agosto 31, 2003

Pergunta Complicada

É pois. Nos dias seguintes ao 11/9 perguntei o mesmo por aqui e por ali. Durante anos os milhares de vítimas na Argélia, para citar uma realidade mais próxima que a África negra, me impressionaram. Durante anos não mereceram mais que notícias de rodapé e reportagens que, por serem tão lúcidas, não eram mediáticas. A única resposta que me ocorre é que o relativismo mais que uma questão de principio é sintoma de etnocentrismo. Najaf não tem a ver connosco, é lá com eles.

Publicado por Carlos em 02:28 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Sociedade

Leitura Obrigatória

Não sei como foi possível até hoje não ter reparado no Retórica e Persuasão. Quando for grande quero escrever assim. Verdadeiro serviço público.

Publicado por Carlos em 01:55 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Troca

A atenta Susana chama-me a atenção para uma troca imperdoável que fiz de Alentejanos (logo eles!). Era o Janita pá! Qual Vitorino... Obrigado a ela e desculpas a eles.

Publicado por Carlos em 11:36 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos

Pain in the ass

É verdade, volto à carga, pela última vez e por bons motivos. Depois do post "Dificuldades" do Terras do Nunca, percebi que contribuí para alguns equívocos desnecessários. Parece que no registo privado fui muito mais bem sucedido. Sendo assim, peço desculpa por vos maçar de novo com este assunto, mas como o visado do seguinte mail exprimiu a sua pena pelo mesmo não ser um post, já que concorda e gostaria de o subscrever, achei que lhe devia o gesto de transformar o mail em post:

Caro JMF,

A minha ideia era exactamente demonstrar como os epitetos "esquerda, direita, conservador, liberal,..." são, por vezes, um problema maior que as ideias por detrás deles. Não faço parte daqueles que dizem que isso (esquerda/direita) já não se usa. E arrisco com algum atrevimento, que me é dado pela leitura do que tem escrito no blog, que o meu caro amigo também não se revê nessa formulação. Concordo plenamente quando diz que não vale a pena continuar a discussão. É de facto estéril.

Não me conhece, também não o conheço a si, não conhecemos muitos dos bloguistas com os quais debatemos. É fácil, e muitos fazem-no, classificar tudo como esquerda ou direita, sem atender a todas as outras dimensões. O estudo americano, provavelmente sem intenção dos autores, veio "dar gás" à redução que fez no seu título, evocando a dimensão patológica. E eles, percebendo o abuso, desmentem-no, com todas as letras.

Não é de agora, sempre me fez confusão o lançamento de termos da psico-patologia para a praça pública sem qualquer contextualização. Veja-se o caso triste do termo pedofilia. Um desgraçado que sofra mesmo de pedofilia (perversão que não significa de modo nenhum o acto do abuso sexual) viu acrescentar-se nestes anos mais uma dimensão de sofrimento à que já tinha, por via da doença: a marginalização, a exclusão social. Exagero, eu sei, não estou a dizer que é comparável, é apenas uma sensibilidade que adquiri. Não sendo profissional da área, tenho alguma formação e, acima de tudo, gosto pelo estudo do comportamento humano.

Quanto à questão da rigidez de carácter, ou de convivio com a ambiguidade (apesar de tudo prefiro a palavra incerteza), ou com a morte, mais uma vez me atrevo a pôr-me ao seu lado. Não sei se isso passa no Alfacinha, mas esforço-me por não usar muito a ironia, o sarcasmo, e sobretudo falar mais das incertezas que das certezas (que tenho muito poucas). Constantemente me debato entre uma esquerda de formação e uma direita de sedução, para voltar às simplificações. Há dias em que acordo conservador e me deito liberal. E isto não é jogo de palavras, é sincero, corresponde a um estado (que julgo adulto) de recusa dos tais confortos ideológicos de que falava o outro. Mais uma vez, é abuso pensar que não sente como eu? (sentir, não pensar)

Desculpe se fui maçador, muitas vezes me acusam de ser um chato com esta mania de re-pisar o mesmo assunto vezes sem conta. O que não quero é perder interlocutores como o meu amigo, há poucos na blogosfera infelizmente, com quem se pode falar sem vir logo a pergunta: "de que lado é que tu estás?". Daí a insistência. Daí o R. Wyatt. E muito mais coisas que podemos partilhar concerteza.

Um abraço do,
Alfacinha

Publicado por Carlos em 01:16 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Desassombro

- Em casa (de meus Pais) a hora das refeições era um ritual muito respeitado. Hoje, na minha casa, esteja a Isabel onde estiver, tenho sempre de esperar por ela para comer, não consigo comer sozinho.
- Não?
- Acontece-me, por vezes, quando tenho que comer sozinho, escapar assim uma lágrima. a solidão, sabe, é-me muito difícil de suportar.

Vitorino, entrevistado por Ana Sousa Dias, com um sorriso franco, sem pose, e uma serenidade apenas possíveis para quem sabe conviver com a solidão.

Publicado por Carlos em 12:47 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

agosto 30, 2003

Jornalismo de Investigação

Maria de Belém, Lurdes Pintassilgo e Murteira Nabo Têm Aqui Casas de Férias é o título. E, volto a dizer, os títulos são importantes. Este corresponde ao lado mais negro do (erradamente) chamado Jornalismo de Investigação.

No artigo referido, aproveitando o pretexto de uma reportagem sobre a Praia Grande, faz-se manipulação, que, se não tem objectivos políticos, então é de um descuido fenomenal. Senão vejamos.

Começa-se por apresentar nos dois primeiros parágrafos uma série de nomes directamente ligados ao poder socialista da era Guterres (5 ex-ministros, Murteira Nabo e M. L. Pintassilgo, que não anda longe) como tendo construído casa na zona. Quem leia, fica com ideia que, na época, apenas quem estivesse ligado ao governo poderia construir, já que não existindo PDM, o plano do parque Sintra-Cascais proibia.

Depois, no parágrafo seguinte, como quem não quer a coisa(?), ou seja, a propósito de um restaurante, deixa-se escapar que a autarquia era socialista. O leitor que some 2 + 2, que o "jornalista" não se quer meter nisso.

Falta de rigor, concerteza que os governantes socialistas não serão as únicas figuras públicas a ter construido casa naquele local... Insinuação, não se formula nenhuma acusação nem se referem factos comprovados, apenas uma suspeita vaga, mas grave, quando aplicada a politicos de topo. Tudo muito bem embrulhadinho a apelar à conversa de café: "cá está, isto é uma vergonha, são todos iguais...".

Não sei se houve violação de leis, não sei se houve corrupção, que a existir da forma que é insinuada, seria de uma estupidez atroz, significaria talvez o fim de carreiras politicas de gente importante, e uma crise descomunal no PS. O que sei é que, com este estilo de jornalismo, não vamos a lado nenhum na procura da verdade.

Publicado por Carlos em 06:39 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

The Age Of Self


They say the working class is dead, we're all consumers now
They say that we have moved ahead - we're all just people now
There's people doing 'frightfully well' there's others on the shelf
But never mind the second kind this is the age of self
They say we need new images to help our movement grow
They say that life is broader based as if we didn't know
While Martin J. and Robert M. play with printer's ink
The workers 'round the world still die for Rio Tinto Zine
And it seems to me if we forget
Our roots and where we stand
The movement will disintegrate
Like castles built on sand

Robert Wyatt - Old Rottenhatdedicado a jmf

Publicado por Carlos em 05:55 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

respostas

A minúscula no título não é engano, os títulos são importantes, é muitas vezes aquilo que fica, daí deverem ser pensados. Neste caso a minúscula representa o tom, sereno, que se pretende realçar deste post, para que ninguém diga que anda por aqui gente exaltada.

1. jmf (de novo as minúsculas são importantes.) diz não entender esta indignação. Que não percebe a diferença do blog face a outras notícias. Eu ajudo, citando alguém que ele compreende:
.E a quantidade de... ingénuos que cairam nesta?.
Mais uma vez não há engano, apenas não consigo fazer um link direccionado ao post, mas a citação é de há 5 dias num post chamado "Blogues aos molhos (com molho...)". O que interessa é o ponto 1, e está bem visto, sim senhor.

2. Responder de forma assertiva à ironia fácil e ao sarcasmo que nem sequer respeita as fontes, pode confundir-se com exaltação. Lamento. Acredito que, agora que jmf me conseguiu catalogar, através da compreensão profunda das minhas motivações, lhe seja muito mais fácil lidar com (ou ignorar) as minha insuficiências cognitivas. A dúvida que me fica é sobre a orientação politica do próprio jmf. Habituado que estava a vê-lo na bancada da esquerda, será que terei que reavaliar o seu posicionamento? Esta súbita necessidade de encaixar todos os que não concordam com ele num arquétipo equalizador e reconfortante, não será sintoma da horrenda .patologia direitista.?

Publicado por Carlos em 05:15 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Todos

Não partilho do optimismo de CAA do Mata-Mouros. Tem razão quando diz "Ainda bem que, desta vez, todos falam disto!", mas a maior parte deste "todos" não está minimamente preocupada com a discussão séria do tema. Para além dos interessados (arguidos, respectivos advogados, vítimas, Casa Pia), os quais estão obviamente interessados em fomentar o debate no sentido de aproveitar a onda mediática a seu favor, sinto que, com grande ajuda do mau jornalismo, a discussão se situa nos antípodas dos nobres objectivos afirmados por CAA nas suas intervenções. Do que "toda a gente fala", a pretexto so segredo de justiça, a pretexto da prisão preventiva, é da culpabilidade ou inocência das figuras envolvidas, da bondade de intenções ou não do Juiz, não do sistema.

Apesar de ter visto apenas o segundo debate na SIC, gostei, como não profissional da justiça que sou, do que vi. Posso entender que um profissional da área, como CAA, sinta que é pouco, que é redundante, mas é seguramente de excepção, discutir-se frontalmente aquilo que é suscitado por este caso, sem cair no erro que é falar apenas do caso. Quantas vezes na comunicação social (que deveria fazer mais vezes jus ao seu papel "social") se dá tempo de antena a um Juiz para a explicação serena da distinção importante que deve ser feita entre os "magistrados", o "ministério público", os "juízes"? Não é questão de somenos, a maior parte da população, embalada pela cantiga do costume do "eles são todos iguais", não faz esta destrinça. Só vê, de um lado, a polícia e os tribunais (metendo-se aqui dentro tudo, juízes, magistrados, etc), e do outro os arguidos e seus advogados. Como se fosse um filme de cow-boys.

Espero que CAA tenha razão, contributos como o dele, que vem dedicando posts exemplares sobre o tema, recusando a discussão da culpabilidade das pessoas concretas e todas as cabalas, são importantes. Pode ser que se venha a rever. Apenas me pareceu importante fazer esta apontamento, e espero por mais debates como o que vi ontem.

Publicado por Carlos em 02:26 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Seis

Ao 6º Post é inevitável, incontornável. Abram os Olhos. Coluna da direita sem dúvida.

Publicado por Carlos em 11:53 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

agosto 29, 2003

Luto

A mesma sociedade que elegeu a adolescência como a geração de ouro, elegeu o luto como o tabu supremo. Pela minha parte lamento que social e individualmente se ande a fingir que o luto é uma coisa ultrapassada. A fingir sim, porque ainda não se conhece cura para a morte, e tudo, mesmo tudo, o que existe, pessoal ou materialmente, tem um fim. Nada se pode construir de novo sem luto. O luto desempenha uma função fundamental na possibilidade de voltar à vida. Se não se faz o luto, o que nos abandona fisicamente nunca nos deixa a alma. E uma alma cheia, superlotada, não é mais viva que outra que se renova. Está, paradoxalmente, mais perto da morte.

Publicado por Carlos em 10:45 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Alternativa II

Antecipando-me à prometida resposta do Cristovão-de-Moura, ao post do Carimbo, gostava de, mais uma vez, ser destrutivo, isto porque continuo sem alternativa.

Não vejo qualquer vantagem em impedir o acesso ao voto a eleitores abstencionistas (por exemplo que não votem 2 vezes seguidas). Para quem não vota porque não quer votar nunca, o efeito é nulo. Ou seja, a sanção não tem qualquer efeito punitivo. Por outro lado, se um determinado eleitor não vota em dois actos eleitorais seguidos, ou porque não pode por razões que o ultrapassam, ou porque entende que nenhuma das opções merece o seu voto, qual a vantagem para o sistema de o obrigar a justificar isso para poder votar de novo? Das duas uma, se existir essa possibilidade (a justificação), será mais burocracia e mais uma probabilidade de um eleitor perdido, ou seja, contribui-se para o efeito contrário ao que se pretendia. Se uma medida destas fosse aplicada apareceria logo alguém a defender que o voto branco, ou uma opção do género "nenhuma das outras opções", substituisse a abstenção. Seria a única forma de evitar a necessidade da tal justificação do não voto. Provavelmente a opção do voto em branco passaria da actual insignificância para a maioria em muitas votações o que seria um grande sarilho. A legitimidade de uma votação em que o candidato mais votado tivesse menos votos que os votos em branco seria concerteza bastante comprometida. E todas as tais "análises totalmente ficcionistas e, portanto, demagógicas" de que o Carimbo se queixa (e com razão) sairiam reforçadas.

Publicado por Carlos em 09:17 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Sociedade

Confusão

Não entendo. O normalmente sucinto e lúcido Liberdade de Expressão deve ter sido tomado de assalto por outro. A propósito do debate sobre cidadania que o Mar Salgado lançou, existem participações valiosas de outros como Bloguitica Nacional, Foi um ar que se lhe deu e Cidadão Livre, pelo menos. Mas o post do Liberdade de Expressão é uma confusão a partir de uma premissa não explicada:

"Alguém no passado teve a ideia brilhante de retirar recursos e poderes aos cidadãos e de os concentrar numa única autoridade central, o estado;"

Será que se está a referir à Revolução Francesa? ou a 1917? Que se saiba, independentemente do que resultou daí, a suposta criação do estado não retirou poder aos cidadãos, retirou-o à aristrocracia que não tinha mandato nenhum de cidadãos. Se a afirmação se refere a qualquer período histórico anterior, então ainda percebo menos. Esta ideia dos cidadãos anteriormente nem era considerada. Seria a democracia Grega? Então e o que aconteceu depois? Não está lá.

Como não entendo o ponto de partida, nem o consigo situar históricamente, o resto do texto parece-me uma fábula. A história da civilização não é redutivel a meia dúzia de considerandos banais sobre o estado como se isso tivesse sido uma invenção de anteontem.

