dezembro 31, 2003

Anything Else

Não são de facto as melhores condições para apreciar mais uma (a última?) obra do mestre, uma dor de cabeça e um écran de 14 polegadas...
Mas enfim, foi o que se pode arranjar. Talvez por isso me tenha sabido a pouco. Ou talvez não, é capaz de ser mesmo o ocaso. A passagem de testemunho, de Allen para toda uma geração mais nova, domina todo o filme. A modéstia e generosidade não escondem todavia um envelhecer desencantado um pouco como se a paranóia fosse o último refúgio de alguém que ao longo do tempo brilhou pela lucidez. O jovem protagonista (uma espécie de alter-ego de Allen em flashback) perde tudo: a namorada que afinal era uma ilusão, o mestre (Allen himself) enloquecido e desanimado com tudo o que o rodeia, a cidade que ama mas que não lhe dá dinheiro, o psicanalista que nunca o ouviu, o agente, sanguessuga dependente. A sensaçao que fica é a de que WA, simbolicamente desaparecido para lugar incerto fugindo da polícia por conta de um homicidio, já não tem força ou vontade para começar de novo. Oxalá me engane.

Publicado por Carlos em dezembro 31, 2003 02:04 PM Secções Cinema
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