dezembro 13, 2003

Bloco Central

Cada vez ouço mais por aqui e por ali aquela ideia, tão politicamente correcta, que defende o pacto de regime entre os 2 maiores partidos, como a solução universal para todos os problemas endémicos do País. Esta ideia está, quase sempre, associada a outra também muito na moda, a de que a política é uma actividade parisita e prejudicial à sociedade. Estariamos bem no dia em que "eles", sendo este "eles" uma massa comum em que tudo se confunde, fossem corridos e a governação fosse exercida por técnicos qualificados nas diversas áreas. O lamento é quase sempre o mesmo: "mudam os governantes e fazem sempre questão de fazer o contrário dos anteriores". Pois ainda bem, digo eu, estranho seria o contrário. Cada vez tenho menos paciência para todos aqueles que dizem ter os Portugueses menos paciência para a política.

Publicado por Carlos em dezembro 13, 2003 01:13 PM Secções Política , Sociedade
Comentários

Caro Carlos, pelo que leio parece que defende a ideia que o normal e positivo é que os novos governantes queiram fazer o contrário dos que os antecederam. Não concordo. Penso que devem sim fazer melhor, o que não equivale a fazerem o oposto.

Afixado por: Peixoto em dezembro 13, 2003 08:41 PM

Aquilo que defendo é a não perversão do sistema político. Os poder legislativo deve assumir opções políticas, não técnicas ou corporativas. É para mim natural que campos ideológicos distintos produzam decisões políticas diferentes (se são opostas ou não, é irrelevante). As questões técnicas e os interesses particulares devem vir depois das opções politicas, não antes.

Afixado por: Alfacinha em dezembro 14, 2003 12:29 PM

O dogma do domínio das opções políticas sobre a racionalidade técnico-científica, levou à exaustão de alguns dos nossos recursos pesqueiros nas décadas de 1980-90, está a liquidar a nossa agricultura e é responsável por decisões (ou falta delas) erradas no domínio da saúde pública. Isto só para mencionar áreas em que tive experiências pessoais directas. A cultura política predominante é a cultura do curto prazo, do show-off, do disfarce da ignorância. O nível civilizacional dum país mede-se também pela libertação da coisa pública deste tipo de atitude.
Boas festas.

Afixado por: Manuel Gomes em dezembro 26, 2003 12:48 AM