setembro 30, 2003

Bruto

Estou-me borrifando para o destino de todos os arguidos do processo Casa Pia e toda a cadeia de comando da Protecção Civil e Bombeiros. Todos juntos, não serão mais que 20 ou 30.

Em contrapartida estou preocupado com o destino de 10 milhões de Portugueses (incluindo os já referidos), que podem acordar um dia destes numa Europa não desejada.

A malta gosta muito de criticar os partidos, os politicos. Mas é curioso, e contraditório com essa critica, o (baixo) nível de participação nos actos referendários do passado. Vale a pena exigir um referendo? Eu penso que sim, tenho a certeza que vou votar, mas não ponho as mãos no fogo pelos meus compatriotas. Já os ouço, às segundas-feiras dizendo mal dos politicos porque abusam do poder, e às terças invectivando-os, porque ao decidirem referendar estão a furtar-se ao dever...

Publicado por Carlos em 11:55 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Encontro

Mais tarde ou mais cedo, se não agora, num qualquer reality show no futuro, o encontro entre o espectáculo e a morte terá de se dar. Paradoxo cruel.

Publicado por Carlos em 11:11 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Loja do Cidadão

Do desgraçado legado da era de Guterres, ficou como muito positivo, o lançamento das Lojas do Cidadão. Sendo fã desde o início tenho pena que, depois do entusiasmo inicial, não só a rede não se tenha alargado tanto quanto seria de esperar, mas sobretudo que não esteja à vista a concretização do passo seguinte. Este seria a prestação de serviços ao cidadão de forma efectivamente centralizada, em que, para além da proximidade física, fossem criados gabinetes inter-ministeriais.

Um bom exemplo neste domínio são os Centros de Formalidades das Empresas, os quais, à semelhança das LC, permitem aos empresários, tratar de assuntos das empresas num mesmo local. Mas aí, foi dado um passo revolucionário, no que toca à filosofia habitual de atendimento ao público na administração pública. Foi criada, dentro dos CFE, uma área central de recepção do empresário, que não só funciona como recepção para os diferentes serviços (Finanças, Segurança Social, Conservatória, etc), como acompanha o utente em todo o processo, esclarecendo dúvidas, preenchendo formulários e coordenando o atendimento em cada um dos serviços. Nem parece que estamos em Portugal, tal a boa vontade e espírito de verdadeira colaboração que existe. Esta foi pelo menos a minha experiência há uns anos em Lisboa.

Infelizmente as Lojas do Cidadão têm sido noticia apenas pelas repetidas greves, sintoma claro do abandono a que o projecto tem sido dedicado. Se tal se deve ao facto da ideia não ser deste governo, é de lamentar a tacanhez de tal atitude. Esperemos que não, e que as LC apanhem o comboio da desejada reforma.

Publicado por Carlos em 10:16 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

TAP

Depois de ter chegado a uma situação insustentável, numa época em que tal não se justificava, a TAP, deixou de ser notícia desde que entrou em rota de recuperação. Por boas razões. Os trabalhadores e Fernando Pinto, merecem o reconhecimento do País, pelo bom exemplo que têm dado, desde há 3 anos a esta parte, e numa conjuntura cada vez mais desfavorável, colocando os interesses da empresa à frente dos seus próprios privilégios. Recusando a cedência à facilidade que seria a modificação dos objectivos neste ano tão difícil, e apesar da "ajuda" envenenada de Cardoso e Cunha, Fernando Pinto fez-se excepção, em terra de mediocridade. Os resultados estão à vista, e deviam fazer pensar todos os que enchem a boca com a questão do deficit.

Publicado por Carlos em 09:27 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

setembro 28, 2003

Apagão do Positivismo

.Mas deve ser de mim, que soçobro sentimentalmente à ideia positivista do progresso, mesmo apesar das minhas resistências filosóficas..

Aproprio-me, com despudor, desta frase (magnífica) para lhe acrescentar uma terceira dimensão, o choque da realidade, que brutalmente amplifica a dúvida filosófico-existencial. Para além da ressonância emocional, e da questão intelectual, esta vaga de .apagões., provoca em mim uma insegurança básica sobre os próprios fundamentos da sociedade do conforto e bem-estar. Preocupa-me pouco a eventual identificação ideológica das falhas, e muito mais a possibilidade que estas possam ser, na sua desmultiplicação em velocidade de cruzeiro, apenas um sintoma de um colapso mais globalizado. Um cenário alternativo ao final do Planeta dos Macacos, no qual a civilização não teria soçobrado vítima de uma grande explosão em formato de fogo-de-artifício violento e tecnológico. O .gran finale., o apocalipse, teria sido afinal uma implosão em larga escala. Como se alguém tivesse desligado a ficha.

