Enfio a carapuça da "graça inconsequente", mas não me escondo.
A Dra. Ana Gomes, ao apontar o dedo à PGR, e à justiça de uma forma geral, está claramente a polarizar do ponto de vista político o processo Casa Pia. Ao falar quando fala, onde fala e, acima de tudo, implicando a direcção do PS nas suas invectivas, que não se demarcou, antes pelo contrário, esta conclusão é de todo insofismável.
Agora, se a questão é politica, uma pessoa no lugar dela, não pode afirmar o que afirma, ou seja, a suposta "instrumentalização da justiça", sem ir mais além e clarificar o que a leva a tal conclusão. Se não, é pura e simplesmente populismo, o qual, como se sabe, encontra sempre terreno fértil nestas acusações ao poder. Nada disto teria muita importância não fora a já referida implicação da direcção do PS em todo este processo.
Claro que, a prazo, este tipo de comportamento prejudica sobretudo quem o pratica, se não veja-se a (falta de) credibilidade que pessoas como Paulo Portas, têm hoje na sociedade Portuguesa. Mas isso não diminui a irresponsabilidade e gravidade do acto.
A investigação, ou não, das denúncias anónimas, não tem nada a ver com isto. Se fosse essa a questão, Ana Gomes, falaria exactamente disso. E não o fez. Deliberadamente preferiu amplificar a ressonância de denúncias sobre membros do governo, no momento em que todas as atenções estão voltadas para Paulo Pedroso. Porquê esta denúncia, e não outra qualquer?
Publicado por Carlos em outubro 13, 2003 03:05 PM Secções PolíticaOs politicos são mestres nestes jogos mediáticos, principalmente os que têm ambições.
Afixado por: Mário em outubro 13, 2003 04:49 PM