A "razoável protecção da consciência dos editores dos media" de que fala MST (ver post anterior) não os impede de vomitar resultados contraditórios de estudos estatisticos sobre a mesma realidade, com diferença de data de publicação inferior a duas semanas, sem um comentário, ou qualquer esclarecimento, que permita a quem lê entender o fenómeno, ou pelo menos ter noção da disparidade.
No final de Agosto foram divulgados os resultados do Eurobarómetro (Comissão Europeia) que apontavam para uma taxa de utilização de computador de 25% e da internet de 14,8%, na população Portuguesa. Hoje foram conhecidos os dados finais de um inquérito da Unidade de Missão Inovação e Conhecimento (Governamental) que apontam para taxas substancialmente diferentes: 53% de utilizadores de computador e 39% acedendo à internet. Não deixa de ser curioso observar o tom em que estes dados são apresentados, no mesmo orgão de comunicação social. Na noticia de 30 de Agosto, assinada por Ana Ribeiro Rodrigues, diz-se que o "cenário também não é animador", enquanto na de hoje, não assinada, por várias vezes se usa a expressão contrária (veiculada pelo instituto que realizou o inquérito): "Os resultados são animadores". Nem uma linha de referência ao estudo anterior. Fica ao cuidado do leitor avaliar da credibilidade, entre um instituto da Comissão Europeia e um do Governo Português... ou fazer a média (a qual beneficiará de um eventual terceiro estudo, talvez da ONU, que permita desempatar).
Escolhi 2 noticias do mesmo jornal, o Público, as quais provavelmente foram escritas por jornalistas diferentes. Acredito que em outros orgãos de comunicação social se faça o mesmo. E viva a edição.
Publicado por Carlos em setembro 12, 2003 11:28 AM Secções Comunicação