agosto 14, 2003

Alentejo

Este post vem do coração, não da razão.

É com dor, com tristeza, que de vez em quando me desloco ao Alentejo. Falo do verdadeiro Alentejo, de Aljustrel a Mértola, de Cuba a Ponte de Sôr, não do que agora está na moda, de Milfontes à Zambujeira.

Há sentimentos que não se explicam, sentem-se somente. Não sou alentejano, mas a costela paternal algarvia, deverá ter alguma influência no profundo efeito que aquela região sempre causou em mim. É um local onde a inteligência e a sabedoria dos naturais se aliam a uma cor muito particular da paisagem. Devo ao Alentejo quase tudo o que sei sobre mim próprio.

Sofro com a desistência prolongada a que se vem assistindo. Desistência por parte dos naturais, mas também por parte do Paí­s. A sofreguidão esquizofrénica, a que se assiste todos os verões, já nem sequer abranda em Canal Caveira ou na Mimosa, agora á "sempre a andar", 2 horas e meia de Lisboa ao Algarve. Em cada nova deslocação sinto que mais um bocadinho daquilo se entristeceu, o silêncio, que me seduziu pela inteligência é cada vez mais de ausência.

Mas se hoje falo disto é para vos dizer que, na última viagem, há cerca de 1 mês, senti algo de novo. Não me perguntem porquê, relembro que quem aqui fala é o coração. Senti que, para além de toda a desistência subsidiada, existe concerteza vida. Não sei quando, não sei através de quem (se for pela mão dos Holandeses, que venham), não sei como, mas sei, que haverá um renascimento. Como todos os renascimentos o que resultará não será igual ao que existia antes. Da mesma forma no Alentejo, só o Alentejo me parece possível, e isso descansa-me.

a que propósito este post? a propósito disto

Publicado por Carlos em agosto 14, 2003 12:00 PM Secções Apontamentos , Sociedade
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