agosto 10, 2003

Escrevo


A Eugénio de Andrade

Escrevo, para estar mais além da escuridão
E sentir, depois de olhar, um horizonte
Sem linha Sem limite. Escrevo e é o mar
Do teu sorriso, que navega em pensamento
Pelas sílabas dispersas dos poemas Como Aves
Que levemente atravessam o olhar. Escrevo e é o tempo
Da tua voz nas palavras... que derrama o sentimento...

Escrevo, para esquecer o silêncio e o lume
E fechar num abraço a curva azul dos teus ombros
Escrevo, mas é (sempre) a luz dos teus lábios
Que ainda trago comigo... E, nas mãos, a forma dos dedos
Que me escreviam, no rosto, Poemas da água e de trigo

Escrevo, só para escutar o rumor do teu riso
Do parapeito da minha solidão. E não ser tarde (ainda)
Para sentir no meu corpo, os rios da tua mão...

Luís Araújo - Na Margem do Silêncio (não publicado, ainda...)

Publicado por Carlos em agosto 10, 2003 12:11 PM Secções Citações
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