Publicado por Carlos em 01:28 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Say Hello Wave Goodbye

quem se vá.
quem não volte.
quem regresse.
quem continue.
quem veja, olhando.
quem sinta, fazendo.

Como sempre, não interessa o que se faz, importa como e porquê se faz.

Publicado por Carlos em 01:18 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

setembro 26, 2003

Populismo

Anda um cidadão, normalmente informado, desligado do mundo, quando lhe dizem, numa noite, existir um escândalo gravissímo, com helicópteros e bombeiros, lá para os lados de Lamego. No dia seguinte, liga a rádio de manhã, e percebe que o País está parado, a acreditar nos blocos noticiosos que se sucedem, tudo por causa de "frases infelizes" envolvendo bombeiros, hélicópteros e camarões. À noite, numa tentativa de saber o que realmente se passa de importante, o cidadão começa a ficar preocupado. Aparentemente todo o País continua parado, já que, de 3 noticias em destaque, 3 são sobre o "importante assunto da actualidade", sucedem-se demissões, contra-demissões, apoios, contra-apoios e solidariedades a todos os níveis. E assim, num ápice, toda uma classe passa de bestial a besta por causa de um pratinho de camarões. Imagine-se as discussões que esta febre deve ter alimentado nas tascas do costume, onde se terá já concluido, à volta de um pratinho de camarões e respectiva imperial, de quem é, afinal, a responsabilidade última dos graves incêndios.

Publicado por Carlos em 11:38 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Desatenção

Como é possível só agora me ter apercebido... falta grave, parece que isto já saiu há um par de meses.

Publicado por Carlos em 11:34 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

setembro 24, 2003

Leituras Pendulares

O conforto permitiu-me a leitura concentrada. A .Greve do Pão. em 1944, relatada pelos que nela participaram, homens e mulheres pouco politizados, em tempos difíceis, quando a repressão se abatia célere sobre qualquer protesto, mesmo que este fosse, como era o caso, apenas para obter pão. O relato conduziu-me a um fim de tarde, noite, em Vila Franca de Xira, onde as forças policiais aproveitaram a Praça de Touros para concentrar os presos, tal a sua quantidade.

Pouco depois, a tarde também ao fazer-se noite, fez-me sair da fantasia literária e voltar à realidade 59 anos depois. Espreitei pela janela e por mim passou tão rápido que não lhe fixei o cheiro, a Praça de Touros imaginada poucos minutos antes, mas desta vez ao vivo e a cores (vermelho, amarelo da terra.). O mostrador pendular, para além das horas e temperatura interior e exterior, indicava também a velocidade: 82Km / Hora.

Talvez aqueles que hoje, como eu, passam a 82Km / Hora pelas Praças de Touros, seja a de Vila Franca, seja outra qualquer, pudessem pensar um pouco nestes homens e mulheres de coragem, que apenas queriam pão, antes de fazerem certas comparações entre esses tempos de há 59 anos, em que não se sabia a que velocidade circulava o comboio em que se viajava, e estes tempos de hoje, confortavelmente pendulares. Se ajudar posso emprestar o livro.

Publicado por Carlos em 12:15 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos

setembro 22, 2003

Hello...

Tenho que pedir desculpa a todos os que voltam aqui em vão... a vida da classe operária é dura, e o blog é que paga. Vou tentar retomar um ritmo mais normal brevemente mas não consigo prometer nada. Entretanto o melhor que se vai arranjando por estes dias é algum humor alheio (um dia lixo-me com esta treta do copyright):

© 2003 Paws, Inc.

Publicado por Carlos em 10:40 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos

setembro 21, 2003

Representação

"Em Portugal, há alguns protagonistas que se estão a preparar para o novo ciclo do diálogo, e isso é visível na maior parte das suas intervenções públicas: António Vitorino tem a vida facilitada porque está longe, mas Pedro Santana Lopes, cá dentro, parece estar próximo de conquistar o seu lugar no novo ciclo. Por mais ou menos agradável que a ideia possa ser, Santana Lopes já é, para muito mais gente do que seria imaginável, candidato à Presidência da República."

