Um dia destes, perante um escaparate com 1 metro de altura inteiramente ocupado com CD's da Carla Bruni e um convite para a escuta, decidi dar-lhe, mais uma vez, o benefício da dúvida. Digo mais uma vez, porque já o tinha feito há meses através de outros meios. O que me levou a tentar de novo foi o formato, auscultadores generosos, que permitiriam trazer a voz da menina para bem mais próximo do meu cérebro, sem distracções (para além da própria menina na capa do CD, já que este que escreve, tem hormonas masculinas na quantidade minima necessária).
Tem isto tudo relevância, não por causa da música, ensonsa, alguém já o disse, só para partilhar um pensamento que me ocorreu. O tom escolhido pelos directores de marketing da artista foi o que muita gente designa por "Intimista". E ela faz o papel, sussurando com competência, palavras que a maior parte do público comprador (anglófono) não entenderá, nem é importante que entenda. As aspas estão ali atrás, correspondendo à minha questão que aqui deixo. Poderá algo de tão complexo como é a intimidade, ser reduzido, confundido com, o sussuro? Se falarmos baixinho, contando "segredos", estaremos mesmo a convidar alguém para a nossa intimidade? Já vi escrito algures qualquer coisa como "parece mesmo que tenho a CB a sussurar-me ao ouvido". O que é que isto tem a ver com intimidade?
Publicado por Carlos em agosto 8, 2003 12:26 PM Secções Música