Não são de facto as melhores condições para apreciar mais uma (a última?) obra do mestre, uma dor de cabeça e um écran de 14 polegadas...
Mas enfim, foi o que se pode arranjar. Talvez por isso me tenha sabido a pouco. Ou talvez não, é capaz de ser mesmo o ocaso. A passagem de testemunho, de Allen para toda uma geração mais nova, domina todo o filme. A modéstia e generosidade não escondem todavia um envelhecer desencantado um pouco como se a paranóia fosse o último refúgio de alguém que ao longo do tempo brilhou pela lucidez. O jovem protagonista (uma espécie de alter-ego de Allen em flashback) perde tudo: a namorada que afinal era uma ilusão, o mestre (Allen himself) enloquecido e desanimado com tudo o que o rodeia, a cidade que ama mas que não lhe dá dinheiro, o psicanalista que nunca o ouviu, o agente, sanguessuga dependente. A sensaçao que fica é a de que WA, simbolicamente desaparecido para lugar incerto fugindo da polícia por conta de um homicidio, já não tem força ou vontade para começar de novo. Oxalá me engane.