Publicado por Carlos em 06:57 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Sociedade

Flash Mob II

Não pretendo desinformar ninguém.

Afinal existe outro blog que se reclama organizador da "primeira flash mob em Portugal". Aparentemente não tem nada a ver com o já anteriormente citado... as datas são diferentes e não há referências cruzadas. Só um pequeno pormenor. Se, como é dito, a manifestação não tem conotações politicas por quê escolher a AR? É a "brincar"? Nem o meu gato é inocente nas brincadeiras...

Publicado por Carlos em 06:12 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

De novo??

O Terras do Nunca entusiasmou-se com um artigo do Washington Post e cita-o (não é bem uma citação, mas vá lá...), como se fosse alguma novidade:

"O sentimento de instabilidade na sociedade, o medo da morte, a intolerância face à ambiguidade, a necessidade de reclusâo, uma baixa complexidade cognitiva e um sentimento de ameaça são os factores que levam as pessoas a optarem politicamente pela direita.".

para depois concluir sarcasticamente:

"É claro, se não quiserem entrar no debate sobre Joni Mitchell, poderemos sempre discutir porque é que tantos blogues apresentam uma «baixa complexidade cognitiva». Ou porque é que outros revelam uma tão grande «intolerância face à ambiguidade». E porque haverá outros que não têm medo da morte.".

Nada disto é novidade, nem vale a pena colocar links (seriam tantos), esta questão já foi suficientemente discutida nos blogs portugas (e outros), e não há muito tempo.

Mais importante é a falta de rigor, o artigo do WP surgiu precisamente para desmistificar aproveitamentos destes. Leia-se bem o artigo, para além do primeiro parágrafo, e tirem-se quaisquer dúvidas.

E mais importante ainda, é a deturpação, habitual, de dados que se pretendem científicos, apresentados fora do contexto, a não profissionais. É antiga prática (jornalistica), e já devia ter desaparecido, usar estudos sobre o comportamento (sobretudo os fundamentados estatisticamente), que muitas vezes empregam palavras que no senso comum querem dizer uma coisa e no contexto cientifico outra (por exemplo neurose), para justificar esta ou aquela teoria. O que se afirma empiricamente, ganha assim outra "validade", e isso tem um nome: manipulação. Este senhor sabe do que falo.

"Thus our research is best understood as addressing the cognitive and motivational bases of conservatism (and liberalism) rather than the personalities of conservatives (and liberals)." (do artigo)

Isto foi o que o Terras do Nunca fez ao debruçar-se, jocosamente, sobre a "suposta" personalidade de alguns autores de blogs. Ou o título do post, "Direita/esquerda, uma patologia", que é exactamente o desmentido principal contido no artigo. E para o perceber nem era necessário ler mais que o título...

E depois há sempre a confusão (implicita neste caso) do costume, que é misturar orientações politicas (direita, esquerda, conservadorismo, liberalismo) com o grau de rigidez mental (para usar uma expressão simples). Já lá vai o tempo em que se podia simplesmente falar da direita e da esquerda nesses moldes. Não são as convicções politicas em si mesmas, é a forma como são apreendidas e utilizadas por cada um, o aspecto relevante. Há muitos conservadores (no sentido de maior rigidez) na (extrema) esquerda, e muito liberais na direita (não extrema). E os libertários, onde estão?

Quem é que, afinal, vê o mundo a preto e branco?

E o que é que a Joni Mitchell tem a ver com isto? As preferências musicais são indicativas? Eu gosto muito de Rickie Lee Jones, de Annete Peacock, de Suzanne Vega (e muito mais, mas não quero ser maçador). Será que isto me classifica politicamente?

Publicado por Carlos em 12:38 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 28, 2003

Flash Mobs em Portugal?

O fenómeno designado por "flash mob" vai-se desenvolvendo, também por cá. Para além da discreta referência no Público, a qual não atraiu muita atenção, existe agora um blog e uma mailing list aberta a inscrições, numa tentativa de organização de um evento em 4 de Outubro próximo.

Este senhor não acredita no sucesso lusitano deste empreendimento, fundamentalmente por razões culturais. A ver vamos, previsões sociológicas são arriscadas, embora a argumentação faça sentido. Diz também, e aqui estou perfeitamente de acordo, que com tantos anúncios, a manifestação não terá nada de flash.

Para além da curiosidade que a evolução do fenómeno me desperta, tenho simultaneamente perante ele uma posição crítica, a qual, receio, pode vir a ser menosprezada, ou criticada, por muita gente. Uma eventual difusão exponencial, nestes dias ainda de estado de graça do mundo novo comunicacional, pode ter efeitos nefastos. Já o tinha referido antes, e penso que o infame blog de que agora se fala (não há link, refiro-me ao post anterior a este), é uma manifestação da tolerância, e por vezes até aceitação, de atitudes de manipulação usando o anonimato e/ou uma capa de sociedade civil apolítica contra o poder. Não é diferente de coisas como o Fórum Social, por exemplo. A sua interpretação pelo público, tendencialmente mais acrítica, porque mascarada pela capa da .tecnologia livre., é que pode sê-lo.

No Brasil, onde já aconteceram flash mobs, e a discussão vai mais adiantada, notam-se aliás os primeiros sinais de politização. Neste blog, organizador de eventos destes, vota-se e discute-se, se se deve evoluir para manifestações com utilidade. Os dados são esclarecedores, neste momento 45,6% dos votantes já concorda com a flash mob "útil". Aliás já aconteceram. Não é difícil antever onde é que isto pode ir parar. Veja-se como "a malta revoltada do costume" já teoriza sobre o tema.

Claro que já existe quem ataque puerilmente, e quem se aproveite da ingenuidade de forma óbvia e criminosa. Mas estes são aspectos completamente secundários, que aliás ajudam a dar força à ideia errada, mas que se vai disseminando, que defende a "pureza" ideológica, por detrás do fenómeno.

Publicado por Carlos em 06:08 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Cobardia

Hesitei nos últimos dias sobre qual a atitude a tomar perante o desgraçado, e criminoso, blog criado para lançar a confusão e calúnia sobre o processo Casa Pia, valendo-se para tal do anonimato. Percebi hoje, ao ler os posts de Jornalismo e Comunicação e Pacheco Pereira, que a minha hesitação mais não foi que cobardia. Se estes posts não tivessem surgido provavelemente não estaria agora a fazer este. Lamento. E bem haja, para eles.

Uma das desculpas para a hesitação foi a necessidade de reflexão motivada pelo reconhecimento nesta coisa abjecta, da pior das perversidades que este meio (novas formas de comunicação a partir das novas tecnologias) pode encerrar. O anonimato é legitimo, mas não deve ser descurado o perigo de, por via do estado de graça de que todo este fenómeno beneficia, se ultrapassem fronteiras não admitidas em outras instâncias como se nada fosse, levando muita gente bem intencionada a colaborar involutáriamente em manobras que são tudo menos inocentes. Já tinha falado disto, noutro contexto, e brevemente voltarei à carga.

Começa-se pela inocência, toda a gente acha graça, depois é a sério.

Como é evidente não há link. Infelizmente não tem sido a regra seguida por aqui.

Publicado por Carlos em 12:41 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

agosto 27, 2003

Alpha

Noutros tempos existiu uma banda, nas margens de um movimento já de si marginal. Chamava-se The Wake. Hoje, tempo de esboroamento de fronteiras (Bent, Goldfrapp, ...), há quem respire devagarinho (de novo) por entre as estrelas...

Double View

no you can.t change my mind
let.s go ahead and catch the tide
it.s out now. don.t doubt that I.ll apply
i paid up. i.m ready to ride
wonderful views from here
we.re breathing. we.re breathing
we.re breathing

Alpha - Stargazing

Publicado por Carlos em 09:20 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

Vista aérea de Ponte de Sôr

Assim mesmo. Um ilustre visitante que "Gloogava" (sim, tenho indormação segura que este verbo existe) isto, achou que por aqui ia lá. Não deve voltar...

Publicado por Carlos em 08:48 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos

Vida

Este post era para ser (mais um) sobre o tema do momento, o abandono de algumas figuras gradas da blogosfera. Depois pensei melhor, decidi manter o título, e em vez dos que se vão, interessa(me) falar de quem chega. Ora aqui está um caso de amor à primeira leitura. Bem vindo!

Sobre os que se vão, recordo os tão elogiados artigos do Abrupto e Aviz sobre a vitalidade da blogosfera... a vida também se faz de morte

Publicado por Carlos em 03:07 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Conversa

Eduardo Dâmaso publica hoje no Público um artigo com o título .Gato Escondido.., no qual se associa aos protestos corporativos ontem conhecidos, a propósito da intenção do Governo de legislar no sentido de aplicar penas de prisão a empresários que pratiquem Lay-Off ilegal.

À pergunta .que quer afinal o governo?., é dada uma resposta ..institucionalização pura e simples do fecho de empresas por mera comunicação dentro do prazo... O que é interessante é a linha de argumentação usada para sustentar esta tese. A obrigatoriedade de apresentação de garantias bancárias como forma de salvaguarda das remunerações, vai ter um efeito contraproducente relativamente ao seu objectivo, afirma ED. E explica. Em virtude da não existência de património em nome da empresa, ou da fuga dos empresários prevaricadores, a lei que visa criminalizar algo até hoje omisso, não vai ser bem sucedida, porque depende da intervenção da Policia Judiciária, e dos Tribunais. Para uma, ED limita-se a colocar umas aspas, ou seja, está implícito o seu não funcionamento. Para os outros usa-se o chavão da ..prática corrente dos nossos tribunais. Não deve haver um único caso de aplicação de uma pena de prisão efectiva em crimes com uma moldura penal inferior a três anos...

Mais uma vez, se critica a intenção legislativa na base da demagogia que é a constante afirmação do não funcionamento das instituições. E assim se diz mal, sem apresentar alternativas. A conclusão do artigo é lamentável: .Para lá de não poder ser levada a sério em termos práticos, também não assusta ninguém. Muito menos os supostos empresários que não estão habituados a respeitar qualquer lei nem se incomodam muito com este tipo de ameaças de prisão..... Então, se os empresários são .supostos., é mesmo bom que as suas .supostas empresas. encerrem, para que as verdadeiras possam trabalhar. Se não se incomodam com .este tipo de ameças de prisão., ou seja as que constam de uma (futura) lei da República Portuguesa, de que tipo deveriam ser as ameaças?

Publicado por Carlos em 12:06 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Acreditar

Todos aqueles que resistem, acreditando naquilo que fazem, ou amam, não estão perdidos. E nós, através deles, encontramo-nos.

Publicado por Carlos em 01:04 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

agosto 26, 2003

Monarquia

Aceitando o desafio do Mata-Mouros deixo um pensamento sobre o papel do Presidente da República.

Nos últimos anos, após a inexistência política durante o tempo da outra senhora, e um excesso de intervenção na era pós-prec, os PR têm sabido estimular a apetência da população para o reconhecimento da sua figura como o "Pai da Nação". A prová-lo está a re-eleição, sem surpresa, de todos os PR, após os primeiros mandatos. Este aspecto tem sido sempre temperado com algumas pitadas de intervenção, quase sempre também numa toada paternalista. Neste sentido o nosso Presidente, apesar de ser da República, facilmente se poderia transmudar em qualquer monarca contemporâneo. Não o afirmo no sentido de criticar, apenas como observação de um interessante paradoxo. Seria interessante saber a opinião de Paulo Varela Gomes a este respeito...

Publicado por Carlos em 10:38 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Blues for D.H.

Continuando em tom herético, recomendo a mais recente aquisição na loja do povo.


Não dou música... o compromisso técnico obrigava a uma redução substancial da qualidade, e isso não se faz aos mestres.

Publicado por Carlos em 06:09 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

Corporações

Os gestores que encerrem empresas à margem da lei podem vir a ser punidos com uma pena até dois anos de prisão.

"O que era necessário era que o país se desenvolvesse, para que houvesse trabalho, para as empresas poderem admitir e conservar os seus trabalhadores."
comentário de Ludgero Marques - AIP

"Aí é exigida reformulação, para impedir o fecho de empresas e não legalizar uma prática que é condenável e a negação do direito ao trabalho, com empresas que fecham sem cumprir requisitos legais, nomeadamente o recurso ao despedimento colectivo ou à falência."
comentário de João Proença - UGT

Como habitual estes senhores estão de acordo. O objectivo do legislador deve ser criar, manter e impedir o fecho de empresas. Ou seja, tudo funcionaria melhor se os empresários e sindicalistas legislassem e por sua vez o governo e assembleia fossem para as empresas.

Publicado por Carlos em 02:24 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 25, 2003

FNAC

O Alfacinha confessa publicamente frequentar essencialmente a FNAC do Cascais Shopping, menos a do Colombo, e quase nunca a do Chiado. Mais grave que esta heresia é o motivo: música, fundamentalmente. Calculo que, nestas condições, nunca serei membro de pleno direito da blogosfera.

Publicado por Carlos em 09:10 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos , Blogs

Inveja

"É também um pouco a fantasia megalómana por excelência, da pessoa que se alimenta a si própria, da pessoa afectiva, relacional, socialmente não autónoma, mas arrogantemente só. Isto não é a capacidade de estar só, é precisamente o contrário. E é exactamente o contrário porque feita à custa da negação da dependência. (...) Só na capacidade de dependência é que se pode aceitar o amor. Porque se o indivíduo não aceita depender, não pode amar. Porque amar é depender!"

- Do you know who I am?
- That makes no difference; all men are equal in God's eyes.
- Are They?!

"Quando há incapacidade de tolerar a dependência inicial, quando há permanência da inveja primitiva, destrói-se a capacidade de gratidão. Ora, é através da capacidade de gratidão que se descobre a capacidade de amar e que se pode organizar qualquer relação humana. Por exemplo Salieri não se pode sentir grato a Mozart por compor coisas tão bonitas. Ele quer destrui-lo porque não pode suportar a gratidão, a beleza interna que é estar grato, e o impacto estético do objecto de gratidão."
All I ever wanted was to sing to God. He gave me that longing. And then make me mute. Why? Tell me that.
If he didn't want to me to praise Him with music. why implant the desire, like a lust in my body? And then deny me the talent?

"Há outro tipo de problema que é o dos Salieris que controlam a vida social. É por exemplo, a prudência obsessiva, o termos de pensar até cem antes de falar, o termos todo o cuidado com o outro, todo o tipo de discurso que se faz contra as partes de Mozart que existem em cada um de nós e que se viabilizam no primado da confiança. É o que se designa por mediocracia paranóide instalada."
Mediocrities everywhere.
I absolve you. I absolve you all.