Ana Sá Lopes, hoje no Público

Ora aqui estão dois bons exemplos, em sentido inverso, de que não devemos assimilar algumas personagens singulares à representação da família política em que se inserem. Há pessoas que, essencialmente, se representam a si próprias. São por isso mesmo os mais naturais candidatos a todos os cargos de .Presidência.. Por vezes isto sabe-me bem, por vezes preocupa-me. E no fim, continuo a gostar muito da democracia representativa, no sentido plural do termo, mesmo com todos os seus defeitos.

Publicado por Carlos em 06:36 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Momento sete - Mãos


Eram duas mãos
E um monte branco de silêncio
Cansados, cobertos de rugas
E ainda abraçadas
Lembro-me delas à tarde
Sujas de poeira e de vento
Aquelas mãos. Sempre dadas
Ás vezes era Inverno e estava frio
E os dedos, relembro
Sempre curvados, como se abraçassem
A voz, até, do pensamento
E eram dois os que pensavam
Naquelas noites em que o sol ardia
Mas só um o sentimento
Por isso às vezes rezavam
Preces rogadas ao tempo
Velhas memórias a arder
Na alma de quem as sabia
E só com a morte ensinadas
Como lendas que se transmitissem
Só a quem as percebia
A saudade que já sinto
Do cheiro a riso e centeio
Daquelas mãos a tremer
Pelas curvas do meu rosto
Que no meu ombro a descer
Eram traves dos meus sonhos
Mas cobertas de suor
Ainda eram sal e alegria
A quando ao meu tronco se abaraçavam
E eu não sabia o que dizer
Cobriam-se de lágrimas e sangue
Porque viam o sol a escurecer...

Luís Araújo, Na Margem do Silêncio, não publicado

Publicado por Carlos em 05:26 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

setembro 20, 2003

Íntima, mas para todos

Excelente ideia a da Cristina e do Mário. Esta é a nossa hora.

Publicado por Carlos em 09:42 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Vergonha

Ninguém obrigou estes senhores a assinarem o pacto. Mas fizeram-no. Fica-lhes muito mal, no momento de dificuldades, fazerem estas "mini-cimeiras", à margem dos restantes países, os quais, à custa de sacrificios, lá vão conseguindo cumprir o acordo assinado entre todos. Que diabo de pacto é este, em que uma parte dos signatários se arroga o direito de considerar ser esta a altura de o rever, no momento em que lhes é dificil o seu cumprimento, depois de vários anos em que o defenderam como o melhor dos mundos? O PEC fez-se precisamente para estabelecer as regras e os limites que agora são postos em causa. Quem o assinou deve, ou cumpri-lo, ou excluir-se da comunidade. Não é legitimo andar anos a exigir rigor aos outros e, quando chega a hora das dificuldades, mandar o rigor às malvas, só porque se tem poder.

Não é dificil imaginar um cenário diverso, em que os principais países não cumpridores fossem outros, dos clube dos pequenos. Nessa altura, qual seria a reacção do "Eixo" a uma "mini-cimeira" entre Portugal, Grécia e Irlanda por exemplo, se os papeis estivessem invertidos, os "grandes" a cumprirem e os pequenos a proporem flexibilidade? E quais seriam as "recomendações" do FMI?

A Europa não pode ser construída em cima destas manobras. Nada do que daí resultar será duradouro ou interessante. Nestes dias tenho vergonha de pertencer a esta Europa e de acreditar, como ainda acredito, no projecto Europeu.

Publicado por Carlos em 05:36 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

setembro 18, 2003

Escalada

Continua a escalada do crime. Depois dos mails, depois da imprensa, agora até a SIC (Online, Noticias e Nacional), exibe "reportagens" sobre o blog da desinformação. Mau jornalismo, apresentando uma suposta "entrevista" ao autor feita por e-mail. E ele não se identifica justificando-se dizendo: "Porque acho perigoso vir a pagar por uma coisa que não é da minha responsabilidade". Inaudito.

Só espero que a liberdade da blogosfera não venha a ser a vítima deste pulha.

a ler TUDO o que o Pacheco Pereira diz hoje sobre isto

Publicado por Carlos em 09:29 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

setembro 17, 2003

Sinais II

Sinos de aldeia. A minha aldeia. Cresci ao som destes sinos (mesmo estes, não é metáfora). Daí que apenas posso entender como um sinal de algo de bom que está para vir (ou voltar...) nesta circularidade, que começou com sinais horários, lá pelas Terras do Nunca, e terminou aqui mesmo, na minha aldeia, ao som dos sinos da minha infância, graças ao bom gosto de um bom fotógrafo. Obrigado a ambos.

