Ninguém obrigou estes senhores a assinarem o pacto. Mas fizeram-no. Fica-lhes muito mal, no momento de dificuldades, fazerem estas "mini-cimeiras", à margem dos restantes países, os quais, à custa de sacrificios, lá vão conseguindo cumprir o acordo assinado entre todos. Que diabo de pacto é este, em que uma parte dos signatários se arroga o direito de considerar ser esta a altura de o rever, no momento em que lhes é dificil o seu cumprimento, depois de vários anos em que o defenderam como o melhor dos mundos? O PEC fez-se precisamente para estabelecer as regras e os limites que agora são postos em causa. Quem o assinou deve, ou cumpri-lo, ou excluir-se da comunidade. Não é legitimo andar anos a exigir rigor aos outros e, quando chega a hora das dificuldades, mandar o rigor às malvas, só porque se tem poder.
Não é dificil imaginar um cenário diverso, em que os principais países não cumpridores fossem outros, dos clube dos pequenos. Nessa altura, qual seria a reacção do "Eixo" a uma "mini-cimeira" entre Portugal, Grécia e Irlanda por exemplo, se os papeis estivessem invertidos, os "grandes" a cumprirem e os pequenos a proporem flexibilidade? E quais seriam as "recomendações" do FMI?
A Europa não pode ser construída em cima destas manobras. Nada do que daí resultar será duradouro ou interessante. Nestes dias tenho vergonha de pertencer a esta Europa e de acreditar, como ainda acredito, no projecto Europeu.
Publicado por Carlos em setembro 20, 2003 05:36 PM Secções Política