"A força destruidora da inveja", in Carlos Amaral Dias e João Sousa Monteiro, Eu já posso imaginar que faço, Lisboa: Assírio & Alvim, 1989

F.Murray Abraham in "Amadeus", Milos Forman, 1984

Publicado por Carlos em 08:23 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Cinema , Citações , Psi

Tem de ser

Correndo o risco de ser (mais uma vez) acusado de falta de espirito crítico, não posso deixar de fazer (mais uma vez) de caixa de eco dos meus heróis do momento, a malta do Mar Salgado, os quais (mais uma vez) me faltaram ao respeito antecipando-se a 2 posts que o Alfacinha tinha pensado para hoje.

Enfim, só me resta corrigir a falta grave dos links para o Mar Salgado e Cristovão-de-Moura na coluna da direita, e reiterar o apelo de NMP, a discussão em causa é da ordem da inteligência, de parte a parte, e isso, é sempre um prazer e uma descoberta.

Publicado por Carlos em 01:01 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Alternativa

Não tenho. Confesso. Pensei, e pensei, mas não encontrei. Isso não quer dizer nada, é apenas reflexo das minhas insuficiências em erudição e pensamento histórico. Mas reconheço o problema. A sociedade humanista poderá ser um beco sem saída. O diagnóstico da aceleração da era da demagogia parece ter correspondência na realidade.

A possibilidade de repor a elite bem pensante no poder, talvez possa ser operada por via de um qualquer terrorismo bem organizado. Mas tenho sérias dúvidas que tal seja viável. Seria qualquer coisa como pensarmos que os iluminados (deste e de outros tempos) teriam feito uma experiência com o povo. A democracia à consignação. Perante o insucesso voltamos à fórmula antiga. O problema é que o povo na sociedade demagógica, pode não votar, nem ler, mas há sempre alguém que traduz Platão para uma linguagem pop.

Contestar o .fim da história. não é repescar o penúltimo capítulo.

Publicado por Carlos em 12:13 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

agosto 23, 2003

Cajadada

Uma é suficiente.

Começo pelo mais importante, que é dar o meu contributo à Charlotte, com uma sublime letra de uma estival cançoneta:

"Bam me la, Bam me paia pa, Bam me la, Bam me paia."

(isto foi o que consegui apanhar, não sou grande coisa com a lingua francófona, lamento...)

Aproveito para recomendar a artista, dá pelo nome de Isabelle Antena, já andou por aqui, muito bem acompanhada, e agora dizem que vai para aqui, onde também não destoa no ramalhete.

Publicado por Carlos em 06:22 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs , Música

Sal

Um pouco de sal faz sempre bem. Sobretudo depois de tanto exagero no açucar. E não é disparate nenhum, o post com o mesmo nome.

Publicado por Carlos em 05:15 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Não, não e não

Não é verdade que se dialogue com o terrorismo. Primeiro exige-se aos terroristas que deixem de o ser. Depois dialoga-se. Foi assim na Irlanda do norte, é assim em Espanha, tem sido assim, quando ele deixa, com Arafat.

Não é verdade (pela enésima vez) que o dirigente terrorista morto seja moderado. JPP já explicou porquê com muita clareza.

Não é o grau de penetração do Hamas na sociedade Palestiniana que lhe confere legitimidade. Significa mais perigo, isso sim. O partido Nazi na sociedade Alemã acabou a governar todo o País. Aproveitando a legitimidade democrática da época para se afirmar. Não ficou conhecido pela capacidade de diálogo. E muitos dos que tentaram esse diálogo não ficaram vivos para contar a história.

Claro que podemos sempre rebuscar no passado para sustentar qualquer linha de argumentação. Seja para responsabilizar a politica de Sharon pelo incêndio de agora, seja para tentar justificar qualquer terrorrismo actual a partir de provocações anteriores. Mas em algum momento do tempo se tem de parar, e começar de novo. O Roteiro oferece, mais uma vez, essa oportunidade. Nesta fase, Sharon e Mazen, parece entenderem isso. Se assim não fosse, a resposta de Israel não seriam os mísseis contra um terrorista, seria o olho por olho, dente por dente, concretizado em ataques à população civil.

E mantenho a afirmação de que o exercito de Israel desenvolve uma guerra justa contra um inimigo. Esse inimigo não é a população civil Palestiniana. São os terroristas. Esses são os militares alvo. Mais uma vez repito: é essa separação que é necessário fazer, os terroristas não são a população civil. Não subscrevo essa ideia de que "a guerra tem de ter 2 lados", como se só assim fosse justificavel a legitima defesa. Se um grupo de pessoas, seja quem for, ataca outro com bombas, só porque não seguiu as convenções da guerra tradicional, já não é possível ao primeiro grupo o direito à legitima defesa? Isso é que me parece uma lógica perversa.

Publicado por Carlos em 02:16 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 22, 2003

Reacção

Paulo Varela Gomes propõe alternativas ao sistema de sufrágio universal. A leitura deste texto motivou-me um profundo reaccionarismo. O exercício académico de ataque à democracia, quando perpetrado de forma inteligente, como é o caso, atingi-me sempre de forma mais emocional que racional. O meu ser adulto não se revê na tradição jacobina, mas um ser mais inconsciente dentro de mim, revolta-se de cada vez que alguém ataca os fundamentos laicos e republicanos da nossa democracia ocidental.

A primeira alternativa proposta por PVG seria uma delegação de poder nas universidades, no sentido de estas escolherem quem seria eleitor e quem não teria tal direito. Infelizmente não se enunciam critérios para tais juízos, apenas se compara a função ao exercício do poder judicial. Comparação indevida. A sociedade dos 3 poderes confere ao poder judicial a função de administrar a justiça, não a sua definição. Confiar às universidades a definição de critérios de qualificação para se ser, ou não, membro da elite que elegeria quem governa, significaria na prática a entrega de todo o poder na instituição universitária.

Uma versão mais soft, na óptica de PVG, seria um sistema, pouco original, de eleitores especiais, mais uma vez recorrendo a um critério de .mais instruídos que o povo., os quais elegeriam então câmaras, e estas o governo. Tudo para se conseguir o objectivo central, a eliminação da influência dos partidos políticos. PVG é explicito neste ponto: .os alinhamentos são tanto mais imprevisíveis quanto mais gente existir com poder real, e não apenas com poder de voto... Imagine-se a confusão que seria a governação, constantemente disputada por múltiplos interesses corporativos, sem a mediação ideológica que a moldura partidária fornece.

Entre um regresso a uma qualquer oligarquia e o desvario libertário que abomina a democracia representativa, prefiro definitivamente Churchil.

Publicado por Carlos em 11:36 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Europa

Se a Europa quiser de facto ser a vanguarda civilizacional de que se auto-rotula, deve urgentemente encarar a questão do terrorismo de frente. Este olhar para o lado, fingir que não é nada connosco é o maior dos perigos. Quando as bombas (ou seja lá o que vier por aí) começarem a explodir nos centros do politicamente correcto, o mais certo é assistirmos a uma indignação tão grande quanto a surpresa. O estado de choque não é bom conselheiro. Corremos o risco de nos tornarmos o mais bárbaro dos carrascos, e então de nada valerá qualquer discurso.

As lições da década de 30 não foram aprendidas por alguns e já foram esquecidas por outros. É inquietante perceber na actual atitude de muita gente face ao terrorismo, a mesma falta de vontade de enfrentar, o mesmo incómodo, que existia nas democracias face à ascensão nazi. Os bem pensantes da época não acreditavam que o mal os pudesse atingir. Tal atitude permitiu o crescimento do polvo, a sua forte implantação em alguns países e a indiferença perante a invasão de outros.

Os terrorismos europeus estão em decadência. Isto dá-nos uma falsa sensação de segurança e permite os equívocos de que falei no post anterior. Estará implícito no pensamento de muita gente que o actual estado de ascendente sobre os .nossos. movimentos terroristas radica na superioridade moral concedida pelas virtudes do diálogo, compreensão, moderação. Nada mais falso. A .segurança. europeia resulta essencialmente da existência de um País como os EUA.

É urgente separar as águas. Não podemos continuar a discutir como se os terroristas fossem partidos políticos ou movimentos sociais com direito à existência. O terrorismo só pode ser combatido, nunca tolerado. Esse combate começa no seu isolamento ideológico, na recusa de armadilhas justificativas. O inimigo principal do terrorismo não é o imperialismo militar, nem o poder económico. Somos nós, os tais moderados.

Publicado por Carlos em 02:38 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Compreensão II

O Terras do Nunca insiste em alguns equívocos que são constantes no debate sobre o médio-oriente, e sobre o terrorismo em geral.

Quando se perspectiva a acção militar do estado de Israel como uma guerra, o sentido é esse mesmo. É um estado, com dirigentes democraticamente eleitos que, em nome da população, desenvolve acções militares. Estas acções, pela informação que nos chega, e apesar de muito ruído, são dirigidas contra quem ameaça as populações civis e/ou a integridade do estado. Nestas condições é legitimo falar-se dos Israelitas. Não vejo onde está o terrorismo nas referidas acções. Os civis de Jenin ou de Ramalat são vitimas, não o alvo. Vitimas pela proximidade (intencional ou não) a elementos terroristas, esses sim o alvo militar.

Já não me parece legitimo colocar do outro lado os Palestinianos. Do outro lado desta guerra estão as organizações terroristas, o Hamas, a Jihad. Estas organizações, independentemente do seu nível de popularidade, não são representantes de nenhum estado. Não respeitam nenhuma das regras, internacionalmente convencionadas, que conferem a legitimidade para desenvolver acções militares. Aliás, não desenvolvem acções militares. As acções militares visam primariamente alvos militares, não alvos civis. Recuso a mistura dos terroristas com os legitimos representantes da população Palestiniana. Abu Mazen é moderado. Arafat tem muita dificuldade em enterrar o seu passado terrorista. Dificilmente pode portanto ser moderado.

Alguém toma a ETA por legitima representante da população Basca? Porque é que não nos referimos aos Etarras como "Bascos" (no sentido em que se fala dos Palestinianos)? Não está Espanha em guerra com a ETA? Ninguém se levanta para condenar um ataque do Governo Espanhol a terroristas da ETA. Esses ataques, acções militares, são semelhantes ao que Israel faz. Mas não nos referimos a eles como "terrorismo de estado". Claro que há diferenças. Mas o fundo da questão é o mesmo.

Com o terrorismo não se dialoga. O terrorismo é, em si mesmo, a recusa do diálogo. Esta afirmação desmonta-se a si mesma: "Há quem não consiga entender que, entre os radicais palestinianos, haja moderados.". Se são radicais, não são moderados. Se fossem moderados dialogavam, não eram radicais. Não há memória de diálogo com organizações terroristas. É fácil entender porquê. Os terroristas bombardeiam, literalmente, o diálogo. Fizeram-no em Jerusalém, ao rebentar com o Roteiro, fizeram-no em Bagdad ao rebentar com uma conferência de imprensa na sede do diálogo mundial, a ONU.

É violento sim. Despejar 5 mísseis para matar um terrorista é violento. Mas não me digam que tem alguma semelhança com um ataque suicida contra um autocarro cheio de crianças. É insultar a sua memória. Mesmo se dito serenamente.

Quanto mais se fala nos Palestinianos a propósito do Hamas, ou nos Iraquianos a propósito das acções das milicias Fedahin, ou na classificação da acção militar Israelita como "terrorismo de estado", mais força se dá ao terrorismo. Objectivamente.

Publicado por Carlos em 12:59 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Compreensão

O Terras do Nunca pede ajuda para a compreensão da retaliação de Israel, após o atentado de Jerusalém. O Paí­s Relativo procura o "outro lado" do terrorismo. O Cruzes Canhoto apercebeu-se finalmente do atentado contra o autocarro num post que começa com "A TRÉGUA ISRAELO-PALESTINIANA ACABOU após o assassínio de um dirigente do Hamas." terminando também com uma interrogação sobre os intuitos Israelitas.

O Hamas é um bando de terroristas. Ponto.
Qualquer dirigente ou activista do Hamas é um terrorista. Ponto.
A palavra moderação aplicada a esta gente é um insulto a todos os que morrem nos atentados. Ponto.

O autocarro de Jerusalém não transportava nem militares, nem terroristas, nem moderados, simplesmente crianças. Ponto.

O atentado contra o autocarro compromete sériamente o Roteiro. Ponto.
Os mísseis contra um dirigente terrorista, na sequência de um acto hediondo, não são terrorismo. São um acto de guerra. Ponto.

Qual é a parte que falta compreender?

Publicado por Carlos em 01:41 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Havia uma luz num destes dias


Havia uma luz num destes dias
Passados mas presentes no silêncio
Das imagens repetidas no cinzento
Que cobre com a morte até os rios
Onde navega sempre o pensamento

Uma luz que só o sol escurecia
A cobrir a noite e o nevoeiro
Uma imagem talvez... aí esculpida
Pelas raízes que eram outras mãos
A derramar palavras pela vida

Luís Araújo - Na Margem do Silêncio (não publicado)

Publicado por Carlos em 12:58 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

agosto 20, 2003

Mais nada

dias assim, não vale a pena, nem sei, nem é necessário, dizer mais nada.

Publicado por Carlos em 08:58 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Luto

Já aqui escrevi sobre o luto. Hoje, não me apetece.

Podem fazer-se muitas análises complexas, debates e tudo o que quiserem. Mas se alguma coisa é indesmentível no significado comum dos atentados de ontem é a identificação do alvo da barbárie. O alvo é, claramente, a civilização plural, a democracia. Seja na pessoa de representantes de instituições supra-nacionais, seja na pessoa dos inocentes da cidade que devia ser de todos. Nem uns, nem outros, são menores nessa representação. Merecem o nosso luto, mas sobretudo a nossa luta.

O inimigo não é a Casa Branca. Quantos mais terão que morrer até se entender isto?

Se a Torre Eiffel, ou o Arco do Triunfo fossem destruídos seria mais claro?

Há quem continue a olhar para o lado, dizendo "isto não é comigo". Talvez receba um dia destes uma carta com um esclarecimento.

Publicado por Carlos em 12:30 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

agosto 19, 2003

Acordaram

Ana Gomes, Mário Soares, e todos os outros que agora acordam para o terrorismo com emoção e indignação por perceberem, finalmente, contra quem são os atentados, merecem todo o meu desprezo.

