Ao fim de uma semana da nova TSF tento fazer um balanço. Se este for feito através de uma análise fria e racional, a conclusão possível é que muito pouco mudou.
Se não vejamos:
- O essencial da estação continuam a ser os blocos noticiosos de meia em meia hora. Não contei os minutos, mas também não me parece que exista um limitador aos 4 ou aos 6, como se ameaçava. O conteúdo e estilo também não sofreram alterações perceptíveis.
- O fim de alguns espaços (Flashback, Freud e Maquiavel, Grande Júri) foi compensado com novos programas, também de "personalidades" (Margarida Marante, Carlos Pinto Coelho).
- Houve dança das cadeiras nos comentadores, e responsáveis pelos apontamentos humorísticos, como é natural em qualquer nova grelha.
- Não sendo a minha especialidade, não me consta que tenha havido qualquer alteração nos conteúdos desportivos. Não se confirmou a inexistência de directos.
Mas, apesar desta tentativa de análise racional, apesar da continuidade dos Sinais (e sobretudo da presença do seu autor, Fernando Alves), apesar da continuidade do P&T, não consigo deixar de sentir que algo se perdeu. Não sei se é (a minha) resistência à mudança, mas quando hoje ouvia o novo programa de Carlos P. Coelho, não pude evitar a nostalgia das conversas Magno/Amaral Dias e sobretudo Andrade/Magalhães/P. Pereira. Compare-se o estilo de um Carlos Andrade com o de CPC. Onde CA pergunta e argumenta, CPC sugere e ri-se. Nem acho, nunca achei, que a questão se coloque ao nível da ideologia subjacente a qualquer linha editorial da estação. Essa aliás mantem-se. É sintomático que a participação de Francisco Amaral continue nos pequenos (e quanto a mim ensonsos) apontamentos, que encaixariam perfeitamente em qualquer rádio mainstream, e simultaneamente tenha chegado ao fim o acolhimento de um dos últimos (bons) programas de autor, nada, mas mesmo nada, mainstream.
Publicado por Carlos em outubro 5, 2003 04:19 PM Secções Comunicação