Publicado por Carlos em 11:11 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Sinais

quem discuta por aqui e por ali sinais horários. Faço como o outro, não são também os meus pipis. São diferentes os sinais da minha nostalgia. Houve um tempo, não foi assim há tanto, em que na abertura do dia, breves palavras faziam toda a diferença. Era mais ou menos à hora em que publico este post. O autor: Fernando Alves.

aqui fica, para os mais saudosistas, o sinal, banda sonora perfeita, que marcava as manhãs desses dias   Anouar Brahem Trio - Astrakan Café (Part 1) - ECM1718 (© 2000 ECM Records GmbH)

Publicado por Carlos em 09:57 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação , Música

setembro 16, 2003

Vila Franca da Europa

- Quem é que morreu?
- A "peneireira"
- Quem?
- A mulher dos tremoços.

A "peneireira", alcunha antiga, tão antiga que já se perdeu a memória e rasto aos acontecimentos que lhe deram origem, ou mulher dos tremoços, como não gostava que a chamassem, apesar de ser mulher, apesar de ser a distribuidora de tremoços na terra, faleceu, num domingo indistinto, longe de casa, longe de quem a amava.

Estatisticamente não conta, mais uma vítima de doença prolongada, embora sem direito a noticia no jornal nacional. Já o mesmo não se pode dizer da notícia local, que veio com a chegada do corpo e se espalhou ao longo do dia, em silêncio, até aquele fim de tarde, noite, em que mais um habitante da Vila Franca da Europa, deixou de se contar entre os que não sabiam a alcunha da mulher dos tremoços.

No dia seguinte, pela tarde, como é costume, a Vila, mais parecia uma aldeia, todo o povo se encheu, nas suas ruas pedregosas, inclinadas e cheias de dejectos de vaca, para assistir à passagem, breve já que a derradeira morada da senhora dista uns escassos 200 metros da pequena igreja, a qual mais parecia um minúscula capela, a abarrotar que estava, durante o último serviço religioso. Toda a vida da "peneireira" ali estava resumida, a igreja, um pouco acima a casa, já sem o habitual alguidar dos tremoços, e um pouco mais acima ainda, o cemitério.

Estranha sensação, a de reunião e mesmo de alguma festa, nesta terra em que a vida é cada vez mais improvável, com um passado não muito distante de progresso: .chegou-se a carregar aqui diariamente para cima de 5 toneladas de batata no comboio... Hoje ostenta em todas as entradas orgulhosa e ironicamente o título, azul com estrelas amarelas, de Vila Franca da Europa, e continua a existir uma baixa, urbana, à volta da estação, onde param comboios internacionais, a par com uma alta, o povo, remediada, rural. Cada qual com a sua igreja, a ligação entre as duas metades faz-se através da "estrada nova. (com 20 anos), larga avenida habitada pelos mais distintos da terra, coexistindo com o velho caminho sinuoso, designado por "estrada velha". Quem venha da estação, em direcção so povo depara-se ainda com a antiga placa que manda os forasteiros, em busca da saída para a capital de concelho, pela "estrada velha". É talvez a vingança desta Vila, que sofre com a decadência do transporte ferroviário e assiste à modernidade e pujança da vila rival, brevemente cidade, ou tão só mais uma marca da relação entre a alta e a baixa.

Os habitantes, necessariamente vizinhos, necessariamente familiares por inerência, fizerem, ao longo da noite anterior e neste dia, o seu papel. Uns simplesmente apresentando-se, outros permanecendo para os habituais rituais, cumpridos como se o mundo fosse feito à imagem e semelhança da Vila, com a modernidade ultrapassada e a ruralidade serena disponível para intermináveis terços de Avé-Marias e Padre-Nossos, sempre que a ocasião o exija. Naquela noite de velório o calor humano aquecia o ar fresco de fim de verão, na capela do povo. À mesma hora, na baixa, num café em frente a uma estação de comboio cada vez mais silenciosa, a decadência urbana e impessoal, surpreendia-se com a descoberta da alcunha da mulher dos tremoços, agora que ela tinha morrido.

Publicado por Carlos em 09:55 PM , Comentários (1) , TrackBack Secções Apontamentos

Curioso

De aorcdo com uma pqsieusa de uma uinrvesriddae ignlsea, nao ipomtra a odrem plea qaul as lrteas de uma plravaa etaso, a úncia csioa iprotmatne é que a piremria e útmlia lrteas etejasm no lgaur crteo.