Desprezo proporcional ao desprezo que merecem, a eles, as vítimas em Jerusálem, vítimas de um terrorismo "justificado", que não lhes suscita a mesma emoção, nem sequer uma palavra. Desprezo proporcional à falta de vergonha presente na quantidade de palavras arremessadas nesta hora contra os Americanos, quase chegando a responsabilizá-los pelos actos hediondos hoje cometidos. Desprezo pelo júbilo, mal disfarçado, perante a perspectiva de fracasso do Roteiro.

Pelo menos o Desesperada Esperança, o Aviz, o Mata-Mouros, o Jaquinzinhos, o Homem-a-Dias, o Mar Salgado, já disseram isto antes de mim (e muito mais). Associo-me, em pleno, ao que está publicado por lá.

Publicado por Carlos em 11:39 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Carris V

Assim, não vamos lá.

obrigado ao Rui pela pista

Publicado por Carlos em 04:44 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Anarquia

Os libertários sonham com o regresso a um estado anárquico das coisas, sem poder, sem hierarquia. Regresso, sim, não me enganei. A utopia é, paradoxalmente, a vontade do regresso ao passado mais antigo. Que nunca existiu.

A hierarquia é inerente à condição animal e, por inerência, à condição humana. Este micro-cosmos é da ordem do humano, não escapará a essa regra. Todo o estado de graça contem, em si mesmo, a desgraça anunciada.

Publicado por Carlos em 04:23 PM , Comentários (2) , TrackBack Secções Blogs

3 Dias

Não é muito, mas suficiente. O afastamento ajuda sempre a perspectivar melhor aquilo que se vive.

Quando me fui, o Paulo Querido tinha acabado de publicar um texto sobre blogs no Expresso. Apesar de compacto e omitindo, propositadamente, a história mais recente, é talvez o primeiro artigo sobre o tema que fornece informação contextualizada, para além da importância dos nomes de bloggers, corrigindo alguns equívocos.

Assim que voltei, passei os olhos pelos blogs do costume (a famosa blogosfera) na expectativa de encontrar múltiplos comentários e discussões sobre o texto. Tal tem sido o hábito nos últimos meses com cada referência que surge na imprensa, a ser de imediato criticada, defendida e opinada por parte dos blogs (citados ou não nos artigos). Alguma admiração senti perante a quase total ausência de reacção. A excepção encontrei-a num blog que aprendi a respeitar pela lucidez e sobriedade dos seus incisivos posts. A Liberdade de Expressão passa, a partir de hoje, a figurar na coluna do lado direito. Já lá devia estar.

Não penso ser inocente, nem pouco importante, esta passagem ao lado. Não pretendo, de forma alguma, envolver-me na discussão sobre a paternidade (ou maternidade) da blogosfera. Mas penso que o entusiasmo que tantos artigos na imprensa sobre a blogosfera suscitaram, a par com a frieza com que este texto é agora recebido, diz qualquer coisa sobre quem se pronuncia. Ou o contrário. Não se leia aqui ataque e defesa, nem a uns nem a outros, é apenas uma tentativa de meta-blogging, afinal também tenho direito.

Tenho alguma resistência a considerar que o fenómeno dos últimos meses, ou seja, a entrada no meio de uma certa elite de opinião e consequente criação de uma comunidade mais ou menos bem delimitada, possua a importância, do ponto de vista quantitativo, que por aqui muitas vezes lhe damos. Actualmente existe em Portugal mais de um milhar de blogs. Por outro lado os principais leitores de blogs são os próprios bloggers. Mesmo os blogs mais concorridos, à excepção de 2 ou 3, não são visitados diariamente por mais que escassas centenas de leitores. Considerando todos estes dados, tenho sérias dúvidas que o fenómeno tenha expressão significativa, para além da própria comunidade.

O que é novo nos últimos meses é a composição da própria comunidade, e Paulo Querido aqui tocou na ferida. Pela não referência. Os artigos na imprensa traduzem o envolvimento pessoal (ou a vontade de se envolver) dos colunistas, ou seja, da comunicação social. Esta comunicação social não se apercebeu de nenhum fenómeno anterior às discussões políticas Infames/Esquerda, não porque não existissem blogs já em actividade, nem pela quantidade de page views que estes poderiam ter. Simplesmente essa comunidade (ou conjunto de pequenas comunidades) existia, e existe, a partir de um outro fenómeno mais antigo: a Internet. Ao contrário a nova geração de bloggers utiliza o meio. Se procurarmos um fio condutor nos blogs .históricos., encontramos quase sempre algo que relaciona o blogger com tecnologia, com informática. O blog surge, em muitos casos, como mais uma forma de partilha de experiências de e para uma comunidade relativamente especifica, que cresceu com a própria Internet, que se conhece das escolas e universidades técnicas.

Em contrapartida, a maior parte dos bloggers oriundos do mundo dos media (ou aparentados), se bem que atentos à tecnologia, às suas potencialidades, não passam a vida a discuti-la. Interessam-se por temas das ciências sociais, pela politica, pelas artes. Nos blogs mais novos não há muita preocupação com os aspectos técnicos subjacentes, nem se tira partido de toda a potencialidade do meio. A maior parte dos .novos. concentra-se no conteúdo (o que não é garantia de qualidade do mesmo, nem o contrário), relegando o instrumento de publicação para segundo plano. Compreende-se , não é essa a sua vida. Também se compreende que, sendo essa a vida de muitos dos bloggers mais antigos (é por isso que são bloggers) lhes cause repugnância tal atitude.

Não creio que seja uma questão geracional, nem pretendo fazer aqui sociologia de pacotilha, sobretudo porque isto são observações limitadas pela minha lupa pessoal, sem qualquer critério cientifico a sustentá-las. Mas a simplificação que proponho penso que distingue, a traço grosso, a realidade desta blogosfera (à qual pertenço), da outra.

O ponto fundamental que pretendo frisar é a pouca comunicação entre os dois mundos. Personagens de fronteira, como o Paulo Querido por exemplo, são poucos. Ele tenta fazer a ponte, mas de facto os dois mundos co-existem sem muita inter-penetração, não há muita comunicação. São línguas diferentes. Um bom exemplo deste diálogo de surdos é a caixa de comentários associada ao post do próprio Paulo Querido sobre o seu artigo no Expresso.

Claro que tudo isto tem um preço. O desinteresse dos actuais colunistas pela história e experiências dos que andam cá há mais tempo, andamos todos aqui feitos colonizadores de um mundo novo, ignorando os indígenas que já cá estavam, faz com que muitas vezes se cometam erros já ultrapassados por outros. Da mesma forma o sentimento de invasão e injustiça que muitos dos antigos sentem não ajuda à partilha. Afinal o mundo informático, hoje como ontem, não é conhecido pela capacidade de insight e comunicação com o exterior. Sei bem do que falo. Pertenço a esse mundo.

tentativa de utilização do TrackBack... vamos lá a ver se funciona

Publicado por Carlos em 03:03 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

agosto 16, 2003

Até Já

Há por aí algumas indignações. Dizem que falamos do que não interessa. Aqui o Alfacinha vai dar uma volta pelo País profundo, onde a internet escasseia, não tendo o director desta tasca essas modernices que permitem blogar de qualquer lado. Tenho a certeza que ficam muito bem entregues agora que os bons começam a voltar.

Com esta conversa parece que aquilo que aqui se escreve é terrivelmente importante e que vou ficar um mês fora. Não é verdade, nem uma coisa, nem outra.

Publicado por Carlos em 12:13 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos , Blogs

Maresia II

A propósito do tal estudo, uma frase do Muro Sem Vergonha:

"...apenas de um possível modo de funcionamento de psiques que resistem à mudança e sonham sempre com regressos a passados idealizados."

Esta definição encaixa que nem uma luva no radicalismo ecológico, em todos os Louçãs, nos descendentes de Álvaro Cunhal, na grande maioria dos libertários...

Todos conhecidos conservadores. De direita.

Publicado por Carlos em 01:19 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Psi

Maresia

Quando for grande quero ser capaz de escrever assim ("Psicólogos" por FNV, ontem).

Publicado por Carlos em 12:55 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política , Psi

agosto 15, 2003

Homenagem

À Catalunha pelos dedos de um grande, grande guitarrista.

Publicado por Carlos em 06:29 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

Esclarecimento

Tenho um defeito, que me esforço por contrariar, nem sempre com sucesso. Uma tendência para ser demasiado sintético, não explicar devidamente o que quero dizer com determinada expressão. Por aqui acontece-me muito, é complicado para alguém como eu, não profissional da escrita, encontrar o balanço certo entre o desejo de não enfastiar o leitor e a necessidade de fundamentação que qualquer afrmação carece.

Vem isto a propósito de um lamentável mal entendido com o Carimbo. Diz ANS:

"Para o Alfacinha, o comportamento insuportável de PP justifica as afirmações (paternalistas?) de Mário Soares e conduzirá certamente a grandes dificuldades na implementação das medidas reformistas do actual governo."

Nunca me passou pela cabeça, mas compreendo que da forma como construí o texto tal se pudesse depreender, defender ou justificar o comportamento lamentável de Mário Soares. Precisamente o contrário. O meu "paternalista" é apenas a constatação da "velhice" do senhor que se arma em "pai" da democracia. O que lamento, e muito, é que a presença de PP no governo dê cada vez mais armas ao inimigo. Compreendo as razões de estado que levaram o PSD a aceitar a presença "deste" PP no governo, mas também vejo que, apenas a manifesta incompetência politica da oposição, mais preocupada com cabalas ficticias que com o País, permite que, de todas as vezes que o senhor PP mete a pata na poça (e basta ele respirar para isso acontecer), não seja ainda "desta vez que é".

Para terminar, uma nota, desta vez para evitar equivocos futuros. Como já disso compreendo as razões de estado, mas não gosto de ver uma época de reformas ficar associada a Paulo Portas e companhia. A companhia aqui não é o CDS-PP que tem muito boa gente. Algum PSD faz aliás parte desta companhia. Continuo a achar que se trata de um equívoco. Poderá ter, espero que não, um preço a pagar mais à frente. Pela minha parte não me revejo, antes pelo contrário, neste populismo. Infelizmente a época não é de clarificações e isso tenho de aceitar. Pelas mesmas razões, espero não ser confrontado daqui a algum tempo com a escolha entre o republicanismo bacoco de Soares e o populismo sedutor de Santana. Sinceramente acho que Portugal merece melhor.

Publicado por Carlos em 02:30 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Positivismo

A propósito da (justa e louvável) emoção de Costa Alves pelo aumento de mortes nesta época, e das primeiras manifestações de alguma perplexidade perante a extensão do "apagão" norte-americano (daqui vai um abraço de boas-vindas ao autor do novo blog), ocorreu-me, como de outras vezes, um pensamento, que não tendo nada de novo ou original, é revelador de como a nossa sociedade vive a ciência.

O positivismo continua a marcar profundamente, se não pelos métodos ou declarações mais explícitas, pelo menos pela via da recusa da nossa não-omnipotência, enquanto seres humanos. O edificio cientifico, que hoje em dia sustenta a sociedade moderna, é em grande medida descendente do espirito positivista, ambicionando a utopia do controle absoluto do homem sobre a natureza. O próprio discurso ecologista, nas suas formas mais radicais, ao pretender o "desenvolvimento sustentado", está imbuído do mesmo espírito de controle absoluto.

O que sentimos, e eu não me excluo, sou também descendente desta linhagem, quando ouvimos falar de tantos mortos em França por via "apenas" de um calor excessivo? O que sentimos quando vemos cidades como NY, e outros potentados de tecnologia, completamente desamparadas? Sentimos perplexidade (ou emoção como Costa Alves), por vermos que, em pleno Séc. XXI, perante situações extremas, de pouco nos vale a ciência médica mais avançada, ou qualquer sistema complexo de distribuição de energia.

Publicado por Carlos em 02:04 PM , Comentários (1) , TrackBack Secções Sociedade

TSF. Que posso eu fazer?

Correspondendo à "chamada geral" do Bruno de avatares de um desejo, que sáudo apesar da discordância de métodos, aqui vai mais um post sobre a TSF, reiterando e acrescentado mais qualquer coisa ao que já disse sobre o assunto. A melhor forma de o fazer neste momento é a reprodução do mail de resposta às perguntas colocadas pelo Bruno no mail que enviou a diversos blogs. Aqui vai:

Caros Companheiros,

Eu faço parte daqueles que sentem como grande perda a eventual descaracterização da TSF.

Não posso, no entanto, concordar com a maior parte das actuações propostas pelo nosso amigo Avatares do Desejo (que saúdo vivamente por este gesto, o qual não tenho a menor dúvida, é bem intencionado). Não concordo por 2 razões:

1º Acedendo rapidamente, um pouco em diagonal, aos blogs aqui referidos verifiquei o que já suspeitava, isto é, por um lado cerca de metade deles não refere a questão TSF ou não a refere nos mesmos moldes em que o Avatares (e todos os outros que sentem esta perda) refere, por outro, mesmo entre aqueles que referem a questão não é claro se o fazem pelos mesmos motivos (e isso é relevante). Mais, verifiquei que o debate esquerda-não esquerda provocou mais reacções que o debate actual.

2º Mesmo ontem, a propósito de outro assunto, tive ocasião de escrever um post ("Arte, dizem eles") em que assumia uma posição critica sobre precisamente este tipo de iniciativas, ou seja, manifestações de vontades colectivas, com origem em coisas como a nossa "blogosfera". A "blogosfera" é composta por pessoas com os mais variados interesses. Não faz sentido, a meu ver, constituir, debaixo da capa, hoje em dia politicamente correcta, do "meio de liberdade que é a internet", um qualquer movimento para boicotar seja o que for. Aliás, não acredito em boicotes em sociedades democráticas. Claro que isto é a minha sensibilidade, não leiam nestas palavras nada de imposição ou arrogância. Quem quiser fazer qualquer movimento que o faça, apenas agradeço que não use termos como "a voz da blogosfera". Pelo menos enquanto eu fizer parte dela.

Posto isto, o que é que se pode fazer. Eu penso que o melhor é cada um continuar a defender, o melhor que possa, o seu ponto de vista. Quem se quiser associar, acho muito bem que o faça. Terá a minha simpatia, e até uma eventual participação, desde que haja identificação nos motivos, clareza nos objectivos, recusa de um anonimato ou qualquer máscara do tipo "blogosfera". Mas penso, acima de tudo, que a virtualidade (palavra engraçada com duplo sentido) do que fazemos reside sobretudo na multiplicidade de vozes, de estilos. Os blogs, apesar de alguns serem colectivos são uma ferramenta de expressão individual. Tem um lugar próprio que é a Internet. Pela minha parte não me revejo em coisas como o FSP (ok, isto é polémico mas é, mais uma vez, a minha opinião).

