O desencontro profundo das palavras.
Uma vida tecida de melancolia.
Ser não é possível antes de sentir
O sangue do olhar. Exangue, do que lá ardia...
Viva, a recordação de outro modo de ser
Quando pensar era. Já quase existir...
Na memória do que dizias. Saravas
O que em mim arde sem me consumir...
Tarde. Na noite que começa ainda,
No que amei. Quando escrevo morre Poesia.
Oiço o teu rosto nas arestas do silêncio
Nuas, como a mão que tens, ávida e fria...
A casa. O pão. Esta vela acesa. Alumia,
As marés - vivas gastas da memória
Os mesmos dedos. Meus. Também exaustos
De escrever. No mesmo limbo a mesma história...
Luís Araújo - Na Margem do Silêncio (não publicado, ainda...)
Publicado por Carlos em agosto 5, 2003 12:27 PM Secções Citações