O rseto pdoe ser uma ttaol csãofnuo que vcoe pdoe anida ler sem gnderas pobrlmea. Itso é poqrue nós nao lmeos cdaa lrtea isladoa, mas a plravaa cmoo um tdoo.

Cosiruo não?

Publicado por Carlos em 05:25 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos

setembro 14, 2003

Economia de Mercado

A concorrência tem destas coisas. Logo no lançamento dois, muito recomendáveis, pelo preço de um:

Publicado por Carlos em 01:40 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

setembro 13, 2003

As voltas que a vida dá...

Não deixa de ser curioso constatar que as mais fortes manifestações de moralismo por estes dias, venham sobretudo da parte dos soixante-huitard.s ou seus descendentes.

Publicado por Carlos em 01:09 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

setembro 12, 2003

Hora

Um abraço solidário ao resistente, com a certeza (esperança) da continuação. Houve um tempo em que a Íntima me foi fundamental como uma fracção de saúde num mundo à beira da loucura. Hoje, ouvindo-a muito pouco, é importante para mim saber que ela está lá, à espera. A frequência não é relevante, nunca foi, a emoção é garantida.

Publicado por Carlos em 03:03 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Estatistica

A "razoável protecção da consciência dos editores dos media" de que fala MST (ver post anterior) não os impede de vomitar resultados contraditórios de estudos estatisticos sobre a mesma realidade, com diferença de data de publicação inferior a duas semanas, sem um comentário, ou qualquer esclarecimento, que permita a quem lê entender o fenómeno, ou pelo menos ter noção da disparidade.

No final de Agosto foram divulgados os resultados do Eurobarómetro (Comissão Europeia) que apontavam para uma taxa de utilização de computador de 25% e da internet de 14,8%, na população Portuguesa. Hoje foram conhecidos os dados finais de um inquérito da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (Governamental) que apontam para taxas substancialmente diferentes: 53% de utilizadores de computador e 39% acedendo à internet. Não deixa de ser curioso observar o tom em que estes dados são apresentados, no mesmo orgão de comunicação social. Na noticia de 30 de Agosto, assinada por Ana Ribeiro Rodrigues, diz-se que o "cenário também não é animador", enquanto na de hoje, não assinada, por várias vezes se usa a expressão contrária (veiculada pelo instituto que realizou o inquérito): "Os resultados são animadores". Nem uma linha de referência ao estudo anterior. Fica ao cuidado do leitor avaliar da credibilidade, entre um instituto da Comissão Europeia e um do Governo Português... ou fazer a média (a qual beneficiará de um eventual terceiro estudo, talvez da ONU, que permita desempatar).

Escolhi 2 noticias do mesmo jornal, o Público, as quais provavelmente foram escritas por jornalistas diferentes. Acredito que em outros orgãos de comunicação social se faça o mesmo. E viva a edição.

Publicado por Carlos em 11:28 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

Eles aí estão

"Até agora, em democracia, tínhamos pelo menos a razoável protecção da consciência dos editores dos 'media' ou, em última análise, o recurso à justiça para reparação das difamações anónimas. Contra a Net e os blogues, porém, nada há que possa defender as pessoas. É a arma perfeita dos cobardes,..."

Diz Miguel Sousa Tavares hoje no Público. Ou seja, alguém (supostamente) informado, afirma (preto no branco) que nada pode a democracia "contra a Net e os blogues". Ficamos a saber que estamos todos fora do âmbito da democracia e da justiça. E o pior é que muita gente é bem capaz de concordar com tal disparate...

Publicado por Carlos em 10:20 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

setembro 11, 2003

Confissão de um não Cavalheiro

Em dias de falta de tempo e inspiração, deixo-vos um texto obviamente dedicado a essa instituição chamada Montanha Mágica:

"Das coisas delicadas e fluídas, convém falar com delicadeza e fluidez; por isso formularei aqui, com precaução, uma observação acessória. Em resumo: a felicidade só se pode encontrar nos pólos extremos das relações humanas - onde as palavras não existem ainda ou onde já não existem - no olhar e nos abraços. Só lá se situam o incondicional, a liberdade, o mistério e o entusiasmo irreprimível. Tudo o que existe no intervalo, como contacto e relações sociais, é tíbio e fraco, determinado, condicionado e limitado pelo formalismo e pela tradição burguesa. A palavra, aí torna-se senhora - a palavra, essa intermediária baça e fria primeiro produto duma civilização domesticada e moderada, e tão totalmente estranha à ardente e muda esfera da natureza que cada vocábulo é, de qualquer maneira, uma frase por si e em si."

