agosto 22, 2003

Europa

Se a Europa quiser de facto ser a vanguarda civilizacional de que se auto-rotula, deve urgentemente encarar a questão do terrorismo de frente. Este olhar para o lado, fingir que não é nada connosco é o maior dos perigos. Quando as bombas (ou seja lá o que vier por aí) começarem a explodir nos centros do politicamente correcto, o mais certo é assistirmos a uma indignação tão grande quanto a surpresa. O estado de choque não é bom conselheiro. Corremos o risco de nos tornarmos o mais bárbaro dos carrascos, e então de nada valerá qualquer discurso.

As lições da década de 30 não foram aprendidas por alguns e já foram esquecidas por outros. É inquietante perceber na actual atitude de muita gente face ao terrorismo, a mesma falta de vontade de enfrentar, o mesmo incómodo, que existia nas democracias face à ascensão nazi. Os bem pensantes da época não acreditavam que o mal os pudesse atingir. Tal atitude permitiu o crescimento do polvo, a sua forte implantação em alguns países e a indiferença perante a invasão de outros.

Os terrorismos europeus estão em decadência. Isto dá-nos uma falsa sensação de segurança e permite os equívocos de que falei no post anterior. Estará implícito no pensamento de muita gente que o actual estado de ascendente sobre os .nossos. movimentos terroristas radica na superioridade moral concedida pelas virtudes do diálogo, compreensão, moderação. Nada mais falso. A .segurança. europeia resulta essencialmente da existência de um País como os EUA.

É urgente separar as águas. Não podemos continuar a discutir como se os terroristas fossem partidos políticos ou movimentos sociais com direito à existência. O terrorismo só pode ser combatido, nunca tolerado. Esse combate começa no seu isolamento ideológico, na recusa de armadilhas justificativas. O inimigo principal do terrorismo não é o imperialismo militar, nem o poder económico. Somos nós, os tais moderados.

Publicado por Carlos em agosto 22, 2003 02:38 PM Secções Política
Comentários