Uma das sugestões avançadas parece-me interessante (não sei se exequivel): participação no fórum (não na bancada central). Ouço muito pouco o fórum, não gosto do tom populista da maior parte do que se lá diz, mas para este efeito parece-me adequado. Se alguém conhecer alguém, ou tiver meios de influenciar a possibilidade do tema lá ser lançado, óptimo. Duvido que isso possa ir em frente. O CVM compreende-me. E eu entendo se os bons profissionais, com responsabilidades de direcção na casa, se recusarem a quaisquer manobras menos claras. Há todavia um risco: que apareçam os do costume e entupam a antena com coisas do género: "a tsf devia passar a ser SÓ o fórum". Aí, sim, pior a emenda que o soneto, como bem diz o Avatares.

Conforme já escrevi, a melhor defesa da TSF passa pela revelação pública de quem são os ouvintes da TSF. Se forem muitos, e se se perceber que ouvem pela linha editorial presente, acredito que a tentação de mudar esmorece. Seja por parte da PT com intuitos comerciais, ou até mesmo por razões politicas.

Continuemos a escrever nos blogs, é para isso que "nos pagam".

Enviado para a mesma lista de blogs resultante do esforço do Bruno. Fiz apenas uma ou duas correcções que não desvirtuam o sentido geral.

Publicado por Carlos em 01:37 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

agosto 14, 2003

Seripendético

Se o caro leitor veio até aqui por via da amável referência que o senhor da formiga me fez, só me resta pedir-lhe desculpa. A si, porque contribuí inadvertidamente para uma explosão de fúria, a qual se traduziu em cerca de 2000 palavras. Quem acabou de ler tanto fel pouco destilado merece, obviamente, uma prosa sintética da minha parte. Vou tentar.

Ao contrário do que o senhor da formiga pensa, parece-me bastante provável que o caro leitor tenha reparado no post do Thomaz-Cunhal, e com um menor grau de probabilidade no meu próprio. Assim, dispenso-me de os reproduzir, e se porventura não leu a resposta a ambos, pode lê-la aqui. A reprodução dos textos ocuparia espaço (tão precisoso), e quem anda por aqui, sabe com certeza (e prefere) usar os links.

Não vou, novamente, tecer considerações sobre as respostas às criticas do Thomaz-Cunhal. Alguém as saberá comentar melhor que eu, o que significa, na douta opinião do senhor da formiga, a confirmação da minha falta de espírito critico. Permito-me apenas, uma interrogação: qual será o significado latente no primeiro post deste anónimo (mas muito importante) cientista? Latente sim, já que para quem afirma tão taxativamente que "primeiros posts dizem muito, ao contrário do que se possa pensar", não consigo descortinar no conteúdo manifesto do primeiro post formigueiro a tão almejada "superioridade intelectual".

Agora, nós.

Felizmente para mim, tenho grande largura de banda, e meios ao meu alcance para poder utilizar diversas resoluções de ecrán. Infelizmente, constato que a maioria do público do senhor da formiga, opta por resoluções mais baixas que a exigida pelo autor do site. Apenas 1 em cada 8 (13,9% quando escrevo isto) consegue ver alguma coisa do que lá se publica, em condições minimamente aceitáveis, e dos restantes 7, 2 não conseguem ver nada (26,2%). Lamento por eles.

Mais lamento a falta de sensibilidade deste senhor, que ao invés de ouvir sugestões construtivas, resolve concentrar todas as suas baterias no alvo errado, provando assim, da pior forma a razão de quem lhe apontou a arrogância. O aspecto mais importante das observações que fiz, não é minimamente focado por ele: o simples facto de em Portugal a banda larga não estar suficientemente generalizada para permitir certas liberdades, é um dado que qualquer blogger deve ter em atenção. Mais uma vez uma simples consulta ao site-meter associado à formiga, dissipa quaisquer dúvidas. Sim, os site-meters servem outros fins para além da simples contabilidade competitiva que a este senhor tanto interessa.

Não haja ilusões, o público disto, reduzido face ao conjunto da população, não são as comunidades científicas onde este senhor gosta de se pavonear. Pelas referências, pelos textos, pelos links, por quem o recomenda e é recomendado por ele, é evidente que a audiência da formiga é a chamada "blogosfera" e seus leitores.

Claro que estas considerações são sobretudo úteis para quem se preocupa com quem nos lê, como eu. E a maior parte dos bloggers. Ao senhor da formiga nada disto interessa. Só o insulto. Mas nisso eu não alinho. Quem anda por aqui já sabe.

500 palavras, vá lá, não me excedi muito

Publicado por Carlos em 08:35 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

1, 2, 3, 4, 5

Até agora... mas podem ser mais, o sol ainda não desapareceu no horizonte. Para já são 5 excelentes posts no Comprometido Espectador.

Publicado por Carlos em 05:37 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Paranóia & Esquizofrenia

I can no longer sit back and allow...
Communist infiltration,
Communist indoctrination,
Communist subversion,
and the international Communist conspiracy
to sap and impurify
all of our precious bodily fluids.
You can't fight in here.
This is the war room!
"Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb" - Stanley Kubrick (1964)
Publicado por Carlos em 05:15 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Cinema , Psi

Teorias presentes e Factos passados

Isto não é uma teoria da conspiração. É um bom exemplo de como se pode falar de uma coisa, coligindo factos, nomeando responsáveis e emitindo uma opinião. Assim sim. Lembro-me bem desta tomada de posição e da solidão do seu autor na época. É aliás uma das razões para a minha recusa da transformação do caso TSF de agora, em complot orquestrado por quem nos governa. Sabendo-se inclusivié do amor que existe entre Emidio Rangel e Morais Sarmento. Não há complot, existe uma tendência para a confusão entre serviço público e serviço do estado.

Eu não disse, e se o texto que escrevi o sugere foi sem intenção, que o Guerra e Pas reclama mais publicidade na TSF. Apenas quis contestar a racionalidade dessa ideia, a ser verdade o que Guerra e Pas diz (e parece saber do que fala).

Lá porque Pacheco Pereira não coloca os links, devidos neste meio, quando se debruça sobre textos de outrém, não quer dizer que os outros façam o mesmo. Eu não faço, não farei, reconheço-lhe o direito de o fazer.

Publicado por Carlos em 12:53 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

Alentejo

Este post vem do coração, não da razão.

É com dor, com tristeza, que de vez em quando me desloco ao Alentejo. Falo do verdadeiro Alentejo, de Aljustrel a Mértola, de Cuba a Ponte de Sôr, não do que agora está na moda, de Milfontes à Zambujeira.

Há sentimentos que não se explicam, sentem-se somente. Não sou alentejano, mas a costela paternal algarvia, deverá ter alguma influência no profundo efeito que aquela região sempre causou em mim. É um local onde a inteligência e a sabedoria dos naturais se aliam a uma cor muito particular da paisagem. Devo ao Alentejo quase tudo o que sei sobre mim próprio.

Sofro com a desistência prolongada a que se vem assistindo. Desistência por parte dos naturais, mas também por parte do Paí­s. A sofreguidão esquizofrénica, a que se assiste todos os verões, já nem sequer abranda em Canal Caveira ou na Mimosa, agora á "sempre a andar", 2 horas e meia de Lisboa ao Algarve. Em cada nova deslocação sinto que mais um bocadinho daquilo se entristeceu, o silêncio, que me seduziu pela inteligência é cada vez mais de ausência.

Mas se hoje falo disto é para vos dizer que, na última viagem, há cerca de 1 mês, senti algo de novo. Não me perguntem porquê, relembro que quem aqui fala é o coração. Senti que, para além de toda a desistência subsidiada, existe concerteza vida. Não sei quando, não sei através de quem (se for pela mão dos Holandeses, que venham), não sei como, mas sei, que haverá um renascimento. Como todos os renascimentos o que resultará não será igual ao que existia antes. Da mesma forma no Alentejo, só o Alentejo me parece possível, e isso descansa-me.

a que propósito este post? a propósito disto

Publicado por Carlos em 12:00 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos , Sociedade

Arte, dizem eles

Multidões Instantâneas, Inexplicáveis e Sem Objectivo

Depois de bem estabelecido o quarto poder (dos media), parece surgir agora um quinto, ainda mais sinistro:

"Estas provam que as pessoas ainda podem fazer coisas acontecer que estão fora do alcance dos poder enorme, corrupto, dos governos e das empresas, que parecem dominar tanto a vida moderna" (o erro está no original). A afirmação é de um blogger, de acordo com o artigo citado.

Durante mais algum tempo iremos assistir a um crescendo das manifestações de "revolta" dos anónimos via novas tecnologias. Esta será a face negativa do estado de graça que os novos meios de difusão beneficiam. Ainda pouco se contesta, não é politicamente correcto fazê-lo, a inocência de iniciativas como estas. Penso que estão na linha dos mails indignados que periodicamente recebemos a apelar a todo o tipo de revoltas, protestos e boicotes. Tudo vale, desde que seja contra o "poder". Esquece-se que a essência desse poder é a democracia. Para se ter credibilidade a melhor garantia é a negação da ligação a qualquer partido, sentidos como fonte de todos os males. A negação da ideologia esconde uma outra ideologia, de cariz totalitário.

O que é novo não são os apelos, manifestos sempre os houve. O que é pernicioso não é o direito à indignação, tal é uma das traves mestras da democracia. O que me preocupa é a permissividade que sinto face ao anonimato, muitas vezes tal é assumido como sinal de "independência". Quando recebo um qualquer apelo ao boicote do que quer que seja, pergunto-me sempre: a quem é que isto aproveita. Invocar, como o faz o blogger, "as pessoas", é pura demagogia.

Mais tarde ou mais cedo, toda a suposta inocência, ou cariz "artistico", por detrás destas manifestações, será desmascarada. Espero que então não se passe para o extremo oposto do erro actual, isto é, que não se confunda o fim com o instrumento utilizado. Já hoje anda por aí muito moralista de pacotilha a querer associar a difusão da internet a um propalado, e nunca demonstrado, aumento da "pedofilia".

as aspas referem-se ao uso generalizado da palavra, errado a maior parte das vezes, mas isso é outra história

Publicado por Carlos em 11:06 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs , Sociedade

agosto 13, 2003

Mais???

Não entendo... Você disse mais?? Se aumentar a publicidade na TSF, o que diminuirá, e fortemente, serão as audiências. Disto não tenho qualquer dúvida. Muitas vezes desligo a rádio, precisamente porque a quantidade de anúncios é já demasiada.

Quanto a esta guerra, não me meto nisso. Como cidadão ignorante do que se poderá passar nos bastidores da PT ou TSF, apenas posso dizer qual a credibilidade que esta teoria da conspiração me merece. Nenhuma. Como aliás não me merecem quaisquer teorias apresentadas sem referir dados concretos que as sustentem. Para que não haja equivocos, note-se que não desminto a existência do complot. Apenas me recuso a considerá-lo, até porque penso que não faz sentido. Tendo em conta a informação de que disponho e enquanto não for apresentada a sustentação da teoria. Quando (e se) tal acontecer, discutirei.

Publicado por Carlos em 10:46 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

A não perder

É pretensioso da minha parte, mas acabei de ler isto e não posso deixar de recomendar. É seguramente mais relevante que a maioria das patacoadas que ando para aqui a dizer.

Publicado por Carlos em 07:41 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Formigas Gordas

Li agora mesmo o post "ENXAMES NAUSEANTES: O CHATO DA FORMIGA DE LANGTON!" do Thomaz vs Cunhal. Não sendo possivel saber a data (nem colocar um link como deve de ser), corro o risco de comentar algo já com algum tempo. Paciência. O post em si é brilhante, desmonta com inteligência todo o esquema de suposta superioridade intelectual dos senhores das formigas. Nada a acrescentar.

Há no entanto algo mais sobre o referido blog. Abrindo aqui uma excepção ao meu próprio estatuto editorial, em que defendo o primado do conteúdo sobre a forma, neste meio, tenho algo a dizer sobre algumas opções de pubicação em blogs alheios. Há uma tendência, que se vem agravando, da parte do autor da Formiga, de ignorar algumas precauções básicas no que diz respeito à inserção de imagens. Para além da duvidosa opção estética que é a colocação de uma imagem de dimensões absurdas como logotipo (o que faz com que o tí­tulo ocupe quase metade da área visivel), post sim, post não, lá aparece mais uma imagem de alta resolução, quase sempre de dimensão abusiva, perturbando sériamente a leitura do texto. Mais grave que a dimensão, ou a estética, o tamanho (em bytes) é o verdadeiro problema. Grande parte dos leitores acedem com larguras de banda que pura e simplesmente não lhes permitem ler o que quer que seja neste blog. A tí­tulo de exemplo abri a página, tal como está neste momento, e somei os tamanhos de todas as imagens que encontrei. O total são cerca de 570000 bytes, ou seja, a quantidade de informação a descarregar, da primeira vez que acede ao site, é cerca de 40 vezes (!) superior à aceitável.

Fica o reparo, sem intuitos destrutivos, mas sim pedagógicos, já que, para além deste exemplo extremo, existem por aí­ alguns outros, que não sendo tão graves, mostram uma certa falta de cuidado por parte dos autores. Bem sei que a maioria dos blogs não são mantidos por profissionais do "web publishing". O Alfacinha também não, apesar da minha actividade profissional me permitir um potencial de conhecimento técnico na área superior à média. Daí o atrevimento.

Após ter colocado este post, tentei enviar o mail de cortesia, habitual quando me refiro a outros blogs. Não consegui. Aparentemente não há feed-back possível para as Formigas...

Publicado por Carlos em 06:36 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

O Silêncio dos Inocentes(?)

Talvez existam estudos de audiência que antecipam quebras caso se mantenha a opção editorial vigente na TSF.

É possível que a maior parte dos ouvintes o seja pela informação sobre trânsito, sobre futebol, pelo populismo do fórum.

Não vejo muita gente à minha volta entusiasmada com o debate político que não tenha como base e objectivo uma desconfiança básica na classe política.

Há um preço a pagar por se ser liberal (no sentido que os blogs do burgo gostam de apregoar). É a aceitação das regras do jogo da liberdade e democracia. Sobretudo quando elas implicam mudanças que não aprovamos.