Thomas Mann, As Confissões de Félix Krull - Cavalheiro de Indústria, Tradução de Domingos Monteiro, Lisboa: Relógio D'Água, 2003

Publicado por Carlos em 01:04 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

setembro 09, 2003

Importante

Não sei se existe manipulação dos números. Sendo verdadeiros os apresentados pelo site meter dos cobardes, eles revelam uma realidade lamentável. A de que a operação de desinformação está a ser um sucesso retumbante. O site em questão, fazendo fé no respectivo contador, tem já uma audiência superior a qualquer blog escrito em Portugal. Sendo apenas (mais) um recurso para conseguir maior divulgação, desta vez através da mentira tecnológica, trata-se de acrescentar um ilícito à lista dos já cometidos.

Para além do crime em si, temo pelas consequências para todos os que, como eu, prezam a liberdade, habitual no meio que usamos. Na sequência da denúncia gerou-se um debate sobre se se deveria ou não eliminar o site, e também sobre se ao denunciar, mesmo sem ligação, não se estaria a promover. À partida não me agrada essa ideia de uma policia que pudesse eliminar sites. Qual o critério? Quem controla? Mas, não sendo agradável, a alternativa actual, em que tudo vale, pode, a prazo, virar o feitiço contra o feiticeiro. Se o fenómeno atingir proporções relevantes, e já se esteve mais longe, não é difícil imaginar uma avalanche securitária e moralizadora que ponha tudo no mesmo saco. Nessa altura todos aqueles que agora se calam e defendem a liberdade absoluta poderão ser vítimas de crimes alheios.

Continuo a sustentar a importância da denúncia, e necessidade de investigação da mesma pelas autoridades competentes. Não se trata de atacar a liberdade de informação, trata-se de a defender, diferenciando claramente quem usa e quem abusa. Há dias recebi um mail de uma pessoa que conheço bastante bem, o qual fazia "forward" de outro, também de pessoa conhecida. O mail simplesmente referia o site e continha a frase "leiam e retirem as vossas conclusões". Se a quem me passou este mail tivesse sido entregue um papel com o mesmo conteúdo do site, tenho a certeza que o destino não teria sido outro que não o lixo. Estas pessoas que cito não têm o hábito de comprar tablóides, os quais têm conteúdos muitas vezes bastante mais credíveis que os constantes no site. As mesmas pessoas não tiveram todavia hesitação em propagar informação criminosa e anónima, contribuindo assim para a manobra. Porquê?

A publicação de conteúdos na rede tem ainda inerente uma aura de credibilidade, de inocência, como se a novidade tecnológica fosse garantia de seriedade. A divulgação dos mesmos é gratuita, e infelizmente, como se vê pelos mails que referi, ainda tremendamente fácil. Quando se fala em controlo, logo se sente uma onda de revolta, a censura é o bicho-papão que todos temem. Mas a recusa de toda e qualquer regulação, não significará o maior dos perigos?

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setembro 05, 2003

FMI

"POR DETERMINAÇÃO EXPRESSA DO AUTOR FICA PROIBIDA A AUDIÇÃO PÚBLICA PARCIAL OU TOTAL DESTA OBRA"

Reproduzo aqui o aviso original de José Mário Branco feito logo na primeira edição de FMI em 1982 (e repetido no edição em CD do "Ser Solidário"). Uma informação útil para os entusiamados Ivan e Relativos, sendo que estes últimos estão com vontade de infringir o pedido do autor (afinal publicar o texto ainda é "pior" que ouvi-lo).

em compensação não me consta que haja qualquer objecção à divulgação do "fado mais bonito que eu já ouvi"   

Publicado por Carlos em 10:48 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

Festa

A minha relação com o comunismo é talvez semelhante à que muitos cientistas com educação católica têm com a religião. Difícil. Todos os anos me confronto com a escolha de ir ou não ir à festa, como se uma parte de mim ainda não tivesse interiorizado a possibilidade de não ir. A .desculpa. dos eventos culturais (concertos, exposições, etc) foi útil nos primeiros anos em que o poder de decisão me foi entregue pela força natural das coisas. A decadência não tem ajudado nada e cada vez mais o sentido do acto se resume à opção entre a convivência do ser adulto com uma nostalgia de uma visão do mundo idealizada, ou a recusa do conflito inerente a qual se traduz numa suposta indiferença perante o acontecimento e seus protagonistas. A segunda alternativa está a ganhar. E algo me diz que este ano não será diferente dos anteriores. Indo, ou não.

