdade que se dialogue com o terrorismo. Primeiro exige-se aos terroristas que deixem de o ser. Depois dialoga-se. Foi assim na Irlanda do norte, é assim em Espanha, tem sido assim, quando ele deixa, com Arafat.

Não é verdade (pela enésima vez) que o dirigente terrorista morto seja moderado. JPP já explicou porquê com muita clareza.

Não é o grau de penetração do Hamas na sociedade Palestiniana que lhe confere legitimidade. Significa mais perigo, isso sim. O partido Nazi na sociedade Alemã acabou a governar todo o País. Aproveitando a legitimidade democrática da época para se afirmar. Não ficou conhecido pela capacidade de diálogo. E muitos dos que tentaram esse diálogo não ficaram vivos para contar a história.

Claro que podemos sempre rebuscar no passado para sustentar qualquer linha de argumentação. Seja para responsabilizar a politica de Sharon pelo incêndio de agora, seja para tentar justificar qualquer terrorrismo actual a partir de provocações anteriores. Mas em algum momento do tempo se tem de parar, e começar de novo. O Roteiro oferece, mais uma vez, essa oportunidade. Nesta fase, Sharon e Mazen, parece entenderem isso. Se assim não fosse, a resposta de Israel não seriam os mísseis contra um terrorista, seria o olho por olho, dente por dente, concretizado em ataques à população civil.

E mantenho a afirmação de que o exercito de Israel desenvolve uma guerra justa contra um inimigo. Esse inimigo não é a população civil Palestiniana. São os terroristas. Esses são os militares alvo. Mais uma vez repito: é essa separação que é necessário fazer, os terroristas não são a população civil. Não subscrevo essa ideia de que "a guerra tem de ter 2 lados", como se só assim fosse justificavel a legitima defesa. Se um grupo de pessoas, seja quem for, ataca outro com bombas, só porque não seguiu as convenções da guerra tradicional, já não é possível ao primeiro grupo o direito à legitima defesa? Isso é que me parece uma lógica perversa.

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agosto 22, 2003

Europa

Se a Europa quiser de facto ser a vanguarda civilizacional de que se auto-rotula, deve urgentemente encarar a questão do terrorismo de frente. Este olhar para o lado, fingir que não é nada connosco é o maior dos perigos. Quando as bombas (ou seja lá o que vier por aí) começarem a explodir nos centros do politicamente correcto, o mais certo é assistirmos a uma indignação tão grande quanto a surpresa. O estado de choque não é bom conselheiro. Corremos o risco de nos tornarmos o mais bárbaro dos carrascos, e então de nada valerá qualquer discurso.

As lições da década de 30 não foram aprendidas por alguns e já foram esquecidas por outros. É inquietante perceber na actual atitude de muita gente face ao terrorismo, a mesma falta de vontade de enfrentar, o mesmo incómodo, que existia nas democracias face à ascensão nazi. Os bem pensantes da época não acreditavam que o mal os pudesse atingir. Tal atitude permitiu o crescimento do polvo, a sua forte implantação em alguns países e a indiferença perante a invasão de outros.

Os terrorismos europeus estão em decadência. Isto dá-nos uma falsa sensação de segurança e permite os equívocos de que falei no post anterior. Estará implícito no pensamento de muita gente que o actual estado de ascendente sobre os .nossos. movimentos terroristas radica na superioridade moral concedida pelas virtudes do diálogo, compreensão, moderação. Nada mais falso. A .segurança. europeia resulta essencialmente da existência de um País como os EUA.

É urgente separar as águas. Não podemos continuar a discutir como se os terroristas fossem partidos políticos ou movimentos sociais com direito à existência. O terrorismo só pode ser combatido, nunca tolerado. Esse combate começa no seu isolamento ideológico, na recusa de armadilhas justificativas. O inimigo principal do terrorismo não é o imperialismo militar, nem o poder económico. Somos nós, os tais moderados.

Publicado por alfacinha em 02:38 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Compreensão II

O Terras do Nunca insiste em alguns equívocos que são constantes no debate sobre o médio-oriente, e sobre o terrorismo em geral.

Quando se perspectiva a acção militar do estado de Israel como uma guerra, o sentido é esse mesmo. É um estado, com dirigentes democraticamente eleitos que, em nome da população, desenvolve acções militares. Estas acções, pela informação que nos chega, e apesar de muito ruído, são dirigidas contra quem ameaça as populações civis e/ou a integridade do estado. Nestas condições é legitimo falar-se dos Israelitas. Não vejo onde está o terrorismo nas referidas acções. Os civis de Jenin ou de Ramalat são vitimas, não o alvo. Vitimas pela proximidade (intencional ou não) a elementos terroristas, esses sim o alvo militar.