Eu sou liberal (no tal sentido). Por isso não subscrevo este tipo de afirmações (Glória Fácil):
.O desaparecimento da TSF (repito: enquanto rádio exclusivamente de notícias) representará um sério abalo democrático. Um ataque frontal ao pluralismo informativo português. Porque é completamente diferente ter três estações nacionais com informação ou ter só duas - sendo, ainda por cima, uma do Estado e outra da Igreja. Faço-me entender? É isto que está em causa!.. A minha defesa da manutenção da TSF não tem por base qualquer ideia de que o seu desaparecimento seria um .sério abalo democrático.. Antes pelo contrário, a possibilidade de continuar ou não continuar, é sintoma de democracia.

Pode ser que não exista futuro para esta TSF. Por muito que (me) custe, a hipótese deve ser colocada, nua e crua, em nome da honestidade intelectual. Não necessitamos de recorrer ao velho truque da conspiração do grande capital. Vá lá, já temos maturidade para saber um pouco mais.

O inimigo não é quem queira eventualmente comprar a TSF. O inimigo não tem cor política. Nem teológica.

A quase ausência de manifestações de defesa da TSF nos blogs, não quer dizer que os outros são estúpidos ou moucos. Cada qual escolhe os seus temas, é essa a essência do pluralismo.

Publicado por Carlos em 05:45 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

agosto 12, 2003

Super-Escola

Uma medida, fechar escolas com menos de 10 alunos. Logo se erguem vozes reaccionárias, que a medida é economicista, e, claro, não resolve nada, é ao lado do debate dos problemas de fundo da educação..

Economicista, grande crime! Esta atoarda esconde muitas vezes a pobreza argumentativa. Então e se for mesmo em nome de uma coisa simples chamada economia de escala. (ou sinergias, ou massa crítica, ou outro chavão qualquer)? A racionalidade não pode ser, em si mesma, um critério suficiente para se decidir?

A alternativa é, já se sabe, a discussão profunda das causas da desertificação do interior, o debate sobre qual o papel da escola no meio em que está inserida, a criação de dinâmicas no meio educativo que vão muito para além do mero ensinar a ler, escrever e contar. É necessário criar laços, relações, entre as escolas, os pais, as autarquias, de forma a garantir um novo paradigma de desenvolvimento do interior. E por aí fora. A propósito da tal medida simples é este o discurso que se faz ouvir da parte de muito boa gente responsável. Depois, como fica bem este mês, acrescenta-se uma certeza: "Não será com este ensino que no futuro evitaremos os incêndios". Ou seja, o abandono rural será incentivado pela concentração escolar. Terá ocorrido a quem pensa assim que possa ser ao contrário? As escolas perdem significado e valor pelo abandono, porque não há alunos.

Esta ideia da "super-escola" que vai fazer um país novo, tem sido mais responsável pela manutenção do imobilismo, que por avanços efectivos na politica de educação. Não consigo perceber como é possível dinamizar um aparelho tão fragmentado. Uma escola com mais alunos, não será uma escola com maiores possibilidades (mais gente, mais dinheiro) de levar a cabo as tais dinâmicas?

Sempre a resistência, sempre a vontade de olhar para o lado, com o pretexto do debate profundo, para depois nada fazer. E pergunto: porque não concentrar as escolas, no fundo é apenas reconhecer uma realidade, e simultaneamente debater tudo o resto?

Publicado por Carlos em 07:54 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Baile

O Alfacinha deslocou-se a Miranda, Traz-os-Montes, e bailou.

Publicado por Carlos em 06:07 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

Template

Tentando melhorar o 'look', não o 'feel', desta página, fiz algumas alterações ao template. Nada de muito ambicioso, a empresa responsável por este site está falida. O serviço de design foi de conta própria com ajuda de alguma consultadoria de outra empresa em situação económica difícil. O resultado está à vista. Qualquer queixa ou injúria será muito bem vinda na caixa de correio. Esse departamento foi aliás o único a ter aumento de budget em tempo de vacas magras.

Em carteira fica uma re-estruturação completa da secção do lado direito, por forma a alterar também o 'feel'.

Aproveitou-se a boleia para corrigir uma grande injustiça. Um dos blogs inspiradores deste modesto Alfacinha não constava na lista de visita obrigatória. Estou, claro, a falar do Jaquinzinhos, onde se encontra da melhor prosa que se lê por estas paragens. Alto nível.

Publicado por Carlos em 04:42 PM , Comentários (2) , TrackBack Secções Apontamentos

agosto 11, 2003

Abraços

É uma variação aos sorrisos, mas o sentimento é o mesmo. São devidos à Janela Indiscreta, guardiões do espólio do Mestre Hitchcock, o qual profanei com despudor; à Origem do Amor, que partilha comigo a paixão cinéfila bem demonstrada na Sala 5; ao Adufe, cultor de discussão sem insultos. Um abraço muito especial para o Francisco, um Judeu, que apesar de não ter lido (ainda) a Reserche, sabe muito bem do que fala.

Publicado por Carlos em 08:05 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Cinema

TSF (de novo e sempre)

Aceitando o repto, em boa hora lançado pela Glória Fácil (em boa hora aparecidos), retomo aqui o tema TSF. Antes de mais, congratulo-me pelo facto de este assunto ter sido reposto na ordem do dia, agora pela mão de gente com autoridade na matéria: jornalistas.

Ao contrário de JPH, compreendo perfeitamente, e saúdo até, a atitude de CVM. É assim que deve ser, pelas razões explicadas pelo próprio. Enquanto o processo decorrer internamente os responsáveis fazem muito bem em manter a reserva. Infelizmente não tem sido esta a prática corrente, com discussões prematuras em praça pública, as quais criam depois situações insustentáveis em que nada se resolve e todos ficam mal. Não me surpreende, antes pelo contrário, que de uma forma geral os (bons) profissionais da estação mantenham uma atitude de reserva. Depreendo que, internamente, tal não suceda. Posso estar a ser ingénuo, admito.

Quem deve discutir abertamente o assunto, somos nós, o público da rádio. Por forma a que se perceba quem é esse público. Pela minha parte não gostaria de ver a TSF transformada numa SIC Mulher, com noticiários pueris, estilo RFM e fóruns destinados ao .público feminino. (seja lá o que isso for).

Tenho a certeza, mesmo sem auxilio estatístico que grande parte das pessoas que ouve a TSF o faz por causa do Flashback, do Pessoal e Transmissível, da Intima Fracção, para citar apenas 3 bons exemplos, sem esquecer obviamente o enquadramento dado pelo rigor noticioso. O grave não seria o fim destes programas, seria o seu desaparecimento e não surgimento de novos de igual calibre, ou o afastamento (voluntário ou não) dos profissionais por eles responsáveis.

Não sei se esta poderá ser uma das micro-causas. Espero que sim.

Publicado por Carlos em 07:15 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

agosto 10, 2003

Saudação

Ao Jornalismo e Comunicação pelos retratos do jornalismo de hoje dados pelo escritor de ontem. Eça, pois claro. É lugar-comum, já se sabe, mas com um grande sentido de oportunidade.

Publicado por Carlos em 02:48 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

(De) Culto

Já que o propõe, evoquemos pois, minha cara amiga, as palmeiras no meio do deserto.

Publicado por Carlos em 02:28 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs , Música

Nota

Só uma pequena nota de adenda à (séria) discussão entre o Carimbo e o Adufe.

As criticas à actuação do General Sousa Viegas, alargadas aos participantes do famoso jantar e depois às palavras de Jorge Sampaio, são oriundas, na sua maior parte dos mesmos sectores que se indignaram (e com toda a razão na minha modesta opinião) com o comportamento de Pedro Burmester, exigindo-lhe a prévia demissão, para só depois a explicar e fundamentar.

A discordância política com um qualquer renascimento do grupo dos nove, com o PS, ou até mesmo com o PR, não deveria impedir o reconhecimento, para mim evidente, de que, pelo menos até ao momento, o comportamento de toda esta gente (em particular o PR), foi exemplo de respeito pelas instituições e regras da democracia. Saliento, em particular o cuidado do PR nesta matéria, proferindo declarações sensatas, sem deixar de dizer o que pensa. Este presidente, no qual não votei, e portanto estou à vontade para o dizer, tem sido, nos últimos tempos, um exemplo de isenção sem demissão. Veja-se a questão do veto às novas autarquias, ou o Código do Trabalho.

Este caso é, para além das questões políticas de fundo, mais um sintoma do consequências negativas resultantes do equívoco que existe na área politica que governa o País. Já aqui falei sobre isso. A incoerência, que julgo existir, entre as posições assumidas a propósito do caso Casa da Música e este, é mais prejudicial que as declarações paternalistas de Mário Soares sobre o .tumor..

Publicado por Carlos em 01:59 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Escrevo


A Eugénio de Andrade

Escrevo, para estar mais além da escuridão
E sentir, depois de olhar, um horizonte
Sem linha Sem limite. Escrevo e é o mar
Do teu sorriso, que navega em pensamento
Pelas sílabas dispersas dos poemas Como Aves
Que levemente atravessam o olhar. Escrevo e é o tempo
Da tua voz nas palavras... que derrama o sentimento...

Escrevo, para esquecer o silêncio e o lume
E fechar num abraço a curva azul dos teus ombros
Escrevo, mas é (sempre) a luz dos teus lábios
Que ainda trago comigo... E, nas mãos, a forma dos dedos
Que me escreviam, no rosto, Poemas da água e de trigo

Escrevo, só para escutar o rumor do teu riso
Do parapeito da minha solidão. E não ser tarde (ainda)
Para sentir no meu corpo, os rios da tua mão...

Luís Araújo - Na Margem do Silêncio (não publicado, ainda...)

Publicado por Carlos em 12:11 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

agosto 09, 2003

Dedicatória não íntima

Peço desculpa pelo roubo, mas aqui está um calor dos diabos...
Dancemos, e no final, tiremos o chapéu.
Publicado por Carlos em 05:03 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

agosto 08, 2003

Terrorismo

Dizia o Mata-Mouros um dia destes que a verve de Alberto Gonçalves nos fazia cá falta. Talvez.

Provavelmente eu não o faria, mas entendo a necessidade sentida pelo José Bragança de Miranda, de violar um dos principios da ética "bloguistica". Ninguém gosta que lhe chamem selvagem, ainda que de uma forma comovida.

Publicado por Carlos em 11:25 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Intimidade II

Ora vejam lá como é que se pode falar de intimidade, sem sussuros, com violinos e coro, em formato sinfónico. Mas, claro, é o artista "maldito", nada de confusões...

Publicado por Carlos em 05:47 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

Urgência

Quando vamos a um velório, a um funeral, a última coisa que nos passa pela cabeça é dizer aos familiares do viúvo que o mais importante é recomeçar. O silêncio, é nessas alturas, a melhor forma de ajuda. Ajuda a quê? Ao luto. Eu sei que está fora de moda, o luto, mas ele é necessário, sem ele, não há verdadeiro recomeço.

Muito se tem escrito sobre os incêndios. De uma forma geral, por aqui, a preocupação vai mais para a reflexão séria e diversificada, que na generalidade da comunicação social, onde o discurso inflamado cumpre uma função mercantil. Esta é uma das razões que me fazem gostar deste meio.

Hoje o Aviz volta a bater na tecla do recomeço. Tem razão, como aliás o Guerra e Pas também tinha. Não tenho é a certeza se tanta insistência não virá antes de tempo. Imagino o que sentirão muitas pessoas, neste momento de dor, quando ouvem falar, nesta altura de ..repensar a politica de florestação... Bem sei que quando a tempestade passar, tudo pode ficar na mesma. Mas esse é um desafio para quem faz a reflexão, porventura acertada. O desafio é voltar a fazê-la, mais tarde, insistir, não desistir. O que adianta vir dizer para o ano, numa evenual repetição do cenário, "eu no ano passado, na altura do drama, disse tudo o que havia a dizer, ninguém ligou..."? Não vejo mal nenhum, antes pelo contrário no surgimento de campanhas de solidariedade. Já o afirmei aqui. Não caridade, apenas solidariedade, pontual pois claro, porque a situação é pontual.

A este propósito, quando o Aviz se lembra do Faial, eu lembro-me da Ribeira Quente, também nos Açores. Há uns anos uma enxurrada levou grande parte da povoação adiante. Anos depois, vi num programa do Prof. Hermano Saraiva o magnifico trabalho de reconstrução entretanto feito. E na minha memória está também o movimento de solidariedade. Pergunto-me qual a quota parte de importância desse movimento, cujos efeitos materiais talvez sejam de menos importância, no próprio recomeço. Tal como o silêncio no funeral pode ser importante para, mais tarde, por vezes muito mais tarde, se encontrar de novo sentido para a vida.

Publicado por Carlos em 01:11 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Intimidade

Um dia destes, perante um escaparate com 1 metro de altura inteiramente ocupado com CD's da Carla Bruni e um convite para a escuta, decidi dar-lhe, mais uma vez, o benefício da dúvida. Digo mais uma vez, porque já o tinha feito há meses através de outros meios. O que me levou a tentar de novo foi o formato, auscultadores generosos, que permitiriam trazer a voz da menina para bem mais próximo do meu cérebro, sem distracções (para além da própria menina na capa do CD, já que este que escreve, tem hormonas masculinas na quantidade minima necessária).

Tem isto tudo relevância, não por causa da música, ensonsa, alguém já o disse, só para partilhar um pensamento que me ocorreu. O tom escolhido pelos directores de marketing da artista foi o que muita gente designa por "Intimista". E ela faz o papel, sussurando com competência, palavras que a maior parte do público comprador (anglófono) não entenderá, nem é importante que entenda. As aspas estão ali atrás, correspondendo à minha questão que aqui deixo. Poderá algo de tão complexo como é a intimidade, ser reduzido, confundido com, o sussuro? Se falarmos baixinho, contando "segredos", estaremos mesmo a convidar alguém para a nossa intimidade? Já vi escrito algures qualquer coisa como "parece mesmo que tenho a CB a sussurar-me ao ouvido". O que é que isto tem a ver com intimidade?

Publicado por Carlos em 12:26 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Música

agosto 07, 2003

Caridade

Solidariedade não é a mesma coisa que caridade. Partindo de uma premissa verdadeira, "...campanhas de solidariedade pontuais apenas actuam sobre as consequências, mas não sobre as causas.", o País Relativo mistura tudo (Governo, TV's e todos os que entendem ser seu dever ajudar) e conclui mal.

