Abriste uma ferida
Fria. No silêncio
No acaso (ocaso?)
do sorriso que esmaecia...
Na escuridão,
Da morte anunciada
Assim,
Na melancolia...
Esquecido...
Das palavras
Da porta que desconhecia
Disse: sim, sei que sim
E adormeci,
Na esteira da eternidade...
Senti:
O frio da solidão
O fio da lâmina
(lágrima)
Que deixaste a correr,
Nas raízes da minha alma!
Criei
Palavras
Incêndio
Do que nos divide
Ou símbolos
Do que nos agride...
Perdi-me
Nas vielas do destino
o cais do pensamento
Na mágoa!
No inferno do que escrevi
(e agora sepulto na água...)
Luís Araújo, Na Margem do Silêncio, não publicado
Publicado por Carlos em outubro 9, 2003 10:03 AM Secções CitaçõesGostei verdadeiramente deste poema. Gostaria de conhecer o poeta e a obra, amigo Carlos. Providencie se lhe for oportuno e não lhe der
grande inconveniente. Um abraço. Frassino
SUBLIME SEGREDO
Há um segredo no coração
de cada pedra;
há um segredo no pó
de cada via;
há um segredo na pequenez
de cada erva;
há um segredo na grandeza
de cada árvore;
há um segredo no ar
que se respira;
há um segredo na luz
do horizonte;
há um segredo no azul
do nosso céu;
há um segredo nos olhos
que contemplam;
há um segredo no íntimo
de cada peito...
.....................
Levanto os olhos
e revisto-me da incerteza
de segredo que paira...
Chamo por mim.
Alguém responde então,
na claridade do sol
que acalenta,
e no Amor imenso que abrasa:
responde-me o eco longínquo -
eco longínquo que vive
bem mais perto do que penso -
responde-me DEUS !
Frassino Machado
in NAS SENDAS DE ORFEU