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setembro 04, 2003

Pela reabilitação da ambiguidade


William, It Was Really Nothing    

Please Please Please Let Me Get What I Want    

The Smiths - Hatfull of Hollow

dedicado a todos e a ninguém em particular

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Justiça e Gravatas

Inverti os termos, que é para ver se baralhando e voltando a dar isto sai melhor. O Catalaxia que me está a tentar arranjar sarilhos qualificando-me superlativamente (o que vindo de onde vem é uma honra), veio em auxílio do digníssimo advogado nortenho, e desmontou despudoradamente o meu artifício amalgamante. Bolas, e não é que tem (têm) razão!?

As gravatas serão objecto de análise posterior (é o que está a dar) por aqui, continuo a ter muitas dúvidas sobre as mesmas. Quanto ao resto nada a dizer, excepto um desejo, que a dignidade necessária à Justiça não advenha apenas do teatro, mas que esse teatro reflicta a seriedade de todos os actores envolvidos.

Publicado por Carlos em 09:27 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Pensar II

Invejo o pensamento despojado deste António...

Um dia destes tenho que pensar (alto que é para ver se não sai viciado) sobre a amoralidade perdida dos analistas. Para já ainda ando à procura do caminho que outro Professor, também António, nos aconselha:

"É necessário suspender crenças e padrões de valoração para bem pensar, pensar de novo"

António Coimbra de Matos, Mais Amor Menos Doença, Lisboa: Climepsi, 2003

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setembro 03, 2003

Elevador

Atente-se ao design sem mácula, leia-se o fundamental manifesto (elfesto), percorram-se, com calma, todos os andares, ouça-se a banda sonora, que não tendo Sinatra, é também ela, imaculada, repare-se na subtileza que é a ausência do 13º piso, e finalmente agradeça-se ao ContraFactos & Argumentos por 15 minutos muito bem passados.

Publicado por Carlos em 11:26 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos

Dúvida II

Está disponível no EuroNews (secção Europa, Europeans) uma reportagem optimista sobre o trabalho que uma organização não governamental (ASB), está a desenvolver na Croácia promovendo o regresso de refugiados Sérvios às suas terras.

É dito na reportagem que as organizações de ajuda humanitária registam uma diminuição das tensões, na sequência do fim do regime autoritário de Milosevic. É simpático acreditar que as diferentes etnias têm condições de coexistência pacifica, finda a guerra e com regimes democráticos mais evoluídos. Nesse sentido, poder-se-á entender a ajuda externa a uma reconciliação, partindo do regresso dos refugiados à sua terra natal, como um factor que acelere esse processo, difícil e complexo, de enfrentar os traumas. O sucesso deste empreendimento, com a manutenção da paz, é seguramente algo que todos os bem-intencionados desejam.

Mas será que é mesmo assim? Por muita que seja a dor, o trauma, o efeito desestabilizador que o desenraizamento de populações provoca, será que a ajuda externa, ao forçar o regresso, não está a contribuir para reacender velhos azedumes? Será possível a estes povos uma vida em comum? A reportagem neste ponto, não me descansa, fico com a sensação que, mesmo quem vive o acontecimento, não consegue verdadeiramente responder a estas questões.

Publicado por Carlos em 10:51 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Dúvida I

Cansado de certezas apetece-me neste momento falar da ausência delas. Começo com uma suscitada por dois posts no Mata-Mouros.

Nunca consegui ter uma posição bem definida sobre a questão .seriedade e gravata. (reportando-me à frase de Rui Zink citada num post anterior). Sendo sensível à argumentação sensata e racional de CAA, não deixo de sentir como válido aquilo que CL afirma. Não acredito que os monges se façam pelo hábito. Quando tal acontece o resultado é um não monge, apenas disfarçado. Dito isto pergunto, numa sociedade que está habituada a ver os monges vestidos como monges, que significado poderá ter a atitude deliberada de rebeldia de um monge que não lhe queira vestir o hábito? A ser verdade que é rebeldia, não será isso prejudicial do exercício da função que desempenha? Uma resposta a esta questão apenas pode ser encontrada caso a caso, e de acordo com a motivação individual. Daí a (minha) dificuldade em sentir como .boa. ou .má. a diferença assumida de Rui Teixeira.

Publicado por Carlos em 09:44 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Preto & Branco, Branco & Preto

Gostaria também de dar uma achega à questão abordada pelo Terras do Nunca, Abrupto e Almocreve das Petas.

