E quem viver abraçado
À vida que há ao lado
Não vai morrer sozinho
E quem morrer abraçado
À vida que há ao lado
Não vai viver sózinho
José Mario Branco, Do que um homem é capaz, in "Resistir é Vencer", 2004, EMI

This album only exists because you have bought it. The music only has any worth or place in the world because you are listening to it. The loyalty and tenacity you have shown is incredible. The music is as much yours as a listener as it is mine. You give me a role and a purpose in life I would not otherwise have had. You prevent the greedy and destructive world of the record industry from destroying me and you keep cynicism at bay. The only way I can repay such a gift is to perservere, until one day I do actually create a body of work worth your patience. If anyone feels this is over sentimental you are to be mistaken. All I am saying here is truthful and real. Everytime anyone listens to my music either on disc or at a gig it is an affirmation of my whole life and that is something no record company could ever put a price tag on.
Thank you.
Vini
Não. Thank you, Vini!
Notas de "Tempus Fugit", 2004, Kookydisc 019  
Em dia de homenagens a Jacques Brel, aqui vai uma, em lingua não nativa, pela voz de um artista maldito.
Marc Almond, Litany For A Return, do album "Jacques", 1989, Some Bizzare  
"Jacques Brel died in 1978, just as Marc Almond started out as a singer. I'd like to suggest that some of Brel's spirit transferred itself during that October night."
Paul Buck, tradutor da maior parte das canções do disco.

Não há melhor contraponto para a histeria sobre a filha do ministro, que a recordação e partilha de memórias afectivas sobre essa pérola que são os Jardins da Virginia Astley. Vem isto a propósito de uma troca de mimos entre vários ilustres (Homem a Dias, Retorta, Aviz, Terras do Nunca), envolvendo as ditas memórias. Como eu os entendo. E daqui vai uma prenda 
para o Francisco, com um pedido de desculpas ao Alberto.

O referido objecto musical, desde sempre conhecido pela sua beleza e raridade (pelo menos em terras Lusitanas), fez-me percorrer, ao longo dos anos 80 as prateleiras do vinil. Só tardiamente a busca foi recompensada. Depois, tive que a reiniciar por via da renovação da colecção para o formato CD. Mais uma vez, difícil tarefa. Um dia, inusitadamente, lá encontrei esta edição. Não é a Japonesa, mas tem um bónus que é Melt the Snow 
, originalmente editado em 86.

Compreendo o Mário Pires, no seu lamento sobre a inexistência em CD do Hope in a Darkened Heart. O único consolo é que a minha edição em vinil não é de prensagem nacional. De prensagem nacional (saudosa Fundação Atlântica) tenho sim uma magnifica compilação dos Young Marble Giants, chama-se Nipped in The Bud e tem bónus preciosos de mais um dos grupos de boa memória: The Gist. E tem razão o jmf, isto anda tudo ligado. Pelo menos na memória afectiva.
Como é possível só agora me ter apercebido... falta grave, parece que isto já saiu há um par de meses.
Há quem discuta por aqui e por ali sinais horários. Faço como o outro, não são também os meus pipis. São diferentes os sinais da minha nostalgia. Houve um tempo, não foi assim há tanto, em que na abertura do dia, breves palavras faziam toda a diferença. Era mais ou menos à hora em que publico este post. O autor: Fernando Alves.
aqui fica, para os mais saudosistas, o sinal, banda sonora perfeita, que marcava as manhãs desses dias   
A concorrência tem destas coisas. Logo no lançamento dois, muito recomendáveis, pelo preço de um:
"POR DETERMINAÇÃO EXPRESSA DO AUTOR FICA PROIBIDA A AUDIÇÃO PÚBLICA PARCIAL OU TOTAL DESTA OBRA"
Reproduzo aqui o aviso original de José Mário Branco feito logo na primeira edição de FMI em 1982 (e repetido no edição em CD do "Ser Solidário"). Uma informação útil para os entusiamados Ivan e Relativos, sendo que estes últimos estão com vontade de infringir o pedido do autor (afinal publicar o texto ainda é "pior" que ouvi-lo).
em compensação não me consta que haja qualquer objecção à divulgação do "fado mais bonito que eu já ouvi"   
William, It Was Really Nothing    ![]() Please Please Please Let Me Get What I Want     ![]() The Smiths - Hatfull of Hollow dedicado a todos e a ninguém em particular | ![]() |
| They say the working class is dead, we're all consumers now They say that we have moved ahead - we're all just people now There's people doing 'frightfully well' there's others on the shelf But never mind the second kind this is the age of self They say we need new images to help our movement grow They say that life is broader based as if we didn't know While Martin J. and Robert M. play with printer's ink The workers 'round the world still die for Rio Tinto Zine And it seems to me if we forget Our roots and where we stand The movement will disintegrate Like castles built on sand | ![]() ![]() |
| Robert Wyatt - Old Rottenhat | dedicado a jmf |
|---|
Noutros tempos existiu uma banda, nas margens de um movimento já de si marginal. Chamava-se The Wake. Hoje, tempo de esboroamento de fronteiras (Bent, Goldfrapp, ...), há quem respire devagarinho (de novo) por entre as estrelas...
| Double View
no you can.t change my mind Alpha - Stargazing | ![]() ![]() |
Continuando em tom herético, recomendo a mais recente aquisição na loja do povo.