Publicado por Carlos em 05:58 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Kiss

Ela: And your love life?
Ele: Not too active
Grace Kelly & James Stewart
"Rear Window" - Alfred Hitchcock (1954)
Ela: We should stop...
Ele: Immediately
Eva Marie Saint & Cary Grant
"North by Northwest" - Alfred Hitchcock (1959)
Ela: Have you ever done this before?
Ela: I don't know... have you?
Naomi Watts & Laura Elena Harring
"Mulholland Drive" - David Lynch (2001)
Publicado por Carlos em 05:33 PM , Comentários (1) , TrackBack Secções Cinema

Estratégia

Não há nenhuma garantia de que isto seja da autoria de algum dos supostos signatários. Pode sê-lo, ou não, 50/50. Quando neste meio tantas vezes se aponta o dedo ao jornalismo das "fontes" e dos "segredos de justiça", que, por bem-intencionado, serve estratégias mal-intencionadas, vale a pena, a esse propósito, olhar para o umbigo.

Bem sei que a discussão, a ironia, a paixão, podem ser estimulantes, mas é necessário algum cuidado com as armadilhas.

a falta de ironia neste post não significa falta de humor nem nenhuma critíca ao Mata Mouros, foi apenas uma reflexão suscitada por este (divertido) post

Publicado por Carlos em 12:40 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Ligações, forças e fraquezas

Da força

Sendo uma das caracteristicas verdadeiramente diferenciadoras deste meio, o link, ao contrário da nota de rodapé, permite a consulta imediata (eventualmente sem retorno, mas isso é outra conversa) do citado. O edificio (a) vai-se construindo, depois um bairro, uma cidade... Existe já um verdadeiro mundo paralelo, o qual comanda o outro, o real. A nova realidade não é virtual, bastaria o "apagão" da rede por um dia que fosse e muitos de nós perderiamos o norte. Aqui mais uma força, o "apagão" é (quase) uma impossibilidade. A natureza do meio é anárquica, não hierárquica. Em outra conversa veremos as implicações políticas desta questão, são entusiasmantes, por agora apenas a constatação: não há porta de entrada na rede.

Da fraqueza

O tempo.

Já foi sugerido (b) que toda a rede deveria ser guardada. Não, não é engano, quero mesmo dizer toda a rede. Qual o sentido de um bocado de texto com ligações que não desembocam em lado nenhum?

Quando falo de "um bocado de texto" também é de propósito. O texto completo, auto-suficiente, com poucas ou nenhumas hiper-ligações que encontramos na rede não me interessa aqui. Se tudo isto fosse apenas um gigantesco arquivo, indexado, catalogado, então não seria o que é, a tal coisa mais anárquica que hierárquica. Portanto, estatisticas à parte, é meu entendimento que a força (ou originalidade) de que já falei não surge de textos como este.

Retomando o fio, e juntando as partes, uma questão. Imaginemos um qualquer esforço no sentido de guardar em local seguro, ou seja, em local fechado, todo um conjunto de páginas da rede, surgiria a necessidade da catalogação, da indexação, enfim, uma escolha com um qualquer critério. Nesse instante não se estaria a corromper a própria natureza do meio?

Mais importante que qualquer "corrupção", a própria história pode ser vista como uma corrupção do vivido, é o efeito do tempo. Falo de limitações técnicas. Se podemos hoje sem dificuldade armazenar num depósito um conjunto de objectos que não necessitam uns dos outros para fazerem sentido, e assim se faz história, já não me parece possível que um texto que pouco mais é que um conjunto de ligações possa subsistir sem os objectos ligados exactamente na forma estática em que estavam no momento da sua construcção. Para que isto não pareça um exercicio esóterico dou um exemplo muito próximo: Qual o sentido que a maior parte dos artigos do Valete Fratres (c) fará se forem consultados "off-line"?

a) Retomando (e abusando de) um artigo no blog "Memória Inventada" ("Argamassa e Tijolo" de 13/7/2003)
b) Pacheco Pereira, ("O Depósito Obrigatório da Internet" - Jornal Público - 17/7/2003)
c) No blog referido existem muitos artigos sem comentários para além das hiper-ligações fornecidas

Publicado por Carlos em 10:18 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Mea Culpa II

Recebi um mail de Paulo Pereira do Blogo Social Português, esclarecendo-me que o post que eu comentei aqui não deve ser assacado ao BSP, mas apenas a quem o escreveu.

PP demarca-se do tom do texto, diferenciando no entanto intolerâncias: "o problema é que a intolerância do Portugal Gay não aquece nem arrefece com a vida privada dos padres, enquanto que a intolerância da Igreja afecta directamente todos os Gays que queiram constituir família". Não concordo, respondendo à minha própria pergunta: não vejo onde está a intolerência da Igreja Católica no documento em apreço. Apenas a sinto na resposta do Portugal Gay.

De facto, mais uma vez, cometi um excesso interpretativo ao classificar o texto como "manifesto do BSP". Pelo facto, também as minhas desculpas.

Publicado por Carlos em 12:30 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs , Sociedade

agosto 06, 2003

Mais Sorrisos

Desta vez para os simpáticos Causidicus e a distinção (imerecida) de "incontornável" no Veto Politico.

Um bastante aberto também para o Homem a Dias, sem qualquer cinismo. Um poemazito ao jeito de dedicatória:

Oh yes you can kick me
and you can punch me
and you can break my face
but you won't change the way I feel

Smiths - Is It Really so Strange

Publicado por Carlos em 11:52 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Mea Culpa

No post anterior há um abuso grave da minha parte. O Guerra e Pas não me manda passear. Peço desculpa pelo meu excesso interpretativo. Ele apenas diz:

"O que quer que lhe diga mais? Verifico com tristeza que aqui na blogolândia
que há cada vez mais indignados. Se o facto de eu ter usado as maísculas o
ofendeu, não sei o que dizer.
Olhe, não volte ao meu blog. É a única sugestão que me ocorre."

Reposta está a verdade dos factos, o resto é a minha opinião.

Publicado por Carlos em 11:35 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Mais um post que não é sobre incêndios

Pois não, é sobre humildade.

Guerra e Pas escreveu em 21 de Junho isto:
"Só aos 27/28 anos - tenho 32 - é que se me fez luz: é impossível ganhar uma discussão com um português (médio).
A razão? Simples: o português (médio) não assume que numa discussão há qualquer coisa que naquele momento se discute.
Quando se discute/debate com um português (médio) ele mistura Da Vinci com estacionar em cima do passeio, a pedofilia com o petróleo em S.Tomé, a prestação do condomínio com o design do novo BMW Z4. Ora, se formos justos e civilizados, e quando partimos para uma discussão, estamos a assumir que os alhos ficam para um lado e os bugalhos para o outro.
Tentamos persuadir o outro, mas com regras: tentamos expor o nosso ponto de vista, mas não visamos o totalitarismo."

Agora, a propósito disto, o Outro,eu disse isto. Guerra e Pas responde com arrogância, falta de pudor, e sobretudo, demonstrando-nos a sua faceta de "Português Médio".

Entretanto enviei um mail ao GP expressando-lhe esta minha opinião. Ele manda-me passear dizendo que não tem nada a acrescentar e acaba sugerindo que não volte ao blog dele. Pela minha parte, humildemente, não aceito a sugestão.

enquanto finalizava este post, o CVM disse tudo o que se pode dizer sobre isto... fica o meu post na mesma, mas com dose reforçada de humildade

Publicado por Carlos em 02:06 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

De B para A

Poder, generosidade, liberdade...
A que cheira afinal o link?

Para já, cheira a tentação, história com final feliz, ou talvez não, depende do linkador.

Publicado por Carlos em 12:50 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Difícil: Desistir

O encontro sereno da metáfora
O olhar que vê em demasia
Estar só é possível. Depois de partir
Para além do mar. Onde antes vivia...

Morta, a memória do enraizamento
Ali onde houvera. Uma voz a sorrir...
Se recordo o amor que trago. Esqueço
A dor que em mim arde, até me ferir...

Noite. Longa, a tarde que agora finda
E onde vivi. Quando penso escorre nostalgia
Aqueço a alma no que desconheço
Traves da Psique. Ser por quem morria...

Uma mão. Breve, o sentimento. O teu rosto
Na extensão do espaço. Perdido do tempo
Na planície que arde. Na destruição
No inferno maldito do meu pensamento

Luís Araújo - Na Margem do Silêncio (não publicado, ainda...)

para quem só agora aqui chegou aconselho a leitura prévia disto

Publicado por Carlos em 12:05 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

agosto 05, 2003

Natural Hazards

Vejam bem isto

Façam o mesmo exercicio que eu: recordar os termos em que os grandes fogos na Austrália, Indonésia, EUA, etc, nos costumam ser apresentados. O tí­tulo da noticia diz tudo, para quem tiver fraca memória.

não pretendo desresponsabilizar ninguém, apenas fornecer outra perspectiva... aérea neste caso

Publicado por Carlos em 06:27 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Fácil: Existir

O desencontro profundo das palavras.
Uma vida tecida de melancolia.
Ser não é possível antes de sentir
O sangue do olhar. Exangue, do que lá ardia...

Viva, a recordação de outro modo de ser
Quando pensar era. Já quase existir...
Na memória do que dizias. Saravas
O que em mim arde sem me consumir...

Tarde. Na noite que começa ainda,
No que amei. Quando escrevo morre Poesia.
Oiço o teu rosto nas arestas do silêncio
Nuas, como a mão que tens, ávida e fria...

A casa. O pão. Esta vela acesa. Alumia,
As marés - vivas gastas da memória
Os mesmos dedos. Meus. Também exaustos
De escrever. No mesmo limbo a mesma história...

Luís Araújo - Na Margem do Silêncio (não publicado, ainda...)

Publicado por Carlos em 12:27 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

Carris IV

Contenta-me que o tema do meu primeiro post tenha sido rastilho de discussão. Prova o meu engano sobre uma eventual falta de interesse no tema, pelo menos neste meio.

O Picuinhices dá um contributo importante para a discussão ao clarificar a "associação errada que fazemos entre individual e privado". Tem toda a razão no esclarecimento.

Coloco no entanto uma ressalva. Uma massificação de transporte individual público, em cidades como Lisboa ou Porto, apenas substituiria um caos por outro. Não nego o papel importante que esse transporte poderia assumir. Veja-se o exemplo positivo de cidades Europeias com as suas bicicletas e trotinetas. Os exemplos apresentados de (Bugas e Bicas) são concerteza estimulantes mas parece-me que o aumento de transporte colectivo (público o privado), com a correspondente diminuição do individual, faz muito mais pela melhoria das acessibilidades reais.

Publicado por Carlos em 11:37 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Fogos de Vista

As reflexões do Jornalismo e Comunicação e do sensato do costume, são opurtunas. São intervenções destas que mostram quão erradas são as generalizações que o populismo de época tanto apregoa, seja sobre a classe médica, a comunicação social ou os políticos.

Bem hajam.

Publicado por Carlos em 11:10 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Links

O 100nada pode estar descansado. A razão pela qual, a partir de hoje, passa a figurar ali na coluna do lado direito, pelo menos enquanto ela existir, não tem nada a ver com as "linking lists" de outrém. Tem tudo a ver com a prosa, e poesia, que por lá se escreve.

Publicado por Carlos em 10:49 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Analepse

A minha Avó, Algarvia, consta que teve ascendência marroquina. Não sei se instruída, mas decerto maometana e tecnológicamente atrasada. O meu Pai, militante comunista, não tinha no seu círculo de amizade o camarada Vasco. Eu, que também sou "filho" do MEC, entretanto cresci. Na actualidade, sendo leitor, não sou amigo (nem sequer conhecido) de nenhum dos apóstolos deste meio. Nem da Teresinha.

Nada de ilações, por favor.

Publicado por Carlos em 10:21 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

agosto 04, 2003

Este também não é um post sobre os incêndios

Em Espanha contabilizam-se hectares, temperaturas e habitantes evacuados.
Em Portugal detalha-se, até à exaustão, a quantidade de bombeiros por cada fogo.

a propósito, já se sabe quantos bombeiros "desertores" existem em Portugal? ontem na SIC eram 37000, hoje na TVI são 22000...

Publicado por Carlos em 04:48 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação , Sociedade

Este não é um post sobre os incêndios

Não alinho no coro de indignação que se ouve, a qual vem sobretudo de pessoas que no dia-a-dia, não se preocupam rigorosamente nada com o abandono a que se votam os campos.

Não me parece importante neste momento o apurar de responsabilidades (nem que sejam divinas). É concerteza muito mais sensato, infelizmente não tão mediático, o silêncio dos que nada podem fazer e que se desimpeça o caminho a todos os outros.

Depois, só depois, há todo o tempo do mundo para discutir, para acusar, para gritar.

Publicado por Carlos em 04:22 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação , Sociedade

Limite

Ainda não se vislumbra o limite. Existirá?

"Reality Show" Norte-americano Ludibria Concorrente

Publicado por Carlos em 03:23 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação

Vergonha

É o que falta a Manuel Monteiro ao fazer baixa política com o sofrimento de um País.
É o que falta a Mário Soares nas intervenções paternalistas sobre o "tumor".

Há pessoas que não sabem quando sair de cena.

Publicado por Carlos em 03:18 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Gay

Liceu Gay

Não consigo entender em que medida é que coisas como esta ajudam quem quer que seja.

Publicado por Carlos em 03:13 PM , Comentários (3) , TrackBack Secções Sociedade

India

Em dia de pouca inspiração, sabores Indianos:

do filme "Monsoon Wedding" de Mira Nair, o tema "Aaj Mera Jee Kardaa" (Today My Heart Desires) de Mychael Danna

Publicado por Carlos em 02:34 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Cinema , Música

agosto 03, 2003

Inveja III

Não queria ir por aí. O meu propósito aqui não era perder tempo, nem fazer perder o tempo de outros com exercícios narcísicos sem relevância para além de 2 metros à minha volta. Reconheço que a facilidade propiciada por este meio, se aliou negativamente à minha inexperiência, e aqui faço um mea-culpa.

Fui, no entanto, e agora já não há nada a fazer. Aqui não se apagam posts, fica o registo de um sentimento. Tal como o resto é (pretende ser) verdade, foi a minha verdade daquele momento.

Publicado por Carlos em 11:33 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Do Rui

"LAGOA DA POSSE

Nada se penetra, nem átomos, nem almas. Por isso nada possui nada. Desde a verdade até a um lenço - tudo é impossível. A propriedade não é um roubo: não é nada.