O posicionamento político de cada um assenta, em minha opinião, na reflexão prévia sobre o papel do indivíduo face ao colectivo (e vice-versa). Daqui resulta a posição de base, a qual pode ser de direita ou de esquerda. Mais ou menos consciente, é uma espécie de axioma, ponto de partida para o pensamento sobre questões concretas. Neste sentido é político, todo o pensamento e comportamento face a questões sociais.

Mas estamos a falar de seres humanos. A natureza humana é evolutiva, dada a duvidar de tudo, em cada instante. O que hoje é verdade, amanhã, pode não ser. Não existiria civilização, se não se pusesse em causa o que está adquirido. A semente da mudança está sempre naquilo que é seguro, estático. Pode-se aceitar isso, enriquecendo, ou negar, empobrecendo. E aqui podemos perceber outra dimensão individual, que os americanos abordaram, no polémico estudo sobre conservadores e liberais. A minha visão sobre esta dimensão é que ela se refere menos à dicotomia direita/esquerda (ou mesmo conservador/liberal), e mais ao grau de rigidez mental. Penso que nestes termos podemos falar, não de opções politicas, mas sim de formas de pensar. Mais que a mudança em si, o importante é a aceitação do diferente. Se este se constitui como ameaça, ou não. O diferente é sempre uma ameaça para quem não quer olhar para a sua própria dúvida. Desloca-se o ódio que se sente perante a incerteza interna para o outro, constituído como reflexo negativo. É importante que ele exista, e que por sua vez também não se questione. Caso contrário é o vazio.

Considero irrelevante para esta abordagem, obviamente discutível, todo um debate que se possa fazer sobre o centro, se ele existe, onde é que está, se se deslocou, ou não, após o colapso comunista. O resultado dessa discussão não altera a questão de fundo, na minha óptica, que é a maneira como cada actor político decide desempenhar o seu papel. Se o papel é esquerda, direita, liberal, conservador, libertário, não interessa.

Como em quase tudo na vida, existe a coisa e a forma como se lida com a coisa. Neste sentido, admitindo uma radical divergência (politica) entre extrema-esquerda e extrema-direita, percebemos uma aproximação no modo de (não) pensamento. Essa aproximação traduz-se na incapacidade de diálogo, de escuta do outro. Um debate entre um militante (a palavra diz muito. não se conhecem militantes do centro) do Bloco de Esquerda e um Neo-Nazi é uma experiência estéril. Nada de novo surge. De certa forma a existência do Neo-Nazi é fundamental para descansar a mente assustada do bloquista. E vice-versa. Mas, verdadeiramente, não discutirão opções políticas. O modelo de sociedade que ambos defendem, não permite ao indivíduo a discordância. A insistência nas causas das minorias, surge pela impossibilidade de aceitar a pluralidade da maioria. O texto pode ser diferente, mas a declamação enfática é a mesma.

Publicado por Carlos em 01:55 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Psi , Sociedade

setembro 02, 2003

Pensar

Na primeira sessão, P vem de óculos escuros e começa por dizer: .Não estou a vê-lo bem.. Põe os óculos para cima e continua: .Não estou mesmo a vê-lo bem, devo ter um problema no olho.. Levanta-se, chega-se ao pé de mim e pergunta: .Você gosta de homens?.. Ao que respondi: .Tu estás a ver se me assustas, mas não me assustas..

Ao longo da sessão, P olhava de vez em quando para debaixo da cadeira e para mim e percebi que estava assustado.

Na segunda sessão começa a falar da necessidade da função continente. Olha para os livros, que estavam atrás de mim na estante, e diz: .Ah, Platão, Kant, eu hei-de ler umas coisas destas..

No dia seguinte traz uns livros de Platão e de Kant que tinha lido e começa a debitar Platão. Eu então disse-lhe: .Pois, a única maneira que tens para transmitir as tuas ideias e os teus pensamentos é através de livros que eu também tenho, como se assim pudéssemos arranjar uma linguagem comum aos dois..

Carlos Amaral Dias, Só Deus em Mim se Opõe a Deus, Lisboa: Fenda, 1993

Publicado por Carlos em 05:07 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações , Psi

Loop

O Alfacinha foi acometido de uma disfunção grave na máquina pensadora. Introduziu-se uma palhinha na engrenagem da incontinência bloguistica, e agora é o que se tem visto. Malditos analistas! Raça!!

Publicado por Carlos em 04:31 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos , Psi