Já não me parece legitimo colocar do outro lado os Palestinianos. Do outro lado desta guerra estão as organizações terroristas, o Hamas, a Jihad. Estas organizações, independentemente do seu nível de popularidade, não são representantes de nenhum estado. Não respeitam nenhuma das regras, internacionalmente convencionadas, que conferem a legitimidade para desenvolver acções militares. Aliás, não desenvolvem acções militares. As acções militares visam primariamente alvos militares, não alvos civis. Recuso a mistura dos terroristas com os legitimos representantes da população Palestiniana. Abu Mazen é moderado. Arafat tem muita dificuldade em enterrar o seu passado terrorista. Dificilmente pode portanto ser moderado.

Alguém toma a ETA por legitima representante da população Basca? Porque é que não nos referimos aos Etarras como "Bascos" (no sentido em que se fala dos Palestinianos)? Não está Espanha em guerra com a ETA? Ninguém se levanta para condenar um ataque do Governo Espanhol a terroristas da ETA. Esses ataques, acções militares, são semelhantes ao que Israel faz. Mas não nos referimos a eles como "terrorismo de estado". Claro que há diferenças. Mas o fundo da questão é o mesmo.

Com o terrorismo não se dialoga. O terrorismo é, em si mesmo, a recusa do diálogo. Esta afirmação desmonta-se a si mesma: "Há quem não consiga entender que, entre os radicais palestinianos, haja moderados.". Se são radicais, não são moderados. Se fossem moderados dialogavam, não eram radicais. Não há memória de diálogo com organizações terroristas. É fácil entender porquê. Os terroristas bombardeiam, literalmente, o diálogo. Fizeram-no em Jerusalém, ao rebentar com o Roteiro, fizeram-no em Bagdad ao rebentar com uma conferência de imprensa na sede do diálogo mundial, a ONU.

É violento sim. Despejar 5 mísseis para matar um terrorista é violento. Mas não me digam que tem alguma semelhança com um ataque suicida contra um autocarro cheio de crianças. É insultar a sua memória. Mesmo se dito serenamente.

Quanto mais se fala nos Palestinianos a propósito do Hamas, ou nos Iraquianos a propósito das acções das milicias Fedahin, ou na classificação da acção militar Israelita como "terrorismo de estado", mais força se dá ao terrorismo. Objectivamente.

Publicado por alfacinha em 12:59 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Compreensão

O Terras do Nunca pede ajuda para a compreensão da retaliação de Israel, após o atentado de Jerusalém. O Paí­s Relativo procura o "outro lado" do terrorismo. O Cruzes Canhoto apercebeu-se finalmente do atentado contra o autocarro num post que começa com "A TRÉGUA ISRAELO-PALESTINIANA ACABOU após o assassínio de um dirigente do Hamas." terminando também com uma interrogação sobre os intuitos Israelitas.

O Hamas é um bando de terroristas. Ponto.
Qualquer dirigente ou activista do Hamas é um terrorista. Ponto.
A palavra moderação aplicada a esta gente é um insulto a todos os que morrem nos atentados. Ponto.

O autocarro de Jerusalém não transportava nem militares, nem terroristas, nem moderados, simplesmente crianças. Ponto.

O atentado contra o autocarro compromete sériamente o Roteiro. Ponto.
Os mísseis contra um dirigente terrorista, na sequência de um acto hediondo, não são terrorismo. São um acto de guerra. Ponto.

Qual é a parte que falta compreender?

Publicado por alfacinha em 01:41 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 20, 2003

Luto

Já aqui escrevi sobre o luto. Hoje, não me apetece.

Podem fazer-se muitas análises complexas, debates e tudo o que quiserem. Mas se alguma coisa é indesmentível no significado comum dos atentados de ontem é a identificação do alvo da barbárie. O alvo é, claramente, a civilização plural, a democracia. Seja na pessoa de representantes de instituições supra-nacionais, seja na pessoa dos inocentes da cidade que devia ser de todos. Nem uns, nem outros, são menores nessa representação. Merecem o nosso luto, mas sobretudo a nossa luta.

O inimigo não é a Casa Branca. Quantos mais terão que morrer até se entender isto?

Se a Torre Eiffel, ou o Arco do Triunfo fossem destruídos seria mais claro?

Há quem continue a olhar para o lado, dizendo "isto não é comigo". Talvez receba um dia destes uma carta com um esclarecimento.

Publicado por alfacinha em 12:30 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 19, 2003

Acordaram

Ana Gomes, Mário Soares, e todos os outros que agora acordam para o terrorismo com emoção e indignação por perceberem, finalmente, contra quem são os atentados, merecem todo o meu desprezo.

Desprezo proporcional ao desprezo que merecem, a eles, as vítimas em Jerusálem, vítimas de um terrorismo "justificado", que não lhes suscita a mesma emoção, nem sequer uma palavra. Desprezo proporcional à falta de vergonha presente na quantidade de palavras arremessadas nesta hora contra os Americanos, quase chegando a responsabilizá-los pelos actos hediondos hoje cometidos. Desprezo pelo júbilo, mal disfarçado, perante a perspectiva de fracasso do Roteiro.

Pelo menos o Desesperada Esperança, o Aviz, o Mata-Mouros, o Jaquinzinhos, o Homem-a-Dias, o Mar Salgado, já disseram isto antes de mim (e muito mais). Associo-me, em pleno, ao que está publicado por lá.

Publicado por alfacinha em 11:39 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 16, 2003

Maresia II

A propósito do tal estudo, uma frase do Muro Sem Vergonha:

"...apenas de um possível modo de funcionamento de psiques que resistem à mudança e sonham sempre com regressos a passados idealizados."

Esta definição encaixa que nem uma luva no radicalismo ecológico, em todos os Louçãs, nos descendentes de Álvaro Cunhal, na grande maioria dos libertários...

Todos conhecidos conservadores. De direita.

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Maresia

Quando for grande quero ser capaz de escrever assim ("Psicólogos" por FNV, ontem).

Publicado por alfacinha em 12:55 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Psi

agosto 15, 2003

Esclarecimento

Tenho um defeito, que me esforço por contrariar, nem sempre com sucesso. Uma tendência para ser demasiado sintético, não explicar devidamente o que quero dizer com determinada expressão. Por aqui acontece-me muito, é complicado para alguém como eu, não profissional da escrita, encontrar o balanço certo entre o desejo de não enfastiar o leitor e a necessidade de fundamentação que qualquer afrmação carece.

Vem isto a propósito de um lamentável mal entendido com o Carimbo. Diz ANS:

"Para o Alfacinha, o comportamento insuportável de PP justifica as afirmações (paternalistas?) de Mário Soares e conduzirá certamente a grandes dificuldades na implementação das medidas reformistas do actual governo."

Nunca me passou pela cabeça, mas compreendo que da forma como construí o texto tal se pudesse depreender, defender ou justificar o comportamento lamentável de Mário Soares. Precisamente o contrário. O meu "paternalista" é apenas a constatação da "velhice" do senhor que se arma em "pai" da democracia. O que lamento, e muito, é que a presença de PP no governo dê cada vez mais armas ao inimigo. Compreendo as razões de estado que levaram o PSD a aceitar a presença "deste" PP no governo, mas também vejo que, apenas a manifesta incompetência politica da oposição, mais preocupada com cabalas ficticias que com o País, permite que, de todas as vezes que o senhor PP mete a pata na poça (e basta ele respirar para isso acontecer), não seja ainda "desta vez que é".

Para terminar, uma nota, desta vez para evitar equivocos futuros. Como já disso compreendo as razões de estado, mas não gosto de ver uma época de reformas ficar associada a Paulo Portas e companhia. A companhia aqui não é o CDS-PP que tem muito boa gente. Algum PSD faz aliás parte desta companhia. Continuo a achar que se trata de um equívoco. Poderá ter, espero que não, um preço a pagar mais à frente. Pela minha parte não me revejo, antes pelo contrário, neste populismo. Infelizmente a época não é de clarificações e isso tenho de aceitar. Pelas mesmas razões, espero não ser confrontado daqui a algum tempo com a escolha entre o republicanismo bacoco de Soares e o populismo sedutor de Santana. Sinceramente acho que Portugal merece melhor.

Publicado por alfacinha em 02:30 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 10, 2003

Nota

Só uma pequena nota de adenda à (séria) discussão entre o Carimbo e o Adufe.

As criticas à actuação do General Sousa Viegas, alargadas aos participantes do famoso jantar e depois às palavras de Jorge Sampaio, são oriundas, na sua maior parte dos mesmos sectores que se indignaram (e com toda a razão na minha modesta opinião) com o comportamento de Pedro Burmester, exigindo-lhe a prévia demissão, para só depois a explicar e fundamentar.

A discordância política com um qualquer renascimento do grupo dos nove, com o PS, ou até mesmo com o PR, não deveria impedir o reconhecimento, para mim evidente, de que, pelo menos até ao momento, o comportamento de toda esta gente (em particular o PR), foi exemplo de respeito pelas instituições e regras da democracia. Saliento, em particular o cuidado do PR nesta matéria, proferindo declarações sensatas, sem deixar de dizer o que pensa. Este presidente, no qual não votei, e portanto estou à vontade para o dizer, tem sido, nos últimos tempos, um exemplo de isenção sem demissão. Veja-se a questão do veto às novas autarquias, ou o Código do Trabalho.

Este caso é, para além das questões políticas de fundo, mais um sintoma do consequências negativas resultantes do equívoco que existe na área politica que governa o País. Já aqui falei sobre isso. A incoerência, que julgo existir, entre as posições assumidas a propósito do caso Casa da Música e este, é mais prejudicial que as declarações paternalistas de Mário Soares sobre o .tumor..

Publicado por alfacinha em 01:59 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 07, 2003

Caridade

Solidariedade não é a mesma coisa que caridade. Partindo de uma premissa verdadeira, "...campanhas de solidariedade pontuais apenas actuam sobre as consequências, mas não sobre as causas.", o País Relativo mistura tudo (Governo, TV's e todos os que entendem ser seu dever ajudar) e conclui mal.

Publicado por alfacinha em 05:58 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 04, 2003

Vergonha

É o que falta a Manuel Monteiro ao fazer baixa política com o sofrimento de um País.
É o que falta a Mário Soares nas intervenções paternalistas sobre o "tumor".

Há pessoas que não sabem quando sair de cena.

Publicado por alfacinha em 03:18 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 01, 2003

PP

A pedido de várias famí­lias aqui vai um post sobre Paulo Portas.

Não é de hoje, não é de ontem, não é por causa da Amostra, não é por causa da intriga jornalistica de outros tempos, não é por causa dos conflitos com as chefias militares, não é por causa da Cruz Vermelha, não é por causa da AD que foi e deixou de ser para voltar a ser quando já não devia ser, enfim, não por nenhuma destas coisas isoladamente. O conflito, que é inevitável na vida, surge sistematicamente associado não a divergências políticas ou ideológicas mas sim a questões de carácter, a relações de poder pessoal. É o comportamento, a atitude, do personagem nestes exemplos (e mais existem), que pura e simplesmente o torna insuportável (para mim).

Enquanto o senhor não tinha responsabilidade governativa, este desagrado não era importante, não produzia consequências de maior. Desde há muito tempo era de prever que com tal sementeira (Independente e "conquista" do PP), só se poderia produzir fruta estragada (Moderna, Conflitos com Maria Barroso e militares). Até há um ano atrás, não seria necessário mais nada que não fosse simplesmente o dar tempo ao tempo.

As últimas eleições, no entanto, vieram a modificar dramaticamente esta tranquilidade. Se em boa hora este País começou, com dor, a receber a terapia para cura de vários maleitas, infelizmente circunstâncias da conjuntura determinaram que fosse aceite na equipe médica um charlatão que tem passado a vida a dizer mal da medicina. Depois de uma primeira fase em que o entusiasmo, e outros factores, disfarçaram o equivoco, os sinais deste vão agora multiplicando-se, sempre com a incerteza do "será que é desta?".

Temo pois, e isto é sem dúvida o mais importante, que pelo seu comportamento, PP possa vir a ser um dos responsáveis pelo interrupção da terapia. Convenhamos que, para além do optimismo reinante que fez meio País ir de férias a respirar de alívio, a procissão ainda vai no adro. Nada esta garantido e as resistências à mudança continuam vivas. Não são razões ideológicas que me movem contra este senhor, aliás, será precisamente o sentimento que tenho da sua (dele) falha ideológica que mais me afasta. A ameaça populista está particularmente forte e PP é, sem dúvida, um dos seus principais arautos. O populismo ameaça a sociedade portuguesa como uma praga e tem tendência a manifestar-se por todo o espectro político, qual parasita, contribuindo para e alimentando-se de estados amorfos como aqueles que Pedro Mexia tão opurtunamente denuncia.

PP (repito: pelo seu comportamento, não pela ideologia) representa muito bem o lado podre da politica. Representa um perigo muito maior para o Governo, e portanto para o Paí­s, que toda a oposição reunida.

Publicado por alfacinha em 04:40 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

julho 31, 2003

Grande Sampaio

Veto

Esperam-se agora os cortes de estrada do costume. E talvez alguma reacção da Igreja.

Publicado por alfacinha em 07:07 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política