agosto 15, 2003

Positivismo

A propósito da (justa e louvável) emoção de Costa Alves pelo aumento de mortes nesta época, e das primeiras manifestações de alguma perplexidade perante a extensão do "apagão" norte-americano (daqui vai um abraço de boas-vindas ao autor do novo blog), ocorreu-me, como de outras vezes, um pensamento, que não tendo nada de novo ou original, é revelador de como a nossa sociedade vive a ciência.

O positivismo continua a marcar profundamente, se não pelos métodos ou declarações mais explícitas, pelo menos pela via da recusa da nossa não-omnipotência, enquanto seres humanos. O edificio cientifico, que hoje em dia sustenta a sociedade moderna, é em grande medida descendente do espirito positivista, ambicionando a utopia do controle absoluto do homem sobre a natureza. O próprio discurso ecologista, nas suas formas mais radicais, ao pretender o "desenvolvimento sustentado", está imbuído do mesmo espírito de controle absoluto.

O que sentimos, e eu não me excluo, sou também descendente desta linhagem, quando ouvimos falar de tantos mortos em França por via "apenas" de um calor excessivo? O que sentimos quando vemos cidades como NY, e outros potentados de tecnologia, completamente desamparadas? Sentimos perplexidade (ou emoção como Costa Alves), por vermos que, em pleno Séc. XXI, perante situações extremas, de pouco nos vale a ciência médica mais avançada, ou qualquer sistema complexo de distribuição de energia.

Publicado por Carlos em agosto 15, 2003 02:04 PM Secções Sociedade
Comentários

Muito Ruim

Afixado por: Vitor Paulo T. em maio 25, 2004 08:32 PM