A urgência nacional que permitiu uma ilusão de unidade política à direita, assentava na necessidade de enfrentar a crise. Só mesmo estas circunstâncias extraordinárias tornaram possível a convivência pacifica entre os PP's e todo aquele espaço da social-democracia não populista. Qualquer tentativa séria de prolongar a aliança conjuntural, transformando-a em algo mais que isso mesmo, só poderá resultar num novo periodo de travessia do deserto para toda a direita (centro-direita incluido). É inconcebível para largos sectores do PSD a perspectiva de fusão, ou mesmo de simples aceitação no partido da ala "Portista". Se, como infelizmente parece ser a tendência, Santana Lopes se afirmar cada vez mais como o grande aglomerador da direita popular, a tentação da capitalização pode tornar-se uma realidade. O pior é que essa tentação tem muitos adeptos na heterógenea familia social-democrata (não é por acaso que há quem ainda insista muito no "popular-democrata"...). Um combate entre as duas correntes pode resultar numa cisão, o que seria paradoxal para os que acreditam na fusão. E mais importante, seria desastroso do ponto de vista eleitoral. A esperança (talvez um pouco "Sebastiânica"...) está na capacidade de (re)afirmação de Cavaco Silva.
Publicado por Carlos em dezembro 2, 2003 04:51 PM Secções PolíticaPenso que a fusão PSD-PP apenas se compreende quando estão em causa os interesses superiores do país. Por isso, é óbvio que o PSD apenas necessitará dos "escassos" votos populares quando a maioria absoluta nas legislativas não estiver clara. Este PP de Portas só se sente bem no poder e, para tal, não se importa de servir de "muleta" do PSD. Até quando? Atá Portas deixar de estar à frente do PP, pois aí o PP acabará por ser absorvido pelo PSD.
Quanto a Santana Lopes, penso que o seu tempo ainda não chegou e vê-lo como candidato da direita à Presidência da República é algo que não perspectivo, pelo menos já em 2006...