O RIO DA POSSE

Que somos todos diferentes, é um axioma da nossa naturalidade. Só nos parecemos ele longe, na proporção, portanto, em que não somos nós. A vida é, por isso, para os indefinidos; só podem conviver os que nunca se definem, e são, um e outro, ninguéns.

Cada um de nós é dois, e quando duas pessoas se encontram, se aproximam, se ligam, é raro que as quatro possam estar de acordo. O homem que sonha em cada homem que age, se tantas vezes se malquista com o homem que age, como não se malquistará com o homem que age e o homem que sonha no Outro?

Somos forças porque somos vidas. Cada um de nós tende para si próprio com escala pelos outros."


Bernardo Soares - Livro do Desassossego . Os Grandes Trechos

Publicado por Carlos em 09:21 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

Inveja II

"Por fim, há o pormenor do Celtic só se ter feito representar por uma autarca de Glasgow, enquanto o FCP arrastou metade dos nossos estadistas. E depois? A Escócia é uma mí­sera filial, gélida e montanhosa, da Inglaterra, e o respectivo parlamento, coitados, tem meia dúzia de anos. Em matéria de democracia, eles ainda têm muito a aprender connosco."

Alberto Gonçalves, o tal senhor do blog imperdivel. Para tentar recuperar da (minha) falta de erudição, li de rajada as últimas 5 crónicas no CM. Arrogância, cinismo, insulto, tudo embrulhado numa escrita escorreita e técnicamente perfeita, no melhor estilo da escola Independente. A maior parte do que se lá diz não é mentira, mas se este País é tão mau como aparece pintado, e se não existe nenhum oásis de bondade, então porquê viver aqui?

Desculpai este estilo, prometo que amanhã já estou melhor...

Publicado por Carlos em 08:49 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Inveja

Há uns tempos houve umas queixas sobre uma eventual falta de Amor nos blogs. Não sei se faltava, mas como muitos exemplos apareceram na esteira desse comentário, agora já existe por aí algum. Darei aqui conta de outro sentimento bem menos nobre: a inveja. Minha. Seguindo um link do Pedro Lomba que anuncia sem reticências um "blog imperdivel" fui ter aqui. Quando lá cheguei encontrei meia dúzia de posts, dado que o site só tinha um dia de existência. Não percebi. Li, reli, e não percebi. Depois nas minhas viagens de hoje entendi: o senhor além de bem relacionado, parece que tem provas dadas na escrita de umas crónicas no Correio da Manhã. Terá, não contesto, aliás, nunca li e portanto nada direi sobre isso. Apenas registo a competição feroz que se verificou na "blogosfera de referência", para ver quem primeiro anunciava o referido blog. Confesso que não entendo o que este post tem de imperdivel... mas isso, claro, é porque a inveja profunda que me consome a alma não me permite o distanciamento e objectividade necessárias.

Publicado por Carlos em 08:04 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

Dedicatória

Nascemos de um sonho, vivemos no sonho, morremos quando o sonho acaba. E a cura analítica não é mais que a abertura do sonho; acaba quando o paciente sabe sonhar.

António Coimbra de Matos - Mais Amor Menos Doença (Climepsi)

Para a Susana

Publicado por Carlos em 03:14 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações , Psi

Palavra de agnóstico

Seguindo a pista do Mata-Mouros a propósito do documento do Cardeal Ratzinger com algumas considerações sobre a atitude que os católicos devem assumir perante os projectos de legalização das uniões homessexuais, vem este post a propósito de outro no Blogo Social Português.

O documento em causa desde logo define objectivos muito claros: "Têm ainda por fim iluminar a actividade dos políticos católicos, a quem se indicam as linhas de comportamento coerentes com a consciência cristã, quando tiverem de se confrontar com projectos de lei relativos a este problema.". O problema a que se alude é "...intervenções destinadas a proteger e promover a dignidade do matrimónio, fundamento da família, e a solidez da sociedade, de que essa instituição é parte constitutiva.". Após a enunciação da doutrina católica sobre o tema, com as habituais referências às Sagradas Escrituras, elencam-se de seguida atitudes, argumentações racionais e comportamentos que os Católicos devem seguir neste dominio.

O documento na sua generalidade pareceu-me sensato e adequado. Dito isto, que é o mais importante, tenho que esclarecer que discordo frontalmente de tudo o que se lá diz, em particular dos "argumentos racionais" apresentados. Os propósitos são aqueles que sempre orientaram a Instituição do Vaticano, ou seja, definição de orientação para o mundo Católico. Neste caso em particular para aqueles que detanham responsabilidade politica. Perfeitamente legítimo. Ilegitimas são, a existirem, movimentações na sombra das instituições dos estados democraticamente geridos. A fronteira do laicismo do estado não é ultrapassada, antes pelo contrário: "Se não for possível revogar completamente uma lei desse género, o parlamentar católico, atendo-se às orientações dadas pela Encíclica Evangelium vitae, «poderia dar licitamente o seu apoio a propostas destinadas a limitar os danos de uma tal lei e diminuir os seus efeitos negativos no plano da cultura e da moralidade pública», com a condição de ser «clara e por todos conhecida» a sua «pessoal e absoluta oposição» a tais leis, e que se evite o perigo de escândalo". Esta foi em resumo a minha leitura, não é novidade este posicionamento do Vaticano. Estranho seria que a Igreja renunciasse à sua doutrina, significaria a sua extinção a prazo, natural é esta acomodação gradual a um posicionamento cada vez mais de influência e cada vez menos de poder de facto.

A leitura do "manifesto" do Blogo Social Português, ao invés, representa mais uma clara manifestação de intolerância que, paradoxalmente, acaba por validar alguma da argumentação do Cardeal: "São úteis, portanto, intervenções discretas e prudentes, cujo conteúdo poderia ser, por exemplo, o seguinte: desmascarar o uso instrumental ou ideológico que se possa fazer de dita tolerância;". Acusa-se a Igreja de "autismo", quando a existência do próprio documento reflecte precisamente o contrário. À Igreja dá-se possibilidade de "...defender e definir regras para o matrimónio religioso, mas não para o casamento civil que é algo que, por definição, não está relacionado com a Igreja.". Da minha leitura do documento em parte alguma se lê que a Igreja pretenda "definir" (no sentido unilateral e totalitário) regras para o casamento civil. Agora se uma instituição essencialmente moralizante não pode defender e definir regras, por muito que outros delas discordem, então que democracia é esta? Todo o tom do post no BSP é paternalista, a linguagem que se usa é inflamada por falta de segurança argumentativa.

Sente-se que da parte de quem escreveu o texto do BSP, existe uma vontade de silenciamento de vozes discordantes do politicamente correcto. Leia-se, desapaixonadamente, ambos os textos e a pergunta é inevitável: onde está a intolerância?

Publicado por Carlos em 01:17 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Sorriso

A todos os que me acolheram neste meio com referências, posts e mails. Tocou-me a simpatia da Susana, com uma saudação extensiva para a Lúcia Guimarães que de facto mexeu na corda certa... Ao lúcido tripeiro Mata-Mouros saudações sulistas mas não elitistas. Ao Outro a quem já "transmiti pessoalmente" um abraço fraterno. Aos porta-vozes de Félix Krull, que (felizmente) cada vez menos precisam de publicidade.

Publicado por Carlos em 12:59 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs

agosto 02, 2003

Crime II

O "lobby do combate aos incêndios", que como se sabe é liderado por Figueiredo Lopes, acaba de conseguir mais um aliado de vulto e perigoso, para além dos já conhecidos (aviação Espanhola e Italiana). Com efeito uma trovoada terá tido como consequência um enorme incêndio no concelho da Chamusca.

Publicado por Carlos em 05:07 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Crime

Quem leia hoje o Expresso (já se sabe que não há link...) facilmente conclui quem é o principal responsável pelos fogos florestais: o ministro da Administração Interna, Figueiredo Lopes. Lendo o caderno principal encontrei 3 referências, uma em formato de "pseudo-noticia", um artigo de opinião (de Fernando Madrinha, um dos sub-directores do Expresso) e para concluir o mais baixo dos "Altos & Baixos".

O titulo da "pseudo-noticia" diz tudo "Um crime anunciado". Sem nunca se acusar directamente o ministro, alude-se a "uma autoria politica e a uma autoria técnica que não pode deixar de ser questinada". Esta frase é citada do presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses e no contexto em que aparece, é uma clara manipulação. Qual terá sido o contexto desta afirmação?

Fernando Madrinha ("A indústria do fogo") brinda-nos com pérolas como esta: "De tal forma o país já se habituou a este jogo do faz-de-conta que já pouco se indigna quando ouve o ministro da AI anunciar 'novos métodos' de combate para a próxima época de incêndios e depois percebe que os 'novos métodos' são, afinal, a prevenção que se reclama há décadas, com a limpeza atempada das matas, a abertura de aceiros e de caminhos nas zonas florestais de acesso mais difícil.". Ocorrerá a FM que o "pais que não se indigna" esteja mais preocupado em dar toda a ajuda que possa aos bombeiros, que a juntar mais um fogo a todos os que já existem?

Antes de ler o jornal, tinha acabado de ouvir o próprio ministro na TSF, envolvido que tem estado de facto no combate aos incêndios, para o acendimento e propagação dos quais ele terá contribuido. Ao escutar palavras tão sensatas, tão pouco mediáticas, mas que permitem perceber claramente a diferença entre o populismo das Felgueiras, Portas e Baratas, e a capacidade de dedicação à causa pública de homens como Figueiredo Lopes, só me ocorreu fazer um post de saudação a isso mesmo, mais nada. Depois, lendo o "jornal de referência", o post ganhou outra urgência.

Felizmente vão aparecendo verdadeiras noticias que nos mostram outra realidade.

Publicado por Carlos em 05:01 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Comunicação , Sociedade

Carris III

Este é o Portugal de que gosto:

"Sempre que as condiçoes climatéricas o permitem, e não obstante ter viatura atribuí­da pela entidade patronal e aparcamento garantido e gratuito, desloco-me para o meu local de trabalho no centro do Porto a pé, percorrendo assim uns saudáveis 8 kms diários num tempo sensivelmente idêntico ao que dispenderia se utilizasse o automóvel."

Mata-Mouros num post inspirado pelos meus sobre a Carris. Lá se chama a atenção para algo importante: o efeito negativo que o aumento do tráfego particular tem na qualidade do serviço prestado pelo transporte público terrestre. Circulo vicioso infernal este. Mais carros, menos qualidade no serviço de autocarro. Menos qualidade no serviço de autocarro, mais carros...

Publicado por Carlos em 12:32 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Sociedade

Seriedade

"... em Portugal, cá está um defeito Português, que é confundir-se a seriedade, com a gravata..."

Rui Zink entrevistado por Carlos Vaz Marques - Pessoal e Transmissivel (mais ou menos aos 7 minutos... vale a pena ouvir no contexto)

Publicado por Carlos em 11:40 AM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações

agosto 01, 2003

Ética

Penso não ser um grande atentado à ética "bloguistica", a alteração que fiz nos posts com música. Foi apenas uma alteração da forma e não do conteúdo. De qualquer maneira aqui fica a nota.

Publicado por Carlos em 06:03 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Apontamentos

Provocação (a LA)

Tributo a Nina Simone

"I got my arms, I got my hands
I got my fingers, Got my legs
I got my feet, I got my toes
I got my liver, Got my blood

Got life , I got my life"

Do musical "Hair", citado por Ian Anscombe

mais logo talvez se arranje musica para acompanhar...

Publicado por Carlos em 05:22 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Citações , Música

PP

A pedido de várias famí­lias aqui vai um post sobre Paulo Portas.

Não é de hoje, não é de ontem, não é por causa da Amostra, não é por causa da intriga jornalistica de outros tempos, não é por causa dos conflitos com as chefias militares, não é por causa da Cruz Vermelha, não é por causa da AD que foi e deixou de ser para voltar a ser quando já não devia ser, enfim, não por nenhuma destas coisas isoladamente. O conflito, que é inevitável na vida, surge sistematicamente associado não a divergências políticas ou ideológicas mas sim a questões de carácter, a relações de poder pessoal. É o comportamento, a atitude, do personagem nestes exemplos (e mais existem), que pura e simplesmente o torna insuportável (para mim).

Enquanto o senhor não tinha responsabilidade governativa, este desagrado não era importante, não produzia consequências de maior. Desde há muito tempo era de prever que com tal sementeira (Independente e "conquista" do PP), só se poderia produzir fruta estragada (Moderna, Conflitos com Maria Barroso e militares). Até há um ano atrás, não seria necessário mais nada que não fosse simplesmente o dar tempo ao tempo.

As últimas eleições, no entanto, vieram a modificar dramaticamente esta tranquilidade. Se em boa hora este País começou, com dor, a receber a terapia para cura de vários maleitas, infelizmente circunstâncias da conjuntura determinaram que fosse aceite na equipe médica um charlatão que tem passado a vida a dizer mal da medicina. Depois de uma primeira fase em que o entusiasmo, e outros factores, disfarçaram o equivoco, os sinais deste vão agora multiplicando-se, sempre com a incerteza do "será que é desta?".

Temo pois, e isto é sem dúvida o mais importante, que pelo seu comportamento, PP possa vir a ser um dos responsáveis pelo interrupção da terapia. Convenhamos que, para além do optimismo reinante que fez meio País ir de férias a respirar de alívio, a procissão ainda vai no adro. Nada esta garantido e as resistências à mudança continuam vivas. Não são razões ideológicas que me movem contra este senhor, aliás, será precisamente o sentimento que tenho da sua (dele) falha ideológica que mais me afasta. A ameaça populista está particularmente forte e PP é, sem dúvida, um dos seus principais arautos. O populismo ameaça a sociedade portuguesa como uma praga e tem tendência a manifestar-se por todo o espectro político, qual parasita, contribuindo para e alimentando-se de estados amorfos como aqueles que Pedro Mexia tão opurtunamente denuncia.

PP (repito: pelo seu comportamento, não pela ideologia) representa muito bem o lado podre da politica. Representa um perigo muito maior para o Governo, e portanto para o Paí­s, que toda a oposição reunida.

Publicado por Carlos em 04:40 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Política

Recomendações

Pedagogia
Pudor (a classificação não é minha, é do Terras do Nunca (post Tabu de 31.7)
Nem Mais!
Desafio

Publicado por Carlos em 04:00 PM , Comentários (0) , TrackBack Secções Blogs