Uma é suficiente.
Começo pelo mais importante, que é dar o meu contributo à Charlotte, com uma sublime letra de uma estival cançoneta:
"Bam me la, Bam me paia pa, Bam me la, Bam me paia."
(isto foi o que consegui apanhar, não sou grande coisa com a lingua francófona, lamento...)
Aproveito para recomendar a artista, dá pelo nome de Isabelle Antena, já andou por aqui, muito bem acompanhada, e agora dizem que vai para aqui, onde também não destoa no ramalhete.
![]() | Peço desculpa pelo roubo, mas aqui está um calor dos diabos... | ![]() |
| ||
| Dancemos, e no final, tiremos o chapéu. |
Ora vejam lá como é que se pode falar de intimidade, sem sussuros, com violinos e coro, em formato sinfónico. Mas, claro, é o artista "maldito", nada de confusões...
Um dia destes, perante um escaparate com 1 metro de altura inteiramente ocupado com CD's da Carla Bruni e um convite para a escuta, decidi dar-lhe, mais uma vez, o benefício da dúvida. Digo mais uma vez, porque já o tinha feito há meses através de outros meios. O que me levou a tentar de novo foi o formato, auscultadores generosos, que permitiriam trazer a voz da menina para bem mais próximo do meu cérebro, sem distracções (para além da própria menina na capa do CD, já que este que escreve, tem hormonas masculinas na quantidade minima necessária).
Tem isto tudo relevância, não por causa da música, ensonsa, alguém já o disse, só para partilhar um pensamento que me ocorreu. O tom escolhido pelos directores de marketing da artista foi o que muita gente designa por "Intimista". E ela faz o papel, sussurando com competência, palavras que a maior parte do público comprador (anglófono) não entenderá, nem é importante que entenda. As aspas estão ali atrás, correspondendo à minha questão que aqui deixo. Poderá algo de tão complexo como é a intimidade, ser reduzido, confundido com, o sussuro? Se falarmos baixinho, contando "segredos", estaremos mesmo a convidar alguém para a nossa intimidade? Já vi escrito algures qualquer coisa como "parece mesmo que tenho a CB a sussurar-me ao ouvido". O que é que isto tem a ver com intimidade?
Em dia de pouca inspiração, sabores Indianos:
do filme "Monsoon Wedding" de Mira Nair, o tema "Aaj Mera Jee Kardaa" (Today My Heart Desires) de Mychael Danna
Tributo a Nina Simone
"I got my arms, I got my hands
I got my fingers, Got my legs
I got my feet, I got my toes
I got my liver, Got my blood
Got life , I got my life"
Do musical "Hair", citado por Ian Anscombe
mais logo talvez se arranje musica para acompanhar...

"These pieces emerged from the keys of a piano. Still affected by the powerful emotion of the encounter, and the exhaustion which followed the recording of "Thimar", I set the oud aside for a few months, something that had never happened to me before. It was as though the music came from there, from the space created by that pause. As though it was the very expression of that lack. I did not start out with the intention of writing for the piano. It just replaced the oud. In fact, I used the piano as an instrument of modal writing. I have always had a piano in my studio.
Manfred Eicher, to whom I had played a few initial themes in Carthage, gave me great encouragement to develop them with a view to a recording. I composed some other pieces. Still for solo piano. The piano was the main character, the sole protagonist. It was only later on that the oud came in. It joined the piano gradually, discreetly at first, then it assumed its place. It was a long time, on the other hand, before the idea of integrating the accordion came into my head, whereas it seems obvious to me now. It's like this music's inner song."
Anouar Brahem Le pas du chat noir (ECM 1792)
Para ser coerente:
"...ainda não vi a bomba H
ainda não vi a de neutrões
ainda não vi os meus travões
a ver se paro antes de chegar lá...
...quando eu nascer para a semana, ó mana
hei-de ouvir o teu parecer
hás-de me dizer
se é cada coisa para seu lado
ou se isto anda tudo ligado..."